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Dengue: especialistas alertam que epidemia em Caldas Novas pode chegar a Brasília

Cidade
Publicado em 16 de janeiro de 2026
Dengue: especialistas alertam que epidemia em Caldas Novas pode chegar a Brasília
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Prefeito do município goiano decretou estado de emergência devido à alta de casos de dengue no início de 2026. Veja quais são os sintomas e como se proteger

Por Correio Braziliense

Nos primeiros 12 dias de 2026, foram registrados 87 casos suspeitos de dengue em Caldas Novas (GO), município com mais de 100 mil habitantes. Por isso, na última terça-feira (13/1), o prefeito Kleber Marra decretou situação de calamidade pública devido à alta incidência de casos. Segundo o decreto publicado, houve ainda 36 notificações de casos de chikungunya. A arbovirose também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue.

Com registros de casos de dengue superiores ao mesmo período de anos anteriores, o governo local avalia que há início de uma severa epidemia, o que representa um grave risco à saúde pública. 

De acordo com o infectologista do Hospital Brasília, da Rede Américas Henrique Valle Lacerda, a epidemia registrada em Caldas Novas pode chegar a Brasília. “A dengue não respeita limites geográficos. Depende, principalmente, da presença do Aedes aegypti e da circulação do vírus em uma população suscetível. O deslocamento de pessoas infectadas, aliado a condições climáticas favoráveis e à existência de criadouros do mosquito, cria um cenário propício para a transmissão local”, explica o médico.

Para evitar que isso ocorra, segundo o especialista, é fundamental intensificar as ações de controle do vetor, com eliminação sistemática de água parada, fortalecimento da atuação dos agentes de saúde, vigilância epidemiológica ativa e adesão da população às medidas individuais de proteção. “É recomendado o uso regular de repelentes e a busca precoce por atendimento diante de sintomas suspeitos, além da vacinação nos grupos indicados, que ajuda a reduzir casos graves e a pressão sobre o sistema de saúde”, orienta Henrique Valle Lacerda.

A médica especialista em Família e Comunidade e integrante da plataforma de consultas INKI Liliana Leite afirma que a situação em Caldas Novas não é um evento isolado, mas sim, um reflexo de um cenário de “hiperendemização” no Brasil, onde circulam simultaneamente os quatro sorotipos do vírus.

“A possibilidade de chegar a Brasília fundamenta-se em três pilares principais observados nos estudos epidemiológicos mais recentes. A conectividade e mobilidade, uma vez que existe um gluxo intenso de pessoas entre o Sul de Goiás e o DF; o clima e o ambiente, já que Brasília compartilha as mesmas condições climáticas e a erosão de barreiras, uma vez que a urbanização acelerada criou um corredor contínuo para o vetor”, detalha Liliana. “Para impedir que a introdução do vírus se transforme em uma epidemia de grandes proporções no DF, a resposta precisa ser integrada e imediata, focando em retirar as condições que o mosquito precisa para se reproduzir”, alerta.

Situação no DF

Em 2024, ano marcado por uma epidemia em todo o país, o DF registrou 278 mil casos da doença e 440 mortes. Em 2025, os números caíram 96%, com aproximadamente 11 mil casos e um óbito. Este ano, um caso foi registrado até o momento, segundo dados da Secretaria de Saúde (SES-DF). De acordo com a pasta, a redução está associada ao trabalho contínuo de vigilância epidemiológica, monitoramento dos casos e ações da Vigilância Ambiental para o controle do mosquito transmissor.

Apesar da redução, a SES-DF informou que ampliou as ações de prevenção ao longo de todo o ano, especialmente após os altos índices registrados em 2024. De acordo com a pasta, o enfrentamento ao Aedes aegypti passou a atingir todas as fases de desenvolvimento do mosquito — do ovo ao inseto adulto — com reforço das visitas domiciliares, controle ambiental e uso de larvicidas em áreas de grande circulação. 

Ao todo, foram convocados 428 Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde e 432 Agentes Comunitários de Saúde, com visitas a mais de 1,8 milhão de casas. As ações incluem a aplicação de borrifação residual em imóveis estratégicos, a instalação de mais de 3,2 mil estações disseminadoras de larvicidas — que ampliam a autodisseminação do produto — e o uso de cerca de 3,8 mil ovitrampas para monitorar a presença do mosquito. No combate ao mosquito adulto, a SES-DF mantém ações de bloqueio químico por pulverização espacial e intervenções preventivas em pontos considerados críticos.

A Secretaria informou que utiliza drones no mapeamento aéreo de áreas prioritárias, o que permitiu a análise de mais de 2,1 mil hectares em 22 regiões administrativas e a identificação de milhares de possíveis focos. Outra frente destacada é o uso do método Wolbachia, com a liberação de mosquitos infectados pela bactéria que impede o desenvolvimento de vírus como os da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela, em 10 regiões administrativas com histórico de alta transmissão.

Com relação à vacinação, o imunizante contra a dengue segue disponível nas Unidades Básicas de Saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em esquema de duas doses com intervalo de 90 dias, sem previsão de ampliação da faixa etária. 

Sintomas

  • Febre alta
  • Enjoo
  • Dor nas articulações
  • Dor de cabeça e/ou atrás dos olhos
  • Moleza
  • Manchas vermelhas pelo corpo 

Sinais mais graves

  • Dor na barriga intensa
  • Vômitos frequentes
  • Tontura ou sensação de desmaio
  • Dificuldade de respirar
  • Sangramento no nariz, gengivas e fezes
  • Cansaço e/ou irritabilidade

Como se proteger

  • Uso de telas nas janelas e repelentes em áreas de reconhecida transmissão;
  • Remoção de recipientes que possam se transformar em criadouros de mosquitos;
  • Vedação dos reservatórios e caixas de água;
  • Desobstrução de calhas, lajes e ralos;
  • Participação na fiscalização das ações de prevenção e controle da dengue executadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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