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Associações médicas alertam sobre risco de se usar medicamentos sem registro na Anvisa

Brasil
Saúde
Publicado em 12 de julho de 2026
Associações médicas alertam sobre risco de se usar medicamentos sem registro na Anvisa
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No Brasil, aumenta a circulação de versões alternativas de medicamentos à base de análogos de GLP-1 e GIP, como semaglutida e tirzepatida. Médicos explicam que, sem o aval da Anvisa, não há garantia de qualidade



Por Paloma Oliveto - Correio Braziliense

As três principais entidades médicas brasileiras dedicadas ao tratamento da obesidade, do diabetes e das doenças endócrinas divulgaram um alerta à população e aos profissionais de saúde sobre os riscos do uso de medicamentos injetáveis de origem alternativa.

Em nota conjunta, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) reforçam que pacientes devem utilizar exclusivamente medicamentos registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O posicionamento foi motivado pelo aumento da circulação, no Brasil, de versões alternativas de medicamentos à base de análogos de GLP-1 e GIP, como semaglutida e tirzepatida, frequentemente importadas do Paraguai sem autorização da Anvisa. Segundo as entidades, embora esses produtos possam ser legalmente comercializados naquele país, essa autorização não tem validade em território brasileiro. A nota destaca ainda que o comércio desses medicamentos movimenta milhões de dólares na fronteira entre os dois países e vem crescendo nos últimos meses.

As sociedades médicas afirmam que medicamentos biotecnológicos como semaglutida e tirzepatida exigem processos de fabricação altamente complexos, com rígido controle de qualidade para garantir identidade molecular, pureza, estabilidade, esterilidade e desempenho clínico. Como são administrados por via subcutânea, também dependem de condições adequadas de armazenamento e transporte. Esses requisitos, ressaltam as entidades, fazem parte do processo de avaliação conduzido por agências reguladoras como a Anvisa e a agência norte-americana FDA.

Segundo a nota, em um teste realizado pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp, uma das amostras analisadas apresentou concentração aproximadamente 60% superior à informada no rótulo. Na prática, isso significaria que um paciente que pretendesse aplicar uma dose de 10mm poderia receber cerca de 16mm do medicamento, aumentando potencialmente o risco de efeitos adversos. As entidades ressaltam ainda que a FDA já documentou casos envolvendo erros de dosagem, contaminação microbiológica e substituição por outras substâncias em versões alternativas desses produtos.

Além do alerta aos pacientes, o documento faz recomendações aos médicos. As entidades afirmam que a comercialização direta desses medicamentos em consultórios pode ser incompatível com o Código de Ética Médica e alertam que a prescrição de produtos não registrados na Anvisa pode configurar infração sanitária. A nota também lembra que a prescrição de medicamentos é ato privativo do médico e recomenda que profissionais denunciem situações em que medicamentos sejam prescritos por pessoas não habilitadas para esse fim.

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