

Mariangela Hungria, da Embrapa, é responsável por criação de microorganismos que auxiliam plantas na absorção de nitrogênio; Luciano Moreira, da Fiocruz, usou bactéria para combater vírus da dengue
Por Gabriel Botelho - Correio Braziliense
A revista norte-americana Time incluiu dois cientistas brasileiros na lista de 100 pessoas mais influentes do mundo, algo inédito. A seleção é feita todos os anos pela publicação criada em 1923.
Ambos os profissionais que representam o Brasil trabalham com bactérias benéficas. Mariangela Hungria, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ganhou prestígio por ter desenvolvido micro-organismos que auxiliam plantas na absorção de nitrogênio. Dessa forma, foi possível melhorar a produtividade da agricultura.
Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é reconhecido como criador do projeto responsável por usar uma bactéria no processo de combate contra o vírus da dengue.
De acordo com a publicação, Mariangela gerou forte impacto positivo no agronegócio do Brasil. A descoberta, inclusive, já ajuda produtores de outros países. É possível aumentar a produtividade e reduzir a utilizações de insumos que poluem os lençóis freáticos.
“Hoje, graças ao seu trabalho, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos”, afirmou a revista. “Suas inovações científicas, utilizadas no mundo todo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono”.
Luciano Moreira, enquanto isso, contribui com o controle da dengue. A criação de uma fábrica em Curitiba (PR) para produzir mosquitos Aedes aegypti infectados com uma bactéria, chamada Wolbachia, é apontada como importante no processo de lutar contra o vírus. Os insetos com Wolbachia se proliferam e competem com os mosquitos “livres”, que já estavam na natureza. Ao se reproduzirem com os infectados, passam o micróbio adiante.
“Por mais de duas décadas, Luciano Moreira desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento e na implementação em larga escala do método Wolbachia do Programa Mundial de Mosquitos, que consiste na criação de mosquitos incapazes de transmitir doenças mortais como a dengue”, afirmou a Time no texto que justifica sua escola. “Ele conduziu o projeto desde a descoberta científica até o seu impacto duradouro na saúde pública no Brasil, um dos países mais afetados por doenças transmitidas por mosquitos”, destaca a publicação.

© ClubeFM 2021 - Todos os direitos reservados