

Iniciativa voltada ao público masculino, com debates sobre família e vida espiritual, foi criticada por nomes da classe artística
Por Amanda S. Feitoza - Correio Braziliense
O ator Juliano Cazarré anunciou a criação do evento “O Farol e a Forja”, voltado exclusivamente ao público masculino, e gerou reações de artistas nas redes sociais. Previsto para os dias 24, 25 e 26 de julho, em São Paulo, o encontro foi apresentado como “o maior encontro de homens do Brasil” e inclui palestras sobre liderança, empreendedorismo, paternidade, saúde masculina e vida espiritual.
A iniciativa ocorre após o ator passar a adotar posicionamentos públicos mais conservadores, especialmente desde sua conversão ao catolicismo, em 2018. Segundo publicações de divulgação, o projeto surgiu como resposta ao que Cazarré classifica como um “enfraquecimento” da figura masculina na sociedade. Em um dos textos, ele é citado na terceira pessoa, com a afirmação de que “sabia que ia apanhar” ao lançar o evento.
A programação está dividida em três dias temáticos. O primeiro será dedicado à vida profissional e ao legado. O segundo abordará família, paternidade, alimentação e cultura. Já o terceiro será voltado à vida espiritual, com missas, orações e atividades descritas como “batalha espiritual”. Entre os nomes confirmados estão o psiquiatra Ítalo Marsili e o ator Nelson Freitas, além de outros participantes ligados a vertentes conservadoras e cristãs.
Após o anúncio, o evento passou a ser criticado por integrantes da classe artística. Nos comentários da publicação do ator, a atriz Marjorie Estiano afirmou que o discurso associado à proposta reproduz ideias já difundidas e que, segundo ela, têm impacto negativo. “Juliano, você não criou. Você só está reproduzindo em maior ou menor grau, na verdade, um discurso que já é ampla e profundamente difundido, enraizado e que mata mulheres todos os dia. Por favor, dá uma olhada para isso”, escreveu.
Claudia Abreu também se manifestou, mencionando o contexto de altos índices de feminicídio no país. “Num país com recorde de feminicídios…”, disse.
Já Elisa Lucinda classificou a iniciativa como um “grande e preocupante delírio” e criticou o posicionamento do ator: “Desculpa, meu colega Cazarré, mas não me parece razoável tamanho atraso no seu pensar. Você está indo na contramão dos avanços do mundo. E o pior? Em nome de um Jesus nada preconceituoso. Jesus era de esquerda”.
O ator Paulo Betti também se posicionou: “É tanto convencimento que ele se refere a si na terceira pessoa como se fosse uma entidade”, disse na publicação.
Nos conteúdos promocionais, Cazarré também menciona dados sobre ausência paterna e afirma que a sociedade enfrenta consequências relacionadas à falta de referências masculinas. Pai de seis filhos, ele é apresentado como exemplo do modelo de paternidade que defende.

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