

A nova composição começará a valer em 1º de agosto por um período inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses
Por Fernanda Strickland - Correio Braziliense
A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, criando o chamado E32, reacendeu o debate sobre os efeitos da medida para o bolso dos consumidores e para a economia brasileira. A nova composição começará a valer em 1º de agosto por um período inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses.
Segundo o governo federal, o aumento da participação do biocombustível tem como objetivo reduzir a dependência de gasolina importada, ampliar o consumo de etanol produzido no país e fortalecer a segurança energética nacional. A expectativa é de que a medida diminua a necessidade de importação em cerca de 500 milhões de litros de gasolina por mês.
Para o diretor executivo da Mix Fiscal e especialista em direito tributário pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Fabrício Tonegutti, a mudança tende a beneficiar principalmente o setor sucroenergético e parte do agronegócio, ao ampliar a demanda pelo etanol brasileiro. “Do ponto de vista do governo, a ideia é usar mais etanol produzido no Brasil e menos gasolina importada. Para o setor sucroalcooleiro e para parte do agro, é uma boa notícia. Aumenta a demanda por etanol, gera mercado e reduz dependência externa”, afirma.
Apesar dos potenciais ganhos para a produção nacional, Tonegutti destaca que o principal questionamento dos consumidores é se a medida efetivamente resultará em economia no abastecimento.
A atual mistura de 30% foi viabilizada pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que elevou para 35% o limite máximo de etanol na gasolina. Para a adoção do E30, o governo realizou uma série de testes ao longo de 2025 para comprovar a viabilidade técnica da mudança. Segundo o especialista, o novo aumento para 32% não passará pelo mesmo processo de avaliação.
Rendimento do veículo
Ele alerta que, embora não seja possível afirmar que haverá danos generalizados aos veículos, a maior concentração de etanol pode afetar o desempenho de alguns motores. “Mais etanol na gasolina significa menor poder energético por litro. Então o carro pode rodar um pouco menos com a mesma quantidade de combustível. A preocupação é maior em motos, carros antigos, importados e veículos que não foram projetados para uma mistura tão alta”, explica.
Nesse cenário, Tonegutti recomenda que o consumidor avalie não apenas o preço do combustível na bomba, mas também o rendimento do veículo. “Se o litro cai, mas o carro rende menos, o ganho pode desaparecer. A conta correta é observar o custo por quilômetro rodado”, ressalta.
O especialista avalia ainda que o ambiente econômico apresenta alguns fatores favoráveis, como a trajetória de queda da taxa Selic e o comportamento mais moderado dos preços internacionais do petróleo. Ainda assim, ele pondera que os efeitos positivos só serão percebidos caso se traduzam em redução do custo do crédito, menor pressão inflacionária e ganhos efetivos para o orçamento das famílias.

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