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Análise: "A fazenda 18" traz um elenco melhor, mas ainda reciclado

Rodrigo Carelli continua preso aos seus velhos truques, como o de escalar gente anônima que ganhou notoriedade viral instantânea. É como se o diretor, depois de tantas temporadas, soubesse exatamente onde procurar um peão

Análise: "A fazenda 18" traz um elenco melhor, mas ainda reciclado
Adriane Galisteu comanda "A fazenda 18" - (crédito: Divulgação)

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Por Patrick Selvatti

A estreia de A fazenda 18, na última semana, tem um mérito que parecia em falta nas últimas edições do reality da Record: finalmente há a impressão de que alguns participantes são famosos por alguma coisa que fizeram antes de entrar no confinamento.

Os atores Sérgio "Cabeção da Malhação" Hondjakoff, Jônatas Faro, Daniel Erthal e Giovanna Gold e os cantores Adryana Ribeiro (da Rapaziada) e Thaíde, entre outros, carregam trajetórias próprias, memória televisiva e alguma história para contar.

É uma diferença importante em um gênero que, nos últimos anos, parece ter confundido celebridade com número de seguidores.

Porém, Rodrigo Carelli continua preso aos seus velhos truques, como o de escalar gente anônima que ganhou notoriedade viral instantânea, o caso do influenciador que supostamente teria visto ovnis e da garota mordida por um tubarão.

A escalação de ex-participantes de outros realities — como De férias com ex, Casamento às cegas, Soltos em Floripa e BBB, incluindo um desistente do último e famigerado quarto branco — também revela uma espécie de preguiça criativa.

É como se o diretor, depois de tantas temporadas, soubesse exatamente onde procurar um peão: basta abrir o arquivo de ex-confinados disponíveis e escolher quem ainda tem alguma conta a acertar diante das câmeras.


O mesmo vale para a insistência em parentes e ex de celebridades. A escalação da mãe da Lexa, da filha de Solange Gomes e do ex da Mara Maravilha também evidencia essa fórmula cada vez mais recorrente: se não temos a celebridade, levamos alguém que está a um grau de separação dela. É o famoso "quem não tem cão caça com parente".

A fazenda funciona melhor quando junta pessoas conhecidas de universos diferentes e permite que o confinamento revele o que a televisão aberta, a música ou as redes sociais não mostraram. Quando recorre demais ao reciclável, transforma o elenco em almoxarifado de reality show.

Sob o comando de Adriane Galisteu, a 18ª edição parece ter entendido isso parcialmente. Há mais celebridade e menos anonimato fabricado. Há nomes que despertam curiosidade antes mesmo de qualquer barraco. É um bom começo, mas Carelli ainda precisa descobrir uma coisa bastante simples: reality não precisa de gente que já sabe jogar reality.

Precisa de gente que tenha alguma coisa para revelar. E, de preferência, que não tenha sido escalada apenas porque namorou, pariu, brigou ou supostamente teve um affair com alguém famoso — como é o caso da suposta ex de Neymar e Vini Jr, cujo nome eu ainda nem consegui guardar.

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