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Cade arquiva processo contra iFood movido por empresa de delivery do Magalu

Tribunal entendeu que faltam evidências suficientes para apontar medidas anticoncorrenciais

Cade arquiva processo contra iFood movido por empresa de delivery do Magalu
A iFood já acionou a chinesa Keeta recentemente no Cade alegando prática de preços predatórios - (crédito: Reprodução)

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Por Raphael Pati

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) arquivou, nesta quinta-feira (22/10), um procedimento administrativo instaurado contra o iFood a partir de uma representação apresentada pela aiqfome, serviço de entregas do Magazine Luiza.

A empresa alega que a concorrente dificultaria a expansão de outras marcas em municípios do interior do Brasil com o uso de contratos de exclusividade.

A aiqfome alegou, no pedido de análise, que esses contratos burlariam o Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado pelo Cade com o iFood em 2023.

As regras preveem limites para a adoção dessas cláusulas em todo o território nacional, o que inclui teto de 25% do GMV (Volume Bruto de Mercadorias, na sigla em inglês), além de um máximo de 8% em cidades com mais de 500 mil habitantes e duração máxima de 24 meses.

A denúncia foi feita ainda em fevereiro de 2026, mas a análise ocorreu apenas meses depois. Segundo a aiqfome, o acordo firmado entre o Cade e o iFood há três anos deixou de fora do alcance das medidas as cidades médias e pequenas, já que as restrições aos contratos de exclusividade passaram a valer apenas para municípios com mais de 500 mil habitantes e redes de restaurantes com, no mínimo, 30 unidades.

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Líder em entregas no interior, o app da Aiqfome funciona desde 2007 e é o pioneiro no mercado de delivery brasileiro
(foto: Divulgação/aiqfome)

Segundo o Cade, no entanto, houve falta de evidências de fechamento de mercado ou de estratégia coordenada do iFood para contornar o acordo no material apresentado pela concorrente. Na análise, o conselho aponta que, em um mercado geograficamente pulverizado e com alto custo de gestão de exclusividades, seria pouco plausível que o iFood adotasse essa estratégia.


Para o iFood, a decisão do Cade reforça o entendimento de que seus contratos de exclusividade são legais, regulados e monitorados pelo órgão de defesa econômica, além de estarem dentro das regras do TCC. “O modelo segue aberto à concorrência e pode ajudar restaurantes a crescer e prosperar, com o Cade garantindo um mercado competitivo, justo e sustentável”, destaca o iFood, em nota.

Por outro lado, a aiqfome lamenta o arquivamento da representação e destaca que é necessário aprofundar a análise sobre a concentração do mercado de delivery e seus impactos na concorrência, especialmente no interior do país. Ao Correio, o CEO da empresa, Igor Remigio, disse que seguirá acompanhando o tema e avaliando as medidas cabíveis.


“Respeitamos o papel institucional do Cade, mas consideramos fundamental que as particularidades desses mercados sejam examinadas com a devida atenção, diante dos desafios para a atuação de plataformas concorrentes e para a manutenção de um ambiente competitivo equilibrado”, defende a empresa.


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