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Na disputa com Wagner Moura: veja histórico e chances dos melhores atores

Cinema
TV e Famosos
Publicado em 9 de fevereiro de 2026
Na disputa com Wagner Moura: veja histórico e chances dos melhores atores
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Ao lado do brasileiro Wagner Moura, premiado pelo Globo de Ouro e pelo Festival de Cannes, um quarteto de ilimitado talento dará as cartas na noite do Oscar, dentro de um mês


Por Ricardo Daehn - Correio Braziliense

Num podcast da internacional Variety, o ator Wagner Moura, candidato ao Oscar, celebrou a tradição do cinema político no Brasil, aliada à singularidade do diretor Kleber Mendonça Filho. “O agente secreto é um dos melhores textos (roteiro) que já li. Kleber é o motivo do sucesso deste filme”, comentou ele que pelo triplo papel (Armando, Marcelo e Fernando), conquistou prêmio no Festival de Cannes e ainda o Globo de Ouro.

O personagem vitimado pela ditadura dos anos de 1970 trouxe outros destaques como o segundo lugar da votação do New York Film Critics Circle Association e vitórias nos festivais de Chicago e Newport Beach e ainda no circuito de críticos londrinos, além de indicação ao Satellite Awards (Los Angeles). Recentemente, a influente Variety posicionou o brasileiro como o último na lista de preferidos para o Oscar. 

O ator de filmes de José Padilha, Cacá Diegues, Jorge Furtado e Karim Aïnouz tem levado ideais do Brasil mundo afora, numa plataforma de disputa, no Oscar, ao lado de pesos-pesados como Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet.

Junto à emblemática aliança com o time de futebol Vitória — “É incrível como meu dia pode ser arruinado quando meu time perde”, já destacou —, Wagner aproveita ocasiões, nas vitrines de mídia, para tratar das bases do cinema nacional. “Filmes como Roma, cidade aberta ou Rocco e seus irmãos trouxeram maneira de retratar pessoas da classe trabalhadora, muitas vezes com atores não profissionais, com grande influência na forma como os brasileiros fazem cinema”, pontuou.

Nas declarações mais recentes, o ator (diretor de Marighella) confirmou ter visto o lançamento daquele drama político sabotado, contou que tem sido desaconselhado a criticar Trump, mas enfatizou o desgosto de ver “a forma como esses autocratas estão desacreditando jornalistas, (nos tempo em que) pessoas têm obtido informações (duvidosas) das redes sociais”, computando os sustos com as circunstâncias.

Afora Wagner, na categoria de melhor ator, o Oscar traz indicados que se amparam em parcerias consistentes, como confirmam Michael B. Jordan, aos 38 anos, na quinta colaboração com o diretor Ryan Coogler, e ainda Ethan Hawke, pela nona vez dirigido por Richard Linklater. O ano de 2026 ainda posiciona dois candidatos a melhor interpretação no posto de produtores: junto com quatro colegas, Timothée Chalamet assina o filme Marty Supreme, enquanto Wagner, no filme produzido por Emilie Lesclaux, entra como coprodutor. Confira os personagens e atores na fila para vencer a cobiçada estatueta.

Esperança nacional

Ator de potente da fita de Walter Salles (Abril despedaçado, de 2001), e ainda de peças como A máquina (2000), Hamlet (2008) e Um julgamento — Depois do inimigo do povo (2025), Wagner Moura, com intenso vínculo com a realidade, enaltece que o momento e o cenário atuais não comungam com “a realidade”. Com os pés no chão, ele foca na futura direção de Last night at the Lobster, sobre um restaurante decadente, e já anuncia, no exterior, a parceria com o argentino Lisandro Alonso para uma refeitura de O gosto da cereja (realizado em 1997 por Abbas Kiarostami), a ser rodada em português.

Aos 49 anos, sob os holofotes de Los Angeles (em que vive com a esposa Sandra Delgado e três filhos), Wagner não se furta de estabelecer críticas ao sistema de premiação do Oscar, para a categoria de melhor produção internacional, em que O agente secreto disputa. A norma da Academia (que vota o prêmio) estaria desatualizada, ao não fortalecer o nome do criador da obra, frente à elevação do país produtor do filme.

Artista que levou mais de 11 milhões de espectadores para conferir Tropa de Elite: O inimigo agora é outro, Wagner sabe do valor de premiações como a do Urso de Ouro no Festival de Berlim, por Tropa de Elite (2007). Mensagens positivas (e radicais) estiveram na ficção-científica Elysium (2013) e em Guerra civil (2014), de Alex Garland, a contento do seu olhar.

Reconhecido pelas indicações ao Globo de Ouro pela série Narcos e ao Critics Choice, pela série Ladrões de drogas, Wagner goza de amplo reconhecimento por incursões no VoD, com Wasp Network: Rede de Espiões, de Olivier Assayas. Com a estrutura a seu favor, Wagner aproveita a visibilidade com ganhos como o da repercussão de suas falas sobre retidão de caráter e crenças no apego a ideais e correção a serem compartilhadas com os filhos, “independentemente dos resultados (disso, leia-se o Oscar) na carreira”.

 Filme. Marty Supreme concorre em oito prêmios no Critics Choice Awards, incluindo Melhor Filme, e três categorias no Globo de Ouro, são elas: Melhor Filme (Comédia), Melhor Ator (Comédia) para Timothée Chalamet e Melhor Roteiro. O longa conta com distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, e estreia em 22 de janeiro, com sessões antecipadas a partir do dia 8.
Timothée Chalamet em Marty Supreme: um dos favoritos ao Oscar(foto: Diamond Films/Divulgação)

O moço da vez 

Na pele do inclassificável Marty Mauser, em Marty Supreme, Timothée Chalamet, aos 30 anos, se qualifica como verdadeiro astro de cinema. É a terceira indicação ao Oscar, desde 2018, numa escalada que inclui Me chame pelo seu nome e Um completo desconhecido (no qual dá vida a Bob Dylan). Passada em 1952, a trama do longa de Josh Safdie revela um protagonista com tino empresarial e desespero por alcançar o reconhecimento.

A vida estaria imitando a arte? “Quando você vai a uma premiação (da indústria do cinema), todo mundo está participando de uma propaganda uns junto aos outros — no melhor sentido da palavra”, já revelou para a imprensa internacional. Para além do corpo a corpo, na disputa direta com Wagner Moura, Timothée compete, em mesas de ping-pong, com oponentes do personagem central, baseado, em parte, num verídico Marty Reisman. Carismático e pedante, ele goza da inconsequência própria da idade.

Um outro flanco de disputa ainda está configurado, no Oscar 2026: pela primeira vez, entra em quadro a disputa por melhor casting, em que Marty Supreme embate contra Hamnet e, sim, O agente secreto. Cortesia de Chalamet e dos expressivos colegas de cena Koto Kawaguchi, Odessa A´zion, Luke Manley, Gwyneth Paltrow, Abel Ferrara e Kevin O’Leary.

Um real astro 

Ao tratar de bastidores de cinema, quando falamos que Bob encontra Leo, se pode pensar imediatamente numa fita comanda por Scorsese junto aos atores fetiches dele, Robert De Niro e Leonardo DiCaprio.

Mas, no Oscar 2026, Bob é o protagonista de Uma batalha após a outra que rendeu a Leonardo (vencedor da estatueta, por O regresso) a sétima indicação ao posto de melhor ator. Ao reagir ao feito, ele cunhou: “Paul Thomas Anderson (o diretor) fez um daqueles filmes dos quais, futuramente, seguirei me orgulhando”. Indicado a 13 prêmios, o longa expõe a demência dos governos de poder ilimitado, as armas dos autocratas que liquidam “haters” e melhor, a reação radical de parte do povo.

“O diretor mediu, com este filme, o pulso (coletivo) da América, neste momento”, declarou DiCaprio para a Deadline. Aos 51 anos, DiCaprio ressalta o engajamento coletivo do elenco, com coadjuvantes de ouro como Sean Penn, Benício del Toro e Teyana Taylor. Ele se disse afortunado por estar acompanhado por ícones da indústria que admira há anos e cuja união “rendeu experiência incrível”.

Um dos produtores de O lobo de Wall Street (2011), pelo qual concorreu a melhor longa, DiCaprio, há quase 30 anos vencedor do Festival de Berlim, por Romeu + Julieta, por enquanto, de potente, com novo filme só alcançou o reconhecimento da National Board of Review. Na extensa lista de indicações ao Oscar de DiCaprio figuram O aviador, Diamantes de sangue, O lobo de Wall Street e Era uma vez em… Hollywood, além de Gilbert Grape: Aprendiz de sonhador, de 1993, época em que ainda era coadjuvante.

 Cine Brasília encerra 2025 com duas mostras especiais de curadoria da casa. Pecadores
Michael B. Jordan em Pecadores: ator em dose dupla(foto: Warner Bros Pictures/Divulgação)

Agente duplo 

Só Nicolas Cage e Lee Marvin (ganhador do Oscar, há 60 anos) disputaram o Oscar pela mesma façanha do ator e empresário Michael B. Jordan, em Pecadores: o duplo papel de gêmeos. “Acho que (as indicações) vão abrir portas para que eles (colegas negros) consigam mais apoio para seus grandes projetos”, declarou, para a publicação Ebony, o astro de excepcionais bilheterias (Pantera Negra: Wakanda para sempre; Pantera Negra e Space Jam) e franquias rentáveis como Creed (ele dirigirá o quarto exemplar) e Eu sou a lenda (ainda em projeto). 

Faísca e Fuligem, os irmãos de Pecadores, ajudaram a recondicionar o apelo de vampiros junto ao Oscar (na pele do ator Max Schreck, Willem Dafoe foi quem mais chegou perto da estatueta, por A sombra do vampiro). Muito premiado por Fruitvale Station: A última parada, em 2014, o ator mantém, à parte da carreira, um programa (Outlier Society Fellowship, voltado ao ingresso de pessoas nas artes) e atua na HBCU Legacy Classic (voltada a projetar jogadores de basquete negros).

 Ethan Hawke em Blue Moon
Ethan Hawke em Blue Moon(foto: Sony Pictures Classics)

Acidez nostálgica

Pela juventude, Ethan Hawke é conhecido pela atuação no terror O telefone preto, e, aos 55 anos, indicado ao Oscar, por Blue Moon, ele vê o “significativo” avanço, como disse para a Collider: “Dediquei minha vida a fazer filmes e a encenar, e adoro isso”. Depois de atuar em filmes de Peter Weir, Sidney Lumet, Alfonso Cuarón e Robert Eggers, eternamente lembrado por A sociedade dos poetas mortos (1989), se destaca no Oscar, pela terceira indicação, no campo da interpretação (Dia de treinamento e Boyhood renderam na categoria coadjuvante), lembrando que ainda concorreu (em 2004 e 2013, pelos roteiros de fitas românticas feitas com Linklater e a colega Julie Delpy).

Na pele de Lorenz Hart, letrista de hits nostálgicos de Frank Sinatra (The lady is a tramp e My funny valentine), Hawke, mergulhado na atmosfera de um bar, se vê inebriado de amor pela pupila Elizabeth (papel de Margaret Qualley) e brada a necessidade de “cuidado” com histórias de amor.

Intimidado pela musa, ele se prova babão e, igualmente, afiado, cínico, malicioso e falastrão, além de voyeur dos sucessos alheios, além de ciumento com a nova parceria entre Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers, este último, autor da Broadway, afastado dele). Nas telas, Hawke viveu a lend do jazz Chet Baker, em Born to be blue (2015). Por Blue moon, em recente votação, venceu Wagner Moura, em competição da National Society of Film Critics Awards. Nas bolsas de apostas, o nome dele é respeitável.

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