

Saiba como o técnico Carlo Ancelotti formaria uma dupla de ataque com Vinicius Junior e Neymar
Por Marcos Paulo Lima — e Victor Parrini — Enviados especiais - Correio Braziliense
Nova Jersey — Careca e Müller. Romário e Bebeto. Ronaldo e Rivaldo. A alta médica de Neymar depois da recuperação em doses homeopáticas da lesão de grau 2 na panturrilha direita e a possibilidade de o atacante ficar no banco de reservas e entrar durante alguns minutos contra a Escócia, na quarta-feira, às 19h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, pela última rodada do Grupo C, permitem ao torcedor brasileiro sonhar com uma dupla de ataque formada pelo camisa 10 com Vinicius Junior a partir da fase de 16 avos da Copa do Mundo.
A hipótese de uma dupla de ataque entre Vini e Neymar não seria uma invenção. Basta olhar para o repertório de conquistas do técnico pentacampeão da Champions League e único vencedor das cinco principais ligas nacionais da Europa — Alemão, Espanhol, Inglês, Italiano e Francês. Em 2024, Carletto levou o Real Madrid ao título da Liga dos Campeões da Europa com um ataque sem centroavante depois da transferência de Benzema para a Arábia Saudita. Vinicius Junior e Rodrygo passaram a formar o dueto ofensivo merengue.
A aproximação entre o jogador eleito número 3 do mundo em 2015 e 2017 e o Fifa The Best de 2024 começa no vestiário. Ontem, ambos acessaram o gramado do Centro de Treinamento do Red Bulls New York juntos no bairro de Morristown. Nas atividades anteriores, Neymar atraiu as atenções sendo o último a entrar. Ambos trocaram ideias várias vezes no campo durante os 15 minutos de atividade permitidos à imprensa.
Neymar olhava nos olhos de Vini, gesticulava e dava indícios de que podem dar liga. A contusão de Raphinha na coxa direita e o risco de o atacante não entrar mais em campo no Mundial fortalecem a hipótese de Carlo Ancelotti reinventar o Brasil para encaixar Neymar na Seleção. O quebra-cabeça teria impacto direto em outras posições no sistema tático.
Carlo Ancelotti tem pelo menos dois modelos bem definidos: 4-4-2 e 4-3-3. Na primeira possibilidade, Vinicius Junior e Neymar formariam a dupla de ataque beneficiados pela maleabilidade do versátil Matheus Cunha, que assumiria a ponta esquerda com a missão de protagonizar um dos lados da recomposição, como fez no fim da temporada passada no Manchester United sob o comando de Michael Carrick. Lucas Paquetá pode pegar a extrema direita. Ao lado deles, Casemiro e Bruno Guimarães formando o par de volantes.
Uma outra possibilidade é o 4-3-3. Neymar poderia fazer o papel de falso 9 como vinha desempenhando no Santos de Cuca ou reassumir o papel de meia. Ele jogou assim na Copa do Mundo de 2022 com Tite. Carlo Ancelotti teria dois pontas, um deles Vinicius Junior, e teria de escolher outro para o lado direito. A alternativa mais uma vez pode ser Matheus Cunha, com Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá formando uma trinca no meio de campo.
O campo das possibilidades inclui a manutenção do modelo atual sem revoluções. A posição de Raphinha na ponta direita seria assumida por Luiz Henrique, Rayan ou Endrick (leia matéria abaixo) ao lado de Matheus Cunha e de Vinicius Junior no ataque. Neymar assumiria o cargo de camisa 10 ao lado de Casemiro e de Bruno Guimarães no meio de campo com a possibilidade de trocas de posição entre eles e muita movimentação.
Vinicius Junior e Neymar atuaram juntos 16 vezes com a camisa da Seleção. Com eles em campo, o Brasil acumula 11 vitórias, 1 empate e 4 derrotas. A Seleção balançou a rede 34 vezes e sofreu 13 gols. Neymar fez oito e distribuiu sete assistências. Vini soma duas bolas na rede e deus dois passes letais. Houve apenas um passe de Neymar para gol de Vini.
Em meio ao campo das possibilidades, Lucas Paquetá falou ontem sobre a expectativa pelo retorno de Neymar. “Estamos todos felizes com a volta dele. É um cara importante para a nossa Seleção, que tem uma história linda aqui. Estamos felizes por ele, pela volta dele. Esperamos que ele possa estar em campo o quanto antes nos ajudando”, afirmou o autor da assistência para o gol de Neymar contra a Croácia nas quartas de final de 2022.
“Estamos todos felizes com a volta dele (Neymar). Esperamos que ele possa estar em campo o quanto antes nos ajudando”
Lucas Paquetá, meia
Ney e Vini juntos na Seleção
16 jogos
11 vitórias
1 empate
4 derrotas
34 gols marcados pelo Brasil
13 gols sofridos
8 gols e 7 assistências de Neymar
2 gols e 2 assistências de Vinicius Junior
1 gol com passe de Neymar para Vinicius Junior
O campo das possibilidades aponta para o que Carlo Ancelotti fez na conquista de 2024 da Champions League, quando usou Vinicius Junior e Rodrygo como dupla de ataque. Vini teria a parceria de Neymar, com Lucas Paquetá e Mateus Cunha nos lados do campo formando a meiuca com Casemiro e Bruno Guimarães. Um desenho alternativo seria o 4-3-1-2 inspirado naquele time merengue. Do meio para a frente ficaria assim: uma trinca formada por Casemiro, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães; Matheus Cunha à frente deles e a parceria entre Vinicius Junior e Neymar na frente.
O campo das possibilidades aponta para o que Carlo Ancelotti fez na conquista de 2024 da Champions League, quando usou Vinicius Junior e Rodrygo como dupla de ataque. Vini teria a parceria de Neymar, com Lucas Paquetá e Mateus Cunha nos lados do campo formando a meiuca com Casemiro e Bruno Guimarães. Um desenho alternativo seria o 4-3-1-2 inspirado naquele time merengue. Do meio para a frente ficaria assim: uma trinca formada por Casemiro, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães; Matheus Cunha à frente deles e a parceria entre Vinicius Junior e Neymar na frente.
Nova Jersey — Carlo Ancelotti tem três dias para solucionar um dilema: quem escalar na ponta direita depois da lesão de Raphinha. Três currículos foram entregues. Endrick apresenta gols e clamor popular. Rayan entrega intensidade e versatilidade. Luiz Henrique oferece um pouco mais de experiência e confiança construída com o treinador. A contusão muscular do dono da posição transformou a preparação para o duelo contra a Escócia, na quarta-feira, em Miami, em uma espécie de processo seletivo pelo extremo.
Os três candidatos apresentam virtudes e limitações. Comecemos por quem parece largar na frente. Luiz Henrique foi titular em quatro partidas sob o comando de Carlo Ancelotti e é o jogador do setor com mais crédito junto ao treinador. Ainda não marcou gols na atual comissão técnica. Os dois que balançaram as redes pela Seleção foram na Era Dorival Júnior, contra Chile e Peru, pelas Eliminatórias. Em compensação, participou diretamente da construção ofensiva e deu assistência para Bremer no amistoso diante da França.
O jogador de 25 anos, revelado pelo Fluminense e campeão brasileiro e da Libertadores pelo Botafogo, oferece uma característica valorizada por treinadores em torneios curtos: confiabilidade. Luiz Henrique conhece os mecanismos da equipe, seja no 4-4-2 ou no 4-3-3. Sabe quando acelerar as jogadas, quando reter a posse e como proteger o corredor direito sem a bola. Nesse aspecto, poderia ser importante para auxiliar Douglas Santos diante de uma Escócia que aposta bastante nos cruzamentos e na força dos extremos.
O canhoto também acrescenta um elemento de imprevisibilidade. Maior driblador do Campeonato Russo na última temporada, tem facilidade para conduzir para dentro e trocar de posição com Vinicius Junior, confundindo a marcação adversária. O que pesa contra sua candidatura é o momento. Luiz Henrique sequer foi utilizado na vitória sobre o Haiti e perdeu espaço justamente quando a concorrência cresceu.
Se Luiz Henrique oferece previsibilidade, Endrick entrega o oposto. O brasiliense de 19 anos é, hoje, o jogador mais capaz de alterar o rumo de uma partida em poucos lances. Foi assim contra o Haiti. Teve 26 minutos em campo, marcou gol, mas estava impedido por milímetro. O camisa 19 tem como trunfos atacar espaços nas costas da defesa e obrigar os zagueiros a correrem para trás, gerando profundidade. As finalizações são potentes e causam elogios nos treinamentos.
O momento também favorece: nenhum jogador teve o nome tão cantado pelos torcedores na Filadélfia quanto ele. O desafio de Endrick está em outros aspectos. Ancelotti e auxiliares enxergam potencial para que participe mais da construção das jogadas e não apenas da definição. Também existe o cuidado para que o jovem não carregue o peso de entrar em campo sempre como solução para os problemas ofensivos da equipe. O talento é incontestável, mas há a dúvida se é o momento de transformá-lo em titular em uma Copa do Mundo.
“Passei um ano com ele (Ancelotti) no Real Madrid. Ele sabe o que eu faço quando eu entro, dou minha vida pela equipe. É um grande treinador, tem cabeça, ele não vai fazer o melhor para o Endrick ou para a torcida, vai fazer o melhor pelo time”, destacou o brasiliense.
Rayan pode estar à frente de Endrick e Luiz Henrique devido à exibição contra o Haiti. Aproveitou os minutos para mostrar versatilidade. Pode atuar pela ponta ou como um segundo atacante. Participa da construção das jogadas e oferece intensidade sem a bola. O boleiro lapidado em São Januário apresenta um perfil físico diferente. É forte no um contra um e foi um dos poucos a manter o ritmo de pressão mesmo quando o Brasil reduziu a intensidade contra o Haiti.
“Coloquei o Rayan porque mostrou qualidade e tem um perfil diferente de Raphinha e Luiz Henrique. São detalhes que determinam a entrada de um ou de outro. Por isso escolhi o Rayan”, justificou do Ancelotti.
O principal obstáculo para Rayan é a falta de lastro na Seleção. Embora tenha aproveitado os minutos recebidos contra o Haiti, ainda não construiu a mesma relação de confiança com Ancelotti que Luiz Henrique possui nem carrega a expectativa gerada por Endrick. Dos três, é o que tem a menor minutagem com a Amarelinha: 109, contra 621 de Luiz Henrique e 514 de Endrick.
Além de Endrick, Luiz Henrique e Rayan, há um quarto nome no radar de Ancelotti. Gabriel Martinelli atua preferencialmente pela esquerda no Arsenal, mas também foi utilizado pelo treinador italiano no lado oposto do ataque. Destro, tem facilidade para atacar a linha de fundo e oferece intensidade na pressão sem a bola. O que joga contra a candidatura é justamente a falta de sequência na função. Diferentemente dos concorrentes, não disputa a vaga como especialista do setor e aparece como alternativa mais circunstancial.

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