

Herdeiro da camisa 9 da Seleção tem noite inspirada e lidera o 3 x 0 sobre o Haiti pela segunda rodada. Vinicius Junior também marca e dá tranquilidade ao grupo para rodada final contra a Escócia
Victor Parrini — Enviado especial - Correio Braziliense
Filadélfia — Matheus Cunha pode, enfim, celebrar gols marcados pela Seleção Brasileira. Não que os dois na vitória por 3 x 0 sobre o Haiti, nesta sexta-feira (19/6), pela segunda rodada da Copa do Mundo, tenham sido os primeiros. O herdeiro da camisa 9 havia desencantado em 25 de março de 2025, ainda sob o comando de Dorival Júnior, justamente contra a Argentina, pelas Eliminatórias, no Monumental de Núñez. O problema é que a derrota por 4 x 1 para os atuais campeões mundiais não permitiu comemoração. Pelo contrário. A goleada marcou uma ruptura que culminou na saída de Dorival e abriu caminho para a chegada de Carlo Ancelotti. O resto é história. O italiano atravessou o Atlântico e transformou o paraibano de 27 anos em uma das peças-chave da Seleção.
Os gols marcados aos 24 e aos 36 minutos do primeiro tempo foram os primeiros de Cunha sob o comando de Ancelotti. O atacante se tornou o 15º jogador diferente a balançar as redes na Era Ancelotti.
Neste “sextou” mostrou por que é considerado indispensável. Embora vista a camisa 9, está longe de ser um centroavante clássico. Sai da área, participa da construção e aproxima setores. No primeiro jogo como titular em uma Copa do Mundo, porém, também foi oportunista como um legítimo goleador. Na estreia de 2022, Richarlison marcou dois contra a Sérvia. Desta vez, foi a vez de Cunha assumir o protagonismo.
No primeiro gol, apareceu no lugar certo para aproveitar o rebote após finalização de Vinicius Junior. No segundo, leu a jogada com inteligência, infiltrou-se entre os zagueiros e recebeu passe do próprio camisa 7 para ampliar. A noite ainda reservou o gol do atacante do Real Madrid, responsável por fechar a conta após belo lançamento de Lucas Paquetá.
Carlo Ancelotti é um excelente aluno. Há pouco mais de um ano no Brasil, raramente falta às aulas de português com o professor Roberto Piantino. Ainda busca evoluir no idioma, mas já se sente à vontade para cantar o Hino Nacional e absorver algumas lições clássicas do futebol brasileiro. Nesta sexta, durante a prova prática chamada Copa do Mundo, mostrou ter aprendido uma das mais antigas: time que está ganhando não se mexe.
A vitória representou o resgate das convicções do treinador. Depois de surpreender contra o Marrocos ao abandonar o 4-2-4 e apostar em nomes como Igor Thiago e Ibañez, retornou ao sistema que havia sido trabalhado durante a preparação. Matheus Cunha voltou a ser protagonista. Não daqueles que monopolizam os holofotes, mas dos que fazem o time funcionar. Recompôs, aproximou setores, participou da construção e ajudou a aliviar a carga defensiva de Vinicius Junior.
Na prancheta, o desenho era um 4-2-4. Em campo, porém, houve variações. Sem a bola, Casemiro frequentemente recuava para formar uma linha de três defensores, enquanto Lucas Paquetá, Bruno Guimarães e Matheus Cunha fechavam o meio-campo para reduzir o desgaste dos pontas. Ainda assim, o Brasil ofereceu espaços. Houve momentos de transição lenta e vulnerabilidade nas costas de Danilo e Douglas Santos.
A melhor oportunidade haitiana surgiu justamente em uma bola parada. Após cobrança de escanteio, a bola desviou na área e exigiu defesa de puro reflexo de Alisson. Depois do susto, a Seleção baixou as linhas e convidou o adversário a ter mais posse.
Desta vez, porém, conseguiu algo que não alcançava havia meses: sair de campo sem sofrer gols. O Brasil havia sido vazado nos seis compromissos anteriores. A última partida com a defesa intacta tinha acontecido em 15 de novembro de 2025, na vitória por 2 x 0 sobre Senegal, com gols de Casemiro e Estêvão.
Nenhum jogador foi tão pedido pelos torcedores ao longo da semana quanto Endrick. O brasiliense teve o nome gritado nas arquibancadas do Lincoln Financial Field e ganhou minutos ao substituir Matheus Cunha. Ao lado de Rayan, que entrou no lugar de Raphinha ainda no primeiro tempo, tornou-se um dos primeiros jogadores sub-20 a atuar pela Seleção em uma Copa do Mundo desde Tostão, em 1966. Não foram titulares, mas ajudaram a reduzir a média de idade de um grupo que busca renovação.
A dobradinha dos jovens resultou em gol. O ex-vascaíno observou a entrada do talento lapidado pelo Palmeiras, que bateu firme por baixo do goleiro Placide. O auxiliar, porém, flagrou impedimento do atacante nascido no Distrito Federal.
A notícia ruim da noite ficou por conta de Raphinha. O camisa 11 deixou o campo após sentir problema físico e tinha semblante de preocupação durante a conversa com o médico Rodrigo Lasmar. O setor, no momento, ainda não pode contar com Neymar, em transição depois de lesão na panturrilha direita.
Festa à parte, o Brasil não fez mais do que a obrigação. Era preciso vencer depois de Marrocos derrotar a Escócia e abrir vantagem na liderança do Grupo C. Os três gols marcados na Filadélfia podem ser decisivos nos critérios de desempate. Em 24 de junho, a Seleção encara a Escócia, em Miami, às 19h. No mesmo horário, os marroquinos enfrentam o Haiti. O caminho rumo às oitavas está aberto. Agora, resta confirmar a evolução demonstrada na Filadélfia.
Brasil 3 x 0 Haiti
Copa do Mundo (2ª rodada do Grupo C)
Local: Lincoln Financial Feed, Filadélfia (EUA)
Arbitragem: Alejandro Hernández (Espanha)
Público: 68.324 presentes
Escalações
Brasil — Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães (Éderson) e Lucas Paquetá (Gabriel Martinelli); Raphinha (Rayan), Matheus Cunha (Endrick) e Vinicius Junior (Danilo Santos). Técnico: Carlo Ancelotti
Gols: Matheus Cunha, aos 24 e aos 36 do 1º tempo, e Vinicius Junior, aos 48 do 1º tempo
Cartão amarelos: Douglas Santos
Haiti — Johny Placide; Carlens Arcus (Dominique Simon), Ricardo Adé, Jean-Kévin Duverne, Hannes Delcroix e Martin Expérience; Josué Casimir (Don Deedson), Danley Jean Jacque, Jean-Ricner Bellegarde (Derrick Etienne) e Ruben Providence (Lenny Joseph); Frantzdy Pierrot (Wilson Isidor). Técnico: Sébastien Migné
Cartões amarelos: Carlens Arcus, Frantzdy Pierrot

© ClubeFM 2021 - Todos os direitos reservados