

A agência especializada da ONU alerta para o crescimento acelerado dos sachês de nicotina,que podem atrair adolescentes e aumentar o risco de dependência
Por Mariana Mazzaro
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o crescimento acelerado dos sachês de nicotina em diferentes países e na divulgação dessas substâncias por meio da internet que podem atrair principalmente jovens.
O alerta faz parte do primeiro relatório global da entidade sobre esses produtos, divulgado em maio de 2026. Segundo a OMS, mais de 23 bilhões de sachês foram vendidos no varejo em 2024, alta superior a 50% em relação ao ano anterior.
Os sachês são pequenas bolsas colocadas entre o lábio e a gengiva. A nicotina é liberada pela mucosa da boca e chega ao organismo sem a necessidade de fumar. De acordo com a agência especializada, os produtos costumam conter nicotina, aromatizantes, adoçantes e outros componentes.
O Relatório aponta que a expansão dos sachês de nicotina está acompanhada de estratégias de divulgação direcionadas ao público mais jovem. Entre elas estão embalagens discretas e modernas, sabores que remetem a doces, divulgação por influenciadores digitais e campanhas nas redes sociais.
A organização também cita o patrocínio de shows, festivais e eventos esportivos como uma das formas utilizadas para associar os produtos a determinados estilos de vida. Em alguns casos, as embalagens podem se parecer com doces e balas, o que também aumenta o risco de consumo acidental por crianças pequenas.
Para o chefe da Iniciativa Livre do Tabaco da organização, Dr. Vinayak Prasad, é necessário que os governos adotem medidas mais rígidas para proteger a população, especialmente os jovens.
“O uso de sachês de nicotina está se espalhando rapidamente, enquanto a regulamentação tem dificuldade para acompanhar esse crescimento.Os governos precisam agir agora, adotando medidas fortes de proteção baseadas em evidências”, afirmou Dr. Vinayak Prasad, chefe da Iniciativa Livre do Tabaco da OMS.
A pesquisa reforça que a nicotina é uma substância altamente viciante e que a exposição é especialmente preocupante durante a infância e juventude, período em que o cérebro ainda está em desenvolvimento.
Segundo a entidade, o contato com a nicotina durante a adolescência pode interferir no desenvolvimento cerebral, inclusive em funções relacionadas à atenção e à aprendizagem. O uso precoce também pode aumentar a possibilidade de dependência prolongada e de consumo futuro de outros produtos de nicotina e tabaco. A organização ainda aponta aumento do risco cardiovascular associado ao consumo de nicotina.

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