

Análise
Por Marcos Paulo Lima - Correio Braziliense
New Jersey — Não há nada ruim que não possa piorar para o Brasil. Como se não bastasse o péssimo futebol no empate por 1 x 1 com Marrocos, o domingo foi de resultados traumáticos e sinais de alerta para a Seleção nas partidas deste domingo da Copa do Mundo.
A Alemanha está na rota do time de Carlo Ancelotti na projeção do mata-mata. Goleou Curaçao por 7 x 1. Como se não bastasse a memória ruim, os tetracampeões mundiais tomaram do Brasil a ostentação de ataque mais ofensivo da história das Copa. Os germânicos alcançaram a marca de 239 gols em Mundiais contra 238 do Brasil.
Se avançar em primeiro lugar no Grupo C e a Alemanha também no E, e ambos avançarem na fase de 16 avos, há possibilidade de um encontro nas oitavas de final. Curação não serve de parâmetro para um hipotético confronto, mas a Alemanha começou mais leve e dando uma alfinetada no Brasil. Em 2014, os pentacampeões amargaram 7 x 1 nas semifinais.
Antes de um possível encontro com a Alemanha, o adversário virá do Grupo F. Os favoritos são a Holanda e o Japão, protagonistas de um belíssimo jogo em Dallas, como conta o colega do Estado de Minas Paulo Galvão.
A performance do Brasil na estreia deixa o torcedor complexado em relação à fase de 16 avos. Holanda e Japão jogaram em alto nível, rotação e precisão. Os gols foram marcados por duas seleções com tempo de trabalho. Enquanto Carlo Ancelotti tem 13 partidas no cargo, Ronald Koeman acumula 41 com a prancheta da Laranja Mecânica.
Hajime Moriyasu é o Segundo técnico mais estável entre os 48 da Copa do Mundo. Está no cargo desde 1º de agosto de 2018. Acumula 105 jogos. Os Samurais têm a cara dele. O discípulo de Arthur Antunes Coimbra, o Zico, tem o elenco na palma das mãos.
Mais do que tempo de trabalho, há uma engrenagem. Os gols da Holanda e do Japão foram construídos. Há ideias de jogo com dois modelos táticos consolidados. A Laranja Mecânica joga no tradicional 4-3-3. Gostei da exibição em uma partida difícil. O Japão é ousado. Adota três zagueiros em um 3-4-2-1 parecido com o de Luiz Felipe Scolari na conquista do penta.
Naquele título, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo atuavam atrás de Ronaldo. No Japão, essa dinâmica fica nos pés de Takefusa Kubo, o Messi japonês; e Daizen Maeda, ambos responsáveis por abastecer Ayase Ueda. Os gols saíram dos pés do volante Kamada e do ala-esquerdo Keito Nakamura. O Brasil teve o dissabor de sofrer virada do Japão em um amistoso recente justamente sob o comando de Carlo Ancelotti.
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