

Os engradados com rótulos grosseiros que imitavam marcas conhecidas estavam em caminhão que vinha de São Paulo. Motorista foi detido
Mateus Parreiras - Estado de Minas
Uma carga de 12.096 garrafas de cerveja falsificada, avaliada em cerca de R$ 100 mil, foi apreendida pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) na madrugada deste sábado (18/4), em caminhão que vinha de São Paulo pela MG-050, em Passos, no Sul de Minas.
A apreensão ocorreu durante a operação Sentinela das estradas, da 8ª Companhia do Grupo Tático Rodoviário (GTR), e acontece em um momento de alerta para bebidas falsificadas depois de pelo menos 12 mortes em São Paulo.
A carga era destinada a uma distribuidora em Contagem, na Grande BH, e não possuía documentação fiscal. O valor estipulado é referente ao preço de mercado para revenda em distribuidoras. No entanto, não há como mensurar o custo para a saúde pública, considerando que produtos adulterados são frequentemente misturados a substâncias tóxicas para reduzir custos de produção.
O suspeito detido é um homem de idade não revelada, mas que contou sobre a origem e o destino da carga. Ele foi preso, e o caminhão e a carga, apreendidos.
A rodovia MG-050, onde o caminhão foi parado, é uma das principais veias logísticas que conectam o estado de São Paulo ao interior mineiro e à Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O trecho em Passos fica próximo a importantes polos comerciais e industriais, além de estar em uma rota visada por organizações criminosas para o escoamento de mercadorias ilícitas vindas de território paulista.
A capilaridade das estradas rurais e o volume de tráfego na rodovia facilitam a tentativa de transporte de cargas irregulares.
Em investigações correlatas conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), foi identificado que o crime organizado utiliza metanol na adulteração de bebidas alcoólicas — sobretudo destiladas.
O metanol é um tipo de álcool industrial perigoso, cujo uso em produtos de consumo humano é proibido devido à sua alta toxicidade, podendo causar cegueira e morte em curto prazo após a ingestão.
O volume da apreensão — mais de 12 mil garrafas — sugere uma operação de distribuição em atacado e não apenas comércio de varejo local. O fato de a carga vir de São Paulo com destino a uma distribuidora em Contagem, um dos maiores centros logísticos de Minas Gerais, aponta que o suspeito atuava como um elo na cadeia de transporte de uma rede maior, possivelmente ligada a laboratórios de falsificação em massa.
A ausência de documentos e os “indícios grosseiros” nas garrafas reforçam a tese de que o produto seria “batizado” ou rotulado como marcas regulares para enganar consumidores e donos de bares.
“Abordamos um caminhão carregado com cerveja, que vinha de São Paulo com destino a uma distribuidora de bebidas de Contagem (Grande BH). O motorista não possuía qualquer documentação a respeito da carga. E, ao realizar vistoria no veículo, verificamos que as garrafas possuíam indícios grosseiros de falsificação”, informou a PMMG por meio do Grupo Tático Rodoviário (GTR). O motorista foi conduzido à delegacia de plantão, e o veículo, removido para o pátio credenciado.
A apreensão ocorre em um cenário de crise na segurança sanitária nacional. Em fevereiro de 2026, o país registrou um alerta máximo após a confirmação de 12 mortes e 53 casos de intoxicação grave por bebidas adulteradas com metanol.
As autoridades de saúde e a Polícia Civil seguem investigando a conexão entre essas cargas desviadas e as fábricas clandestinas operadas por facções criminosas. A orientação atual para a população é redobrar o cuidado com a procedência e o preço excessivamente baixo de bebidas alcoólicas, denunciando qualquer suspeita de irregularidade aos órgãos competentes.

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