

Vendavais de até 100 km/h provocaram três mortes, protestos e deixaram mais de 100 mil consumidores sem energia no estado
Por Correio Braziliense
Passados dois dias da tempestade que atingiu o estado do Rio de Janeiro com rajadas de vento de até 100 km/h, mais de 112 mil unidades consumidoras permanecem sem fornecimento de energia elétrica.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pela Light, cerca de 105 mil clientes continuam afetados na capital e na Baixada Fluminense. Entre as regiões com maior número de interrupções estão Bangu, Campo Grande, Jacarepaguá, Recreio dos Bandeirantes, Santa Cruz, além dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
A Enel informou que o serviço já foi normalizado para aproximadamente 98% dos imóveis atendidos pela concessionária, mas cerca de 7,8 mil consumidores ainda enfrentam falta de energia. Niterói e Maricá concentram a maior parte das ocorrências remanescentes. A demora na recomposição do sistema provocou manifestações de moradores em bairros como Taquara e Sepetiba, na capital, além de protestos em Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Na quarta-feira (29/7), a cidade do Rio entrou em estágio 2 de monitoramento, classificação que indica possibilidade de eventos com potencial para causar impactos significativos. Durante o vendaval, o Corpo de Bombeiros atendeu 291 chamados em diferentes municípios fluminenses. Desse total, 154 estavam relacionados à queda de árvores, 31 envolveram salvamento de pessoas e cinco foram motivados por desabamentos. A capital registrou o maior número de ocorrências, com 128 atendimentos, seguida por Nova Iguaçu, com 28, e Niterói, com 25.
O temporal também deixou vítimas. Duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central da capital, entre elas um ex-jogador do Botafogo. Além disso, um pescador que havia desaparecido durante o vendaval, enquanto estava no mar em Tarituba, na região de Mambucaba, foi encontrado sem vida pelo Corpo de Bombeiros. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e identificado, na tarde de quinta-feira (30/7), como Celsom Costa Junior.
Também na quinta-feira, o prefeito em exercício do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou que a cidade deve permanecer em alerta diante da possibilidade de novos episódios de clima extremo associados ao Super El Niño, cujo pico é esperado para outubro.
“Situações como a de ontem exigem atenção, coordenação e presença na rua. E devemos seguir atentos pois podem se repetir durante o período desse Super El Niño. É para isso que a estrutura da Prefeitura existe: o esforço para antecipar riscos, mobilizar os órgãos e agir com velocidade quando a cidade precisa”, escreveu Cavaliere no X.
“A Prefeitura está preparada para acompanhar essas mudanças em tempo real e dar a resposta mais rápida possível. O Centro de Operações reúne informações das diferentes redes, monitora as ocorrências e aciona as equipes responsáveis para retirar árvores, liberar vias e reduzir os impactos sobre a população. Seguimos mobilizados para o dia de hoje até o estado de normalidade se reestabelecer”, acrescentou.
Ainda na noite de quinta-feira, a Light informou em seu perfil no X que mais de 2 mil funcionários trabalhavam para reestabalecer a energia.

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