

Gabriel Martinelli saiu do banco de reservas para marcar aos 50 minutos do segundo tempo e garantir vitória por 2 a 1
Por João Vítor Marques - Correio Braziliense
Enviado especial a Houston – No sufoco, com história de redenção e herói improvável. O roteiro desta segunda-feira (29/6) reservou momentos de decepção, fúria e apreensão para a Seleção Brasileira. No fim, explosão de alegria e, sobretudo, alívio. O Brasil saiu atrás, mas virou nos acréscimos do segundo tempo e bateu o Japão por 2 a 1 no NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos, pela fase de 16 avos de final da Copa do Mundo.
Gabriel Martinelli saiu do banco de reservas no segundo tempo para se tornar o grande nome da classificação. Aos 50 minutos, o jogador do Arsenal – não tão conhecido do povo brasileiro quanto outras estrelas – fez o gol da classificação. ‘Vilão’ na etapa inicial, o volante Casemiro deu a volta por cima e, de cabeça, marcou o primeiro brasileiro, também na metade final.
A virada no segundo tempo foi a sobrevida para uma Seleção Brasileira que teve mais a bola, mas foi dominada estrategicamente nos 45 minutos iniciais. Os japoneses abriram o placar com uma finalização do meio-campista Kaishu Sano, aos 29 minutos, após erro na saída de bola de Danilo e falha na marcação justamente de Casemiro.
O adversário do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo será o vencedor do confronto entre Costa do Marfim e Noruega. Africanos e europeus medem forças nesta terça-feira (30/6), a partir das 14h (de Brasília), no AT&T Stadium, em Dallas, nos Estados Unidos.
Brasil e Costa do Marfim ou Noruega se enfrentam no domingo (5/7). A bola rola às 17h (de Brasília), no Metlife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. É o palco da final da Copa do Mundo, no próximo dia 19.
O desenho do primeiro tempo pareceu exatamente aquilo que o técnico Hajime Moriyasu havia planejado. Na entrevista coletiva na véspera da partida, o comandante japonês avisou: sabia que o Brasil era o favorito, mas não abdicaria da identidade que tem construído desde 2018, quando assumiu o cargo. E assim foi.
A Seleção Brasileira teve a bola por mais tempo (59%, contra 35% dos japoneses e 6% em disputa) e finalizou mais (oito a quatro), mas estrategicamente foi dominada. Letal em contragolpes e na marcação pressão, foi controlado pelo adversário nesses aspectos e não criou grandes chances.
O cenário ficou ainda mais nebuloso por conta de más atuações individuais, sobretudo de Casemiro. O experiente volante de 34 anos, homem de confiança do técnico Carlo Ancelotti, recebeu cartão amarelo logo aos 12 minutos. Pendurado, não combateu devidamente o meio-campista Kaishu Sano, que, de fora da área, abriu o placar aos 29, após erro de passe do lateral-direito Danilo.
Em desvantagem, o Brasil ficou claramente nervoso em campo. Rodava a bola de um lado para o outro, mas não conseguia furar o forte bloqueio japonês – o que deixou evidente, mais uma vez, a grande dificuldade criativa do time de Ancelotti diante de defesas recuadas.
No intervalo, Endrick saiu do banco no lugar de Lucas Paquetá para mudar a disposição tática do Brasil e tentar destravar a linha de cinco marcadores japoneses – fixamente posicionada atrás de outra com quatro atletas e do atacante Avase Ueda, mais à frente. Com mais gente no ataque, a Seleção passou a levantar na área e criou grandes chances, com Bruno Guimarães e Matheus Cunha, mas a bola inacreditavelmente não entrou.
Na terceira, ela foi às redes! A máquina de vilões que é o futebol deu tempo a um deles rapidamente se converter em herói. Pior em campo na primeira etapa, Casemiro foi mantido em campo e, de cabeça, empatou para a Seleção Brasileira. Na comemoração, alegria e com um misto de desabafo, aos 11 minutos. Pouco depois, Vini Jr., que estava sumido na partida, fez uma jogadaça e quase virou, mas a bola bateu na trave após grande intervenção do goleiro Zion Suzuki.
No finalzinho, quando o empate parecia que persistiria até o fim, brilhou a estrela de Gabriel Martinelli. O atacante saiu do banco para, aos 50 minutos do segundo tempo, receber de Bruno Guimarães e bater no canto esquerdo de Suzuki – que tocou na bola, mas não conseguiu evitar: 2 a 1. Vitória na raça para garantir a classificação e manter o sonho do hexa vivo!
Brasil
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho, aos 47′ do 2ºT), Bruno Guimarães (Danilo Santos, aos 52′ do 2ºT) e Lucas Paquetá (Endrick, no intervalo); Rayan, Matheus Cunha (Gabriel Martinelli, aos 21′ do 2ºT) e Vini Jr. Técnico: Carlo Ancelotti.
Japão
Zion Suzuki; Ritsu Doan (Yukinari Sugawara, aos 21′ do 2ºT), Takehiro Tomiyasu, Shogo Taniguchi, Hiroki Ito e Keito Nakamura (Junnosuke Suzuki, aos 21′ do 2º); Junya Ito (Shuto Machino, aos 33′ do 2º), Kaishu Sano, Daizen Maeda (Koki Ogawa, aos 52′ do 2º) e Daichi Kamada (Ao Tanaka, aos 33′ do 2ºT); Ayase Ueda. Técnico: Hajime Moriyasu.
Motivo: 16 avos de final da Copa do Mundo;
Data e horário: segunda-feira, 29 de junho de 2026, às 14h (de Brasília, 12h locais);
Local: NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos;
Gols: Casemiro, aos 11′, e Gabriel Martinelli, aos 51′ do 2ºT (Brasil); Kaishu Sano, aos 29′ do 1ºT (Japão);
Cartões amarelos: Casemiro, aos 14′ do 1ºT, e Danilo, aos 3′ do 2ºT (Brasil); Kaishu Sano, aos 12′, Daishi Kamada, aos 45′ do 1ºT, e Junnosuke Suziki, aos 39′ do 2ºT (Japão);
Público: 68.777 torcedores;
Árbitro: Maurizio Mariani (Itália);
Assistentes: Daniele Bindoni (Itália) e Alberto Tegoni (Itália);
Quarto árbitro: Sandro Schärer (Suíça)

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