

Criança de um mês de idade sofreu uma parada cardiorrespiratória e teve morte declarada. Horas depois, funcionária da funerária percebeu que ela ainda respirava
Por Maria Dulce Miranda - Estado de Minas
O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, de apenas um mês, foi declarado morto depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória, na Santa Casa de Rio Claro (SP), hospital onde estava internado. No entanto, duas horas depois, uma agente funerária foi buscar o corpo e notou que o bebê apresentava sinais vitais.
A funcionária, Regina Célia Paschoal, contou que estranhou pequenos movimentos dentro do saco funerário e decidiu verificar o bebê antes de levá-lo. “Abri, e o neném começou a se mexer mais ainda, fazia um barulho, que ele queria respirar”, relatou em entrevista à EPTV.
Após o alerta, a equipe médica reavaliou Noah e confirmou que ele apresentava novamente sinais vitais. O bebê foi imediatamente readmitido na UTI Neonatal e, dias depois, transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da USP, em Bauru, onde segue em tratamento para uma fenda palatina.
Em 17 anos de profissão, Regina afirmou nunca ter presenciado uma situação semelhante. “Foi um susto, foi uma emoção grande de ver que a gente foi buscar um morto e estava vivo”, disse.
Apesar da repercussão do caso, a mãe de Noah, Letícia Cristina da Cruz Santos, ressaltou que não acredita que tenha havido negligência por parte da equipe médica da Santa Casa de Rio Claro. Segundo ela, os pais acompanharam de perto as tentativas de reanimação e viram o filho sem vida antes de deixarem o hospital.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Letícia contou que ainda tenta processar o que aconteceu. “Às vezes eu acho que a gente está sonhando. Eu estava conversando com meu esposo agora há pouco, olhando para ele ali se mexendo, batendo as perninhas, de olhos abertos. A gente fica maravilhado”, declarou ao g1.
A mãe também fez questão de elogiar o atendimento recebido durante a internação e disse ter visto o esforço da equipe para salvar o bebê. “Eu vi, inclusive, a hora do acontecido, como a doutora ficou, o quanto ela lutou para tentar reanimar ele”, declarou.
Para a família, o retorno dos sinais vitais representa um milagre. “Nós estamos contemplando a grandeza de Deus e admirando nosso guerreiro que continua lutando para ficar bem. Cremos no nosso milagre por completo. Milagre não se explica, se vive”, disse Letícia.
A Santa Casa de Rio Claro afirmou que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos e que a equipe médica seguiu as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria durante o atendimento a Noah. Segundo o hospital, as manobras de reanimação cardiopulmonar foram realizadas imediatamente após a parada cardiorrespiratória e se estenderam por aproximadamente 45 minutos, mas o bebê não apresentou resposta clínica.
A instituição informou ainda que, após a declaração do óbito, Noah permaneceu cerca de uma hora na UTI Neonatal para os procedimentos legais e para que os pais pudessem permanecer com ele. Em seguida, o corpo foi encaminhado para outro setor, onde aguardava a chegada da funerária escolhida pela família. Foi nesse intervalo que a agente funerária percebeu sinais vitais e acionou novamente a equipe médica.
Ainda segundo a Santa Casa, não foi identificada qualquer falha assistencial ou procedimento que devesse ser revisto diante das evidências existentes no momento em que a morte foi constatada. O hospital ressaltou que o protocolo brasileiro para declaração de óbito é reconhecido pelo elevado rigor técnico e destacou que a médica responsável pelo atendimento possui 14 anos de experiência em neonatologia.
A nota destaca ainda que a instituição respeita as diferentes interpretações sobre o episódio e reconhece o impacto causado entre familiares e profissionais de saúde. Ao fim, o hospital reafirma seu compromisso com a ciência, a ética e a transparência, mas classifica o ocorrido como “um acontecimento extraordinário” que marcou profundamente todos os envolvidos.

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