

Capitão do Brasil usa jogos insanos da Copa do Mundo de Clubes em 2025 para aconselhar Carlo Ancelotti e os companheiros a zelar pela saúde física e mental na maratona de oito jogos pelo hexa
Por Marcos Paulo Lima — Enviado especial - Correio Braziliense
New Jersey — Em 2018, ele era reserva de Thiago Silva e Miranda na Copa da Rússia. Quatro anos depois, virou o par prefeito do Monstro na defesa. Os aplausos ao subir degrau por degrau na sala de conferências do The Ridge, hotel da Seleção em Basking Ridge, não expressava somente um ato de reconhecimento a Marcos Aoás Corrêa por ter erguido o troféu da Liga dos Campeões da Europa em duas edições consecutivas pelo Paris Saint-Germain.
Reverencia a ascensão de quem soube resistir ao tempo — e até mesmo ao pênalti perdido contra a Croácia nas quartas de final de 2022 — para assumir a faixa de capitão e a voz de comando no vestiário da única seleção pentacampeã mundial.
Marquinhos não é vendedor de conselhos, mas virou especialista em transformar o caos pessoal em lição para o sucesso. Depois de virar vilão contra a Croácia na Copa de 2022, levantou a Liga dos Campeões da Europa duas vezes com a braçadeira de capitão do PSG. Virou intocável na defesa da Seleção e um dos homens de confiança de Carlo Ancelotti — mesmo sem jamais ter trabalhado com o italiano em clubes. Uma das derrotas doídas da carreira de Marquinhos aconteceu no ano passado e indica o caminho a ser seguido pela Seleção para evitar problemas na Copa do Mundo.
O zagueiro está preocupado com a possibilidade de calor extremo. No ano passado, o PSG perdeu a final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa para o Chelsea por 3 x 0, entre outros motivos, por causa da temperatura elevada em New Jersey, onde o Brasil está concentrado. O time inglês iniciou o jogo avassalador e não deu chance de reação aos campeões europeus.
Pra um bom entendedor, aquele meio tempo desastroso do PSG basta para acender o alerta na Seleção. “Pela experiência que a gente teve no Mundial de Clubes, acho que calor, cansaço, desidratação e desgaste foram fatores muito importantes. Principalmente para o PSG, que chegou na final. Foram fatores que influenciaram resultados, e a experiência que tive vai ser muito importante. E algumas coisas que estão acontecendo quanto a treinos, preparação e alguns cuidados que tivemos e funcionaram para nós. Consegui externar ao staff e à comissão para que possamos ter as melhores condições de preparação”, alerta.
A Copa do Mundo de Clubes da Fifa teve exibições avassaladoras no primeiro tempo em 2025. O Real Madrid abriu 3 x 0 no Borussia Dortmund nas quartas de final com imponência no primeiro tempo. No jogo seguinte, foi tragado pelo PSG em 45 minutos nas semifinais por 4 x 0. Três gols saíram no primeiro tempo. Distraído na decisão, o PSG tomou 3 x 0 no primeiro tempo e não reagiu contra o Chelsea. Em comum: jogos insanos disputados justamente no MetLife Stadium, em New Jersey.
“No jogo acho que vai ser muito importante a experiência que eu tive. O time que começa marcando gols, com resultado na frente, tem uma vantagem grande. Correr atrás com o calor, com sol e o momento do campo também é um desgaste ainda maior. Foi uma experiência que tive na Copa de Clubes e que estou tentando conversar com meus companheiros e a comissão técnica. É importante a gente sempre estar focado, começar os jogos muito bem. Nos últimos jogos com o Real Madrid e o Chelsea, quem começou ganhando teve uma vantagem grande com o calor e o desgaste, que depois correr atrás é muito difícil”, adverte Marquinhos.
Sem citar nome, Marquinhos lembrou o caso da Argentina em 2022 na arrancada para o título. O time de Messi iniciou a campanha perdendo para a Arábia Saudita na estreia e e se reinventou. “As últimas campeãs mostraram que souberam crescer nas competições. No meu clube (PSG), não começamos tão bem a Champions e terminamos campeões. O importante não é como se começa e sim como vai conseguir terminar a competição”, concluiu Marquinhos.
O maior desafio a 10 dias da estreia contra Marrocos no próximo dia 13, no MetLife Stadium, em New Jersey, é a formação de um grupo com mentalidade vitoriosa. O PSG vive isso sob a batuta de Luis Enrique na melhor fase do clube francês fundado em 1970. O time perdeu títulos até com Messi, Neymar e Mbappé juntos no time. Sem o trio, aprendeu a jogar coletivamente.
“O futebol vem mostrando cada vez mais que não existe uma fórmula secreta de sucesso. Existem muitas filosofias e caminhos para se chegar ao sucesso. Cada vez mais o futebol tem se mostrado um jogo coletivo. Nós precisamos de todos os jogadores bem fisicamente e mentalmente. É nisso que a gente vem se focando. Vejo muitas declarações de antigos campeões que fizeram parte de ciclos em que não conseguiram ganhar e que foram vencedores na frente”, ponderou.

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