

Alvos da operação eram o rapper Oruam, a mãe e o irmão — todos ligados ao traficante Marcinho VP. Os três integrariam um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, e seriam ponte da facção entre quem está detido e os que estão soltos
Por Caetano Yamamoto* - Correio Braziliense
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro tentou prender, ontem, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno — o rapper Oruam —; a mãe, Márcia Gama; e o irmão, Lucca Nepomuceno, por movimentação e lavagem de dinheiro do Comando Vermelho.
Os três são parentes de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos chefes da facção, alvo de um mandado de prisão preventiva por seguir gerenciando o CV de dentro do presídio.
Oruam, Márcia e Lucca são considerados foragidos da Justiça. Segundo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que esteve à frente da operação, o objetivo era desarticular o braço financeiro da facção, responsável pela movimentação e ocultação de dinheiro do tráfico de drogas.
As investigações trouxeram à tona um sistema estruturado de recebimento, pulverização e reinserção de valores ilícitos na economia formal. Os dinheiro era repassado por chefes do CV a operadores financeiros, que redividiam os valores por meio de contas de terceiros e os usavam para pagar despesas, adquirir bens e ocultar patrimônio.
Também foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de Oruam, Márcia e Lucca, o que, segundo a investigação, evidenciaria a origem ilícita dos recursos. A apuração apontou, ainda, uma atuação coordenada para dificultar o rastreamento do dinheiro.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos, possíveis empresas utilizadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos dos recursos ilícitos. A ação faz parte da Operação Contenção, que tenta conter o avanço territorial da facção. Além dos mandados de prisão — o único detido foi Carlos Alexandre Martins da Silva, que, de acordo com os agentes, seria o operador financeiro da mãe de Oruam —, os agentes cumpriram buscas e apreensões em endereços em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.
Segundo as apurações, um diálogo interceptado entre Carlos Costa Neves — o Gardenal, um dos chefes do CV — e um miliciano, mostra que Marcinho VP é quem dá as cartas dentro da facção. O traficante tem 54 anos e está preso desde os 26.
Marcinho VP está preso no sistema carcerário federal. Em outubro de 2023, quando ainda estava no Presídio Federal de Catanduvas (PR), teria dado ordens para a troca de comando da facção no Rio, o que é negado pela defesa do traficante.
Ele acumula penas de mais de 60 anos de prisão, uma delas por ter ordenado, de dentro do presídio Bangu 1, a morte e o esquartejamento de dois traficantes de uma facção rival. Também foi investigado pela suspeita de mandar matar o traficante Márcio Amaro de Oliveira, conhecido também como Marcinho VP e então chefe do tráfico do morro Dona Marta, na Zona Sul carioca.
Já Oruam, de 26 anos, está foragido desde fevereiro, quando teve um mandado de prisão preventiva expedido contra ele e não foi encontrado — o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou a liminar que o mantinha em liberdade. Ao analisar o caso, o ministro Joel Ilan Paciornik apontou descumprimento reiterado das medidas cautelares impostas ao cantor, especialmente em relação ao uso da tornozeleira eletrônica.
No caso de Márcia Gama, ela está foragida desde março e é considerada um dos principais elos de comunicação da facção entre o sistema prisional e os integrantes que estão fora dos presídios.
*Estagiário sob a supervisão de Fabio Grecchi

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