

Em Capão da Canoa, monomotor decola e logo cai em cima de casas — as quatro pessoas a bordo morreram. No Rio de Janeiro, um helicóptero teve problemas e obrigou o piloto a descer dentro d’água, perto da praia. Ninguém se feriu
Por Danandra Rocha - Correio Braziliense
Dois acidentes aéreos registrados em um intervalo de poucas horas, na manhã de ontem, mobilizaram equipes de resgate em diferentes estados. Em Capão da Canoa (RS), um avião caiu numa área residencial, matando quatro pessoas. No Rio de Janeiro, um helicóptero fez um pouso forçado no mar, na região da Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense.
No Rio Grande do Sul, a queda de uma aeronave Piper PA-46-350-P, prefixo PS-RBK, matou o piloto Nelio Pessanha, o empresário Renan Saes — sócio da empresa responsável pela aeronave — e o casal Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, ligados ao setor têxtil paulista. O acidente ocorreu logo depois da decolagem do aeroporto municipal de Capão da Canoa. Na queda, atingiu uma casa, uma loja e um restaurante na Avenida Valdomiro Cândido dos Reis — que estava fechado quando ocorreu o desastre.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as suspeitas indicam que o avião teria colidido com um poste próximo à cabeceira da pista e perdeu o controle. Imagens de câmeras de seguranças e por pessoas que estavam nas imediações mostram o instante do impacto após a decolagem, por volta das 10h30, seguido por uma intensa fumaça e chamas.
Apesar da queda, não houve registro de feridos em solo. Moradores das casas próximas foram retirados por precaução, devido ao risco de explosões. A concessionária de energia elétrica interrompeu o fornecimento na área porque alguns postes de luz foram atingidos.
O voo havia saído de São Paulo, com escala em Criciúma (SC) para abastecimento, e pousado em Capão da Canoa para embarque do casal Ortolani. O destino final seria o aeroporto de Itápolis (SP), próximo a Ibitinga (SP), onde ocorre uma das principais feiras do setor têxtil do país.
Empresários do ramo, Déborah e Luis Ortolani não tiveram filhos em comum. Ela era mãe de trigêmeos e ele, pai de um filho. O casal era associado à tradicional Feira do Bordado de Ibitinga, evento que movimenta o comércio nacional e atrai compradores de diversas regiões. Participavam da organização e da administração da feira, considerada estratégica para o setor.
Renan Saes, outra vítima, era sócio da Peluzzi Aviation, empresa que atua na compra, venda e consultoria de aeronaves — e à qual pertencia o monomotor acidentado. Pouco antes do acidente, ele havia publicado nas redes sociais uma imagem que indicava estar em voo.
Também na manhã de ontem, um helicóptero realizou um pouso forçado no mar da Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A aeronave, um modelo Robinson 44, prefixo PR-DEM, fazia um voo panorâmico quando apresentou problemas técnicos.
O piloto, identificado como o policial civil Adonis Lopes, conseguiu conduzir a descida de emergência próximo à arrebentação, entre os postos 3 e 4 da praia. Imagens registradas por banhistas mostraram os três ocupantes — o piloto e dois turistas estrangeiros — deixando a aeronave e nadando até a faixa de areia. Surfistas que estavam próximos auxiliaram no resgate, antes da chegada do Corpo de Bombeiros.
Apesar do susto, ninguém se feriu. Os ocupantes foram atendidos ainda na praia e liberados em seguida. Após o pouso, a aeronave afundou parcialmente, tocando o fundo raso e ficando tombada, deixando parte da estrutura inferior acima da linha d’água.
Segundo o sistema da Agência Nacional de Aviação Civil, o Robinson R-44 pertence à empresa Be Faster Servicos Aéreos Ltda., cujo nome comercial é Rio 2 Fly Taxi Aéreo. A aeronave foi fabricada em 2012 e adquirida pela empresa em fevereiro. Ainda de acordo com o sistema da Anac, o helicóptero não tinha autorização para táxi aéreo, ou seja, para transporte de passageiros.
Procurada pela reportagem, a empresa Rio 2 Fly ainda não havia se manifestado até o fdechamento desta edição. As causas da queda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira responsável por apurar ocorrências do tipo.

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