

México e Inglaterra medem forças neste domingo (5/7), às 21h, valendo vaga nas quartas de final. Mexicanos nunca perderam no Mundial jogando no estádio, enquanto ingleses retornam ao palco 40 anos após sofrerem com a mão de Diego Maradona
Arthur Ribeiro — Especial para o Correio*
O Azteca, estádio com mais jogos de Copa do Mundo na história do torneio, se despede da edição de 2026 com um cara a cara entre dois dos protagonistas dessa trajetória que já soma 24 partidas, três aberturas, duas finais e muitos momentos inesquecíveis. Palco do tricampeonato do Brasil em 1970, a arena recebe, neste domingo (5/7), às 21h, o México, dono da casa, e a Inglaterra, de volta ao local 40 anos após ser eliminada pelo icônico gol de mão de Diego Maradona. O confronto vale uma vaga nas quartas de final do Mundial para enfrentar a Seleção Brasileira ou a Noruega.
Localizado na Cidade do México, o estádio viu de perto Pelé e Maradona erguerem a taça da Copa do Mundo, mas a história começa ainda em 1966, quando foi inaugurado para ser uma das sedes da Olimpíada daquele ano. Depois, se tornou a casa da seleção mexicana e é, até hoje, um talismã para a equipe. Já são 10 jogos de Mundial por lá, com oito vitórias, dois empates e 18 gols marcados.
A situação se complica para o México justamente quando se afastam do Azteca. Em 1970, somaram dois triunfos e um 0 x 0 com a União Soviética pela fase de grupos antes de ir para Toluca, onde caíram para a Itália na primeira partida do mata-mata. Na Copa de 1986, bateram Bélgica, Iraque e Bulgária, além de um empate com o Paraguai, todos no estádio icônico. A eliminação veio em Monterrey, nas quartas de final, derrotados pela Alemanha Ocidental nos pênaltis.
Do outro lado, estar no Azteca para a Inglaterra é reviver um fantasma de quatro décadas. Em 22 de junho de 1986, o sonho do bicampeonato inglês acabou nos pés (e na mão) de Diego Maradona. A partida carregava nos bastidores a tensão da Guerra das Malvinas, travada pelos países quatro anos antes e com vitória dos europeus no campo de batalha. No campo de futebol, melhor para os argentinos. El Pibe de Oro abriu o placar com o gol de mão mais famoso da história e depois driblou cinco adversários antes de balançar as redes no “Gol do Século”.
Independente do histórico dos dois lados, o confronto deste domingo envolve um México embalado e uma Inglaterra cotada no grupo de favoritos ao título. Os mexicanos ostentam quatro vitórias em quatro jogos no Mundial, além de estarem a uma partida de igualar a Itália de 1990, que passou cinco confrontos consecutivos sem sofrer gols.
A Inglaterra ganhou moral pela vitória de virada sobre a RD Congo na fase anterior, mas terá de ligar o alerta em dois fatores. O primeiro, criticado pelo técnico Thomas Tuchel, é a altitude de 2.240 metros da Cidade do México. O segundo é a dor de cabeça para o treinador em relação ao lado direito da defesa. O comandante não convocou Trent Alexander-Arnold, do Real Madrid, perdeu Tino Livramento por lesão antes da estreia no Mundial e depois viu Reece James e Jarell Quansah se machucarem na fase de grupos.
O alemão optou por improvisar Djed Spence no setor na última partida, mas pode colocar o volante Declan Rice na função, especialmente para tentar segurar Julián Quiñones, destaque e artilheiro dos mexicanos na Copa que joga por esse lado.
A atmosfera da partida movimentou a população mexicana e o preço dos ingressos. A busca de entradas para o duelo é a mais disputada do torneio até aqui, com valores até a casa de 36 mil dólares no site oficial de revenda. A opção mais barata custa cerca de US$ 3,5 mil, quase vinte vezes mais caro que o preço original da Fifa, de US$ 180.
Para os mexicanos, é a chance de manter a história de invencibilidade. Para os ingleses, é a oportunidade de reescrever a história e seguir vivo pelo primeiro título desde 1966, quando também venceu o México, porém na primeira fase.

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