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HPV: 7 perguntas e respostas sobre o vírus

Brasil
Saúde
Publicado em 10 de julho de 2026
HPV: 7 perguntas e respostas sobre o vírus
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Entenda como a prevenção, o diagnóstico precoce e a vacina são fundamentais no enfrentamento da doença e na redução dos riscos à saúde


Por Redação EdiCase - Correio Braziliense

Diferentemente de muitas infecções sexualmente transmissíveis que dependem da troca de fluidos corporais, o Papilomavírus Humano (HPV) é transmitido principalmente pelo contato direto pele a pele, inclusive durante relações sexuais sem penetração. 

Essa forma de transmissão explica a ampla disseminação, mesmo entre pessoas que utilizam preservativo, método que reduz significativamente o risco, mas não protege completamente todas as áreas da região genital. Vale lembrar que o HPV é um grupo composto por mais de 200 tipos de vírus, sendo que cerca de 40 podem infectar a região genital.

HPV no Brasil e os desafios da saúde pública

No Brasil, a infecção é altamente prevalente. Dados da pesquisa nacional de prevalência do HPV, encomendada pelo Ministério da Saúde e realizada por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), indicam que a taxa de HPV genital atinge 54,4% das mulheres e 41,6% dos homens que já iniciaram a vida sexual. 

Diante de um cenário que não se restringe ao país, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas globais de saúde pública até 2030. Entre elas estão vacinar 90% das meninas contra o HPV até os 15 anos, garantindo que 70% das mulheres realizem rastreamento com teste de alta performance aos 35 e novamente aos 45 anos, e assegurando que 90% das mulheres com lesões pré-cancerosas ou câncer recebam tratamento adequado.

Desinformação sobre o HPV ainda gera inseguranças

Apesar de sua alta frequência e ampla disseminação, o HPV ainda é cercado por dúvidas. Entre as mulheres, essas incertezas tendem a ser mais intensas e carregadas de preocupação, principalmente porque alguns tipos do vírus estão diretamente associados ao câncer do colo do útero. Além disso, muitas têm receio de que a infecção possa comprometer a fertilidade, afetar uma futura gestação ou indicar algum problema mais grave de saúde. 

Também são comuns questionamentos sobre resultados alterados no Papanicolau, necessidade de tratamento, risco de transmissão ao parceiro e possibilidade de recorrência. Esse cenário evidencia como o HPV, além de uma questão médica, é também um tema que envolve medo, estigma e desinformação, reforçando a importância de orientação clara e baseada em evidências científicas, reforça a Dra. Madalena Oliveira, médica e professora de pós-graduação em Ginecologia na Afya Vitória.

7 perguntas e respostas sobre o vírus HPV

Pensando nisso, a especialista responde algumas das principais dúvidas do público feminino sobre o tema. Confira!

1. Como o HPV é transmitido?

O HPV é transmitido principalmente pelo contato direto pele a pele na região genital, sobretudo durante relações sexuais vaginais, anais ou orais, sendo que não é necessária penetração para que ocorra a transmissão. Também pode haver contágio pelo compartilhamento de brinquedos sexuais. 

Trata-se da infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum, e estima-se que a maioria das mulheres terá contato com o vírus em algum momento da vida sexual, especialmente nos primeiros anos após o início da atividade sexual. O uso do preservativo reduz significativamente o risco de transmissão, mas não o elimina completamente, pois o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pela camisinha.

2. HPV sempre causa sintomas?

Não. Na maioria dos casos, a infecção pelo HPV é assintomática, ou seja, não apresenta sinais visíveis. Os vírus são classificados em tipos de baixo risco (benignos) e de alto risco (oncogênicos). Os tipos de baixo risco podem causar verrugas genitais, que são lesões clínicas visíveis. Já os tipos de alto risco geralmente não provocam sintomas imediatos, mas podem causar alterações celulares no colo do útero.

Além disso, o vírus pode permanecer de forma latente, sem causar qualquer alteração citológica, sendo detectado apenas por exames específicos que pesquisam a presença do HPV no colo do útero, método que atualmente também é utilizado como estratégia de rastreamento do câncer cervical. Muitas mulheres descobrem a infecção apenas durante exames de rotina. Quando há sintomas, eles podem incluir verrugas genitais e, mais raramente, coceira ou desconforto na região íntima.

Ampola da vacina do HPV em fundo rosa-claro
A imunização é recomendada antes do início da vida sexual para ampliar a proteção contra os tipos mais perigosos do HPV (Imagem: Orawan Pattarawimonchai | Shutterstock)

3. A vacina contra HPV funciona?

Sim, a vacina é segura e altamente eficaz. Ela protege contra os tipos mais perigosos do vírus, especialmente aqueles relacionados ao câncer e às verrugas genitais. É recomendada preferencialmente antes do início da vida sexual, mas também pode beneficiar mulheres adultas. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo SUS para faixas etárias específicas.

4. Como saber se tenho HPV?

A principal forma de identificar alterações causadas pelo HPV é por meio do exame preventivo Papanicolau, que detecta mudanças nas células do colo do útero. Também existe o teste de HPV (DNA do vírus), capaz de identificar tipos de alto risco associados ao câncer. O diagnóstico, a confirmação e o acompanhamento devem ser realizados pelo(a) ginecologista.

5. HPV pode virar câncer?

O HPV pode evoluir para câncer, mas isso não acontece na maioria dos casos. Em geral, o próprio organismo consegue eliminar o vírus naturalmente em até dois anos, sem causar maiores problemas. O que preocupa são alguns tipos chamados de alto risco, principalmente os tipos 16 e 18. O HPV 16 é o mais frequentemente associado ao câncer do colo do útero, enquanto o HPV 18 também tem alto potencial de causar alterações celulares importantes. 

Esses números identificam tipos específicos do vírus que têm maior capacidade de provocar alterações celulares. Quando a infecção por esses tipos de alto risco permanece por muitos anos no organismo, pode causar lesões pré-cancerígenas no colo do útero. Se essas alterações não forem detectadas e tratadas por meio de exames preventivos, como o Papanicolau, elas podem evoluir lentamente para câncer.

6. HPV interfere na gravidez?

Ter HPV não impede a mulher de engravidar e, na maioria dos casos, a infecção não interfere na gestação nem causa prejuízos ao bebê. O vírus também não costuma impactar diretamente a gravidez. A transmissão para o recém-nascido durante o parto é considerada rara, podendo ocorrer principalmente em situações específicas, como quando há lesões grandes, especialmente condilomas, no momento do parto normal, o que não é comum.

7. HPV tem cura?

Não existe um medicamento específico capaz de eliminar diretamente o HPV. Na maioria das vezes, o próprio organismo consegue eliminar o vírus naturalmente, especialmente quando o sistema imunológico está saudável. Fatores como o equilíbrio da microbiota vaginal também contribuem para essa resposta. 

As verrugas e lesões provocadas pelo HPV podem ser tratadas, e as alterações identificadas no exame preventivo devem ser acompanhadas e, se necessário, tratadas para evitar a progressão para câncer. 

A vacinação é hoje a principal estratégia de prevenção. Países que implementaram programas amplos e organizados de imunização conseguiram reduzir drasticamente a incidência da doença. Por isso, a vacina é fortemente recomendada, sobretudo para crianças e pré-adolescentes, antes do início da vida sexual.

Por Beatriz Felicio

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