

A uma semana da convocação de Carlo Ancelotti para a Copa, mãe do brasiliense Endrick, de 19 anos, fala ao Correio sobre a fé que move o desejo de ver o filho disputar o Mundial pela primeira vez
Por Marcos Paulo Lima - Correio Braziliense
A oito dias da divulgação da lista final dos 26 jogadores da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o barulho das arquibancadas dá lugar ao silêncio das orações em uma casa onde o futebol nunca foi apenas um jogo, mas uma promessa. Cíntia Ramos, a mulher que viu o “menino prodígio” de Valparaíso (GO) trocar os campos de terra batida do Entorno pelos holofotes do Santiago Bernabéu e, mais recentemente, pela afirmação técnica no Lyon, vive agora a maior expectativa.
Neste Dia das Mães, o presente mais aguardado não vem em caixa ou laço, mas na voz de Carlo Ancelotti no próximo dia 18, às 17h. Com a serenidade de quem atravessou as maiores dificuldades financeiras agarrada à Bíblia e à disciplina, a mãe de Endrick — e agora avó à espera do quarto neto — fala ao Correio sobre o que os scoutings não aferem: a força do propósito.
Nesta entrevista exclusiva, ela abre o baú de memórias de uma cena marcante na Granja Comary, detalha a maturidade do filho na França e revela por que, independentemente da convocação, o destino da joia brasileira foi selado por uma fé que não conhece limites.
Coração de mãe não se engana. O Endrick vai ser convocado para a Copa do Mundo no próximo dia 18 pelo técnico Carlo Ancelotti?
O coração de mãe sonha, torce, imagina… É um desejo muito especial para nós. Ver um filho chegar tão perto é motivo de orgulho e gratidão. Mas acima dos nossos planos, eu acredito profundamente nos planos de Deus. Às vezes, nós enxergamos apenas o momento. Deus enxerga o caminho inteiro. Se acontecer agora, vamos celebrar com muita alegria. E se ainda não for o momento, Deus estará preparando algo perfeito no tempo certo. Lembrar daquele pequeno menino sonhador da cidade Valparaíso (GO) me faz acreditar que todo sonho pode ser possível.
Tudo sempre aconteceu de forma muito precoce. Eu lembro dele ainda criança, brincando, disputando partidas entre amigos… e como aquilo mexia com ele. Quando fazia um gol, quando conseguia uma jogada bonita, iluminava os olhos dele. Claro que imaginar um menino de 19 anos podendo disputar uma Copa é algo gigante.
Eu já me considero uma mãe muito presenteada por Deus. Tenho três filhos maravilhosos e meus netos, que meus maiores presentes. Viver a expectativa de uma convocação emociona muito. Seria um presente muito especial.
Ver o Endrick treinando na Granja Comary e, ao mesmo tempo, o Noah olhando pra ele com os olhos brilhando. Em um determinado momento, ele correu e deu um abraço muito forte no irmão. Aquilo me emocionou profundamente como mãe. Desde então, o Noah olha para o irmão com a certeza de que ele é o melhor jogador do mundo.
Sempre fui muito presente. Hoje, o Endrick já tem a vida dele, as responsabilidades, mas sempre pode contar comigo.
Falava sobre vestir a Amarelinha. Era um sonho muito genuíno dele. E claro que, como mãe, eu fico entusiasmada.
Eu fiquei muito feliz, principalmente, vendo Endrick focado, disciplinado, treinando e aproveitando essa oportunidade. Eu não esperava menos dele.
Teve momentos de pensar em desistir, dificuldades financeiras, viagens para peneiras e treinos com muita limitação. Mas, em casa, sempre ensinamos que é permitido sonhar, desde que exista esforço, disciplina e perseverança.
Meu coração transborda de alegria com a chegada do meu quarto neto. Seria lindo e emocionante.
Eu diria para ela ter muito orgulho da missão como mãe. Formar um filho, educar, apoiar e ser alicerce é um propósito muito bonito. Assim como eu, ela vive esse amor, essa entrega e essa torcida diária pelos sonhos do filho.
Pela dedicação, esforço diário e comprometimento com a carreira. Fico feliz de ver jovens tão focados, determinados e lutando pelos sonhos com humildade e perseverança.
Permitam seus filhos sonharem. E sonhem junto, sem moderação. Quando chegar o tempo de olhar para trás vocês não se arrependerão. Entendendo que sonho também precisa de dedicação, disciplina, esforço e perseverança. Vão existir momentos difíceis, momentos de vale, de dúvida e de cansaço. Mas quando existe fé, entrega e persistência, o sonho pode, sim, ser alcançado.
Minha mensagem é de muito respeito pela liderança e pela trajetória dele. Ele fará o melhor pela seleção com muita responsabilidade, dedicação e experiência. Mas a trajetória é árdua mas o que não se pode é parar. Como mãe, eu torço para ver meu filho nessa convocação. Mas também acredito que Deus está no controle de tudo e que o melhor sempre acontece no tempo certo.

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