

Milton Lívio Lemos Salles foi afastado após aparecer fumando e bebendo durante julgamento virtual; Corregedoria instaurou sindicância
Por Larissa Leone* - Estado de Minas
O juiz Milton Lívio Lemos Salles foi afastado das funções pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), nesta terça-feira (11/8), um dia depois de ser flagrado fumando e bebendo durante uma sessão virtual de julgamento.
A determinação partiu do corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior, após a Presidência do TJMG comunicar os fatos à Corregedoria.
A decisão de afastamento será submetida à apreciação, conhecida como ‘ad referendum’, do Órgão Especial do TJMG. A Corregedoria-Geral de Justiça também instaurou uma sindicância para apurar os fatos.
Com o afastamento, os processos judiciais que estavam sob a relatoria do juiz serão redistribuídos. Além disso, um magistrado de primeiro grau será convocado para substituí-lo na atuação no Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Família.
Durante uma sessão do 4º Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Família por videoconferência nessa segunda-feira (10/8), Milton aparece de bermuda, acende um cigarro e, logo depois, bebe diretamente de uma garrafa que aparenta conter vinho.
A situação contraria as regras previstas para a participação de magistrados em atos judiciais realizados por videoconferência. De acordo com a Resolução nº 465/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), magistrados e demais participantes devem manter postura solene e utilizar vestimentas adequadas, como terno ou toga, equivalentes às exigidas nos atos presenciais.
Ainda conforme o TJ, a sessão realizada foi interrompida quando ainda faltavam três processos para serem julgados. Os casos pendentes serão incluídos na pauta da próxima sessão, prevista para 28 de agosto.
Depois da repercussão do vídeo, Milton teria compartilhado um vídeo no qual acusou o TJMG, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes de corrupção.
No vídeo, o magistrado também fez críticas ao Judiciário e citou supostos casos de corrupção, sem apresentar provas para sustentar as acusações.
*Estagiária sob supervisão da editora Vera Schmitz

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