Clássico atemporal da teledramaturgia, "Roque Santeiro" retorna à TV Globo
Quarenta anos após exibição original, clássico de Dias Gomes volta nas tardes da emissora em 5 de outubro

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por Patrick Selvatti
Um dos maiores fenômenos da história da teledramaturgia brasileira, Roque Santeiro será o próximo título do Edição Especial.
A icônica novela de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, exibida originalmente em 1985, retorna à tela da TV Globo a partir de 5 de outubro, depois de marcar diferentes gerações desde sua exibição original e de conquistar novos públicos em sua passagem pelo Vale a pena ver de novo no ano 2000.
Ambientada na fictícia Asa Branca, a trama gira em torno de Roque Santeiro (José Wilker), artesão de santos que teria morrido ao defender a cidade do temido bandido Navalhada. Transformado em mártir e santo popular pelos moradores, Roque passa a ser venerado como responsável por milagres e curas atribuídos à sua intercessão.
A fama do herói movimenta a economia local, atrai romeiros e fortalece interesses políticos, religiosos e comerciais que passam a depender diretamente da manutenção de sua lenda. Inclusive, uma equipe de cinema invade a cidade para filmar a história, tendo o galã Roberto Matias (Fábio Jr) como intérprete do mito.
Mas tudo muda quando Roque retorna a Asa Branca, vivo, 17 anos depois de ter sido dado como morto. Sua reaparição ameaça desmontar uma estrutura de poder construída em torno do mito do santo, colocando em xeque figuras influentes da cidade, como o poderoso fazendeiro Sinhozinho Malta (Lima Duarte), o padre Hipólito (Paulo Gracindo), o prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura) e o comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus), que lucra com a venda de objetos ligados à devoção do suposto mártir.
No centro da narrativa, está a Viúva Porcina (Regina Duarte), personagem que se tornou um dos maiores ícones da televisão brasileira. Apresentada como a viúva do herói, embora jamais tenha sido casada com ele, Porcina ajudou a alimentar a lenda de Roque ao longo dos anos.
A chegada do verdadeiro santeiro provoca mudanças profundas em sua vida e dá origem a um dos triângulos amorosos mais marcantes da dramaturgia nacional, envolvendo também Sinhozinho Malta. Paralelamente, Mocinha (Lucinha Lins), a verdadeira noiva de Roque, reencontra a esperança ao descobrir que o homem que esperou durante tantos anos está vivo.

José Wilker como Roque Santeiro(foto: Memória Globo)
Humor, crítica social e Censura
Ao combinar humor, romance e crítica social, Roque Santeiro se consolidou como um dos maiores clássicos da televisão brasileira. A novela atravessou gerações ao criar personagens que permanecem vivos no imaginário popular, como Viúva Porcina e Sinhozinho Malta. Interpretado por Lima Duarte, o fazendeiro eternizou o bordão “Tô certo ou tô errado?”, incorporado ao vocabulário dos brasileiros e transformado em uma das expressões mais conhecidas da história da teledramaturgia nacional. Quarenta anos depois de sua estreia, a obra segue como referência da dramaturgia brasileira e mantém sua capacidade de dialogar com diferentes gerações de telespectadores.
Além da trama principal, a novela conquistou o público com histórias paralelas memoráveis. Entre elas, o mistério do lobisomem que aterrorizava Asa Branca. A obra também marcou a estreia de nomes como Claudia Raia, Patrícia Pillar e Maurício Mattar na TV Globo. A grandiosa cidade cenográfica de Asa Branca, construída em Guaratiba, no Rio de Janeiro, entrou para a história como uma das mais emblemáticas já produzidas pela emissora.
Roque Santeiro é uma novela de Dias Gomes, com coautoria de Aguinaldo Silva e colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis. A obra tem supervisão de Daniel Filho, direção de Paulo Ubiratan, Jayme Monjardim, Gonzaga Blota e Marcos Paulo, além de direção-geral de Paulo Ubiratan. Também integram o elenco Yoná Magalhães, Fábio Jr., Lídia Brondi, Paulo Gracindo, Lucinha Lins, Cássia Kis, Armando Bógus, Ary Fontoura, Eloísa Mafalda, Cláudio Cavalcanti, entre outros. A reprise vai ao ar a partir de 5 de outubro, logo após o fim de Além do tempo.
Inspirada na peça O berço do herói, de Dias Gomes, a novela teve uma primeira versão proibida pela censura em 1975, poucos dias antes de sua estreia. Dez anos depois, finalmente chegou às telas e se transformou em um dos maiores sucessos da história da TV Globo, tornando-se um marco cultural que permanece presente na memória afetiva do público. Após a exibição original, foi reexibida na TV Globo na Sessão aventura, em 1991; no Vale a pena ver de novo, em 2000; no canal Viva, em 2011 e 2024; e está disponível no Globoplay desde 2021.










