

No ‘Roda Viva’, Felipe Bressanim contou que cortou uma cena do vídeo “Adultização”, comentou o impacto que levou ào ECA Digital e afirmou que não pretende entrar para a política
Por Bianca Lucca – Correio Braziliense
Durante participação no Roda Viva na segunda-feira (23/3), Felipe Bressanim, o Felca, trouxe novos elementos sobre o vídeo “Adultização”, responsável por gerar amplo debate público e inspirar a Lei nº 15.211/2025, apelidada de Lei Felca ou Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. Entre os pontos revelados, está uma cena que acabou não sendo incluída na versão final da produção.
Ao revisitar o conteúdo, o influenciador contou que optou por deixar de fora uma gravação com um menino de aproximadamente 9 ou 10 anos.
Segundo ele, a criança aparecia com aparência e comportamento associados ao universo adulto, promovendo apostas on-line. “Ele usava cordões de ouro. Ele estava vestido igual adulto e ele estava anunciando tigrinho, anunciando bets. E eu olhei: ‘Poxa, será que a criança tem a pulsão que o adulto tem de obtenção do dinheiro?’. A adultização acontece com meninos, muitos, não é só com meninas”, relatou.
A partir dessa observação, Felca aprofundou a crítica ao ambiente digital, destacando como crianças assimilam padrões por repetição e referência: “Eu olhei aquilo e falei: ‘Poxa, será que a criança de 10 anos tem a pulsão que o adulto tem de obtenção de dinheiro?’ Ela não tem isso, alguém ensinou para ela isso. Então, o que eu vejo hoje é que as crianças estão aprendendo isso de algum lugar, estão olhando referências e se baseando nelas, porque a criança segue pela observação. É muito delicado a gente falar como trabalhar nisso, porque eu sinto que é um problema muito presente, do menino se tornando cada vez mais ‘machão’.”
Felca ainda conectou esse processo a consequências mais amplas na sociedade, especialmente na construção de masculinidades. “Vai gerando um ciclo de deformação até a gente chegar em um lugar onde, por exemplo, os casos de feminicídio aumentam. Então, eu acredito realmente que precisamos de mais figuras masculinas que não tenham masculinidade frágil, porque isso acaba sendo uma referência para a criançada. E eu recomendo aos pais que não permitam que a criança consuma influenciadores que trazem esse modo de ver a vida”, acrescentou.
O influenciador também afirmou que não previa a dimensão que o vídeo alcançaria nem seus desdobramentos legislativos. “Eu nunca imaginava o que iria surgir. Eu achei que as redes sociais iriam excluir o vídeo, achei que seria pagado”, disse, ressaltando que o conteúdo não foi monetizado.
Apesar da repercussão e do impacto político indireto, Felca rejeitou qualquer possibilidade de candidatura. “Eu nunca seria um político. Eu consigo gerar mais impacto nas pessoas, no coração das pessoas, com uma câmera, um microfone, na minha casa, com meu roteiro, com meus editores”, afirmou.
A legislação que surgiu após o debate amplia para o ambiente digital proteções já previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Entre as medidas estão mecanismos mais rígidos de verificação etária, reforço na supervisão dos responsáveis e facilitação na remoção de conteúdos inadequados. O texto foi aprovado na Câmara em agosto de 2025, em tramitação acelerada no Congresso, e teve sua vigência antecipada em seis meses diante da urgência do tema.

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