

“Estamos, meu bem, por um triz pro dia nascer feliz” nas provas em comemoração aos aniversários da capital e do Correio. Monte sua playlist e invada as faixas da Esplanada, nesta terça-feira (21/4), a partir de 5h30
Por Marcos Paulo Lima - Correio Braziliense
A Maratona Brasília 2026, com largada nesta terça-feira, às 5h30, em frente ao Museu da República, em comemoração aos aniversários da capital e do Correio Braziliense, é um lugar de encontro de “Eduardos e Mônicas”, como diz a música da Legião Urbana.
Casais unidos pelo desafio de correr. Disputada sob o céu de Brasília, traço do arquiteto (Oscar Niemeyer), na canção de Djavan, a miscelânea de provas de 42, 21, 10, 5 e 3km também soa no fone de ouvido como uma oportunidade rara de ter a Esplanada dos Ministérios fechada. Liberada pro dia nascer feliz, cantaria Cazuza no Barão Vermelho.
Seja qual for a playlist dos 5.500 atletas inscritos na série de corridas iniciadas no sábado, a sessentona Brasília estende, mais uma vez, o tapete de ruas largas com seis faixas no principal cartão postal da cidade para pernas dispostas a desfilar por ela em busca de saúde, estética, prazer ou alto rendimento. No fim, há medalha para os inscritos.
Lançada em 1991, a Maratona Brasília não é restrita ao nosso quadrado. Abriu fronteiras. O atual campeão vem de São Paulo em busca do bicampeonato. Renilson Vitorino nasceu em Euclides da Cunha, no sertão baiano. Resistência é um adjetivo presente em cada passada larga do favorito na prova dos 42.195km.
“As expectativas estão ótimas. Com certeza, com muita humildade, otimismo, respeito e pé no chão, quero conquistar o bi. Não é fácil, mas é possível. Para conquistar, preciso estar na disputa”, destaca Renilson Vitorino. “Sempre procuro escolher maratonas que valorizam o atleta, com premiação viável e boa organização.”
Campeão em 2024. Luís Barboza, de 38 anos, é o principal obstáculo no caminho do bi de Renilson Vitorino, mas ele reconhece a dificuldade. “A prova vem melhorando a cada ano, atrai mais pessoas de outros estados”, avalia.
Na prova feminina, o favoritismo é quase uma barbada. A goiana Juliana Pereira cruzou a linha de chegada na primeira posição nas edições de 2024 e de 2025. Portanto, entra no Planalto Central à caça do tri. “O desafio será maior. O percurso de Brasília não é nada fácil. Estarei vindo de outra prova. Fazer um resultado expressivo é difícil. Quero manter, pelo menos, o tempo que fiz”. O lugar mais alto do pódio teve marca de 3h10m no ano passado.
A história da Maratona Brasília e o repertório vasto de provas não são escritos apenas por atletas de alto rendimento como Renilson e Juliana. Há quem use a prova como uma maneira de oxigenar a vida. A quem deseja somente concluir o percurso escolhido em uma realização pessoal, Juliana Pereira deixa uma dica de quem conhece os atalhos do sucesso.
“Para os atletas com experiência, é mais fácil por terem uma carga melhor de treino. É fazer na prova o que foi feito no treino. A alimentação e a suplementação também são eficazes e ajudam no desempenho, tanto no treino quanto no dia da corrida. No dia da prova, é importante usar somente o que foi ingerido durante o ciclo de treino para maratona”, recomenda.
Entre os “Eduardo e Mônicas” da Maratona Brasília está o casal Leonardo Reis e Franciele Regis. No domingo, ambos disputaram a prova dos 5km. O militar de 42 anos corre desde os 14, incentivado pelo pai. “Eu não havia experimentado a corrida de rua até 2019, quando comecei a me divertir sentindo o clima, a atmosfera legal, a alegria dos corredores de estar bem mental e fisicamente. Ainda não consegui correr maratona. Esse é um dos meus objetivos. Em 2024, participei da meia. O ser humano é movido a desafios”, diz.
Leonardo Reis namora a farmacêutica Franciele Regis, 40. “Essa brincadeira de Eduardo e Mônica é muito legal. Nós somos fãs de Legião Urbana. Casa muito bem com essa situação (risos). Só não vou participar das corridas de terça, porque faço um curso em Salvador”, lamenta. Ele acompanhou a primeira-dama no desafio dos 5km e ela deixou dicas aos inscritos nas provas de terça-feira (21/4).
“A corrida é algo novo para mim. Comecei a correr em fevereiro, quando entrei para a assessoria Atiça Run. Participar da Maratona Brasília é a realização de um sonho, por mais que ainda esteja correndo apenas 5km. Quem sabe no próximo ano eu já participe de um desafio. O caminho está sendo construído”, conta Franciele Régis.
“Brasília me inspira todos os dias a ter a oportunidade de correr na Esplanada em uma atmosfera muito gostosa. A prova de terça não será fisicamente fácil, mas tenho certeza de que o cenário dará muito mais gás a todos os participantes”, projeta.
A capital ganha de presente, anualmente, a Maratona, mas também é uma casa de festas a céu aberto. Há quem celebre o Ano Novo com ela neste 21 de abril. “Vou comemorar meus 30 anos de corrida, de 1996 a 2026, correndo”, compartilha o atleta Jael de Assis.
Relações institucionais do Correio Braziliense e um dos organizadores da Maratona Brasília, Miguel Jabour comemora a consolidação do evento. “Vai ser difícil repetir o desafio desse ano. Acho que nenhuma prova vai dar oportunidade de o participante correr quatro provas seguidas e ganhar esse número de medalhas”, afirma o executivo.
“No próximo ano, o aniversário de Brasília e do Correio será em uma quarta-feira e voltaremos ao formato original das provas em um só dia”, revela. “Aproveitem a arena, que o aniversário é nosso, mas a festa é do corredor”, conclui.
Programe-se
Terça-feira (21/4)
Provas: 3km, 5km, 10km, 21km e 42km
Largada: 5h30 para os 42km, 6h para 21km, 6h30 para 3km, 5km e 10km
Local: em frente ao Museu da República

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