Joelma volta a ser questionada na Justiça por cruzeiro que não aconteceu
Fã questiona na Justiça quando a empresa que representa a cantora tomou conhecimento dos problemas envolvendo o evento e aponta que divulgação teria continuado antes do cancelamento

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
A disputa envolvendo o cruzeiro Isso é Calypso em Alto Mar, que teria a participação de Joelma, ganhou um novo capítulo na Justiça. , empresa que representa a cantora, teria tomado conhecimento dos problemas envolvendo o evento e sustenta que, mesmo diante das inconsistências, a divulgação do cruzeiro continuou.
O processo foi distribuído em fevereiro de 2026 e ainda não tem decisão final.
O autor afirma ter adquirido uma cabine para participar do cruzeiro e sustenta que não recebeu integralmente os valores devidos após o cancelamento. 330,00 e que, posteriormente, teria recebido apenas parte do valor acertado em um termo de confissão de dívida.
Fã questiona conhecimento prévio de problemas
Um dos principais pontos levantados pelo autor é a existência de uma ação anterior movida pela própria J Music contra a Murai, na qual já eram discutidos problemas relacionados ao cruzeiro.
Na manifestação apresentada em 2026, o autor afirma que a J Music teria tido conhecimento, desde março de 2024, de indícios graves de inadimplência e irregularidades, incluindo a ausência de contrato de fretamento do navio. A alegação é baseada no conteúdo de outro processo judicial apresentado aos autos.
Segundo o autor, mesmo depois desse período, Joelma e sua equipe continuaram promovendo o projeto. A manifestação cita vídeos, entrevistas e outros registros nos quais a cantora teria divulgado o cruzeiro e anunciado apresentações e gravações de DVDs que seriam realizadas durante a viagem.
Em um dos registros citados no processo, de 6 de junho de 2024, Joelma teria falado sobre os DVDs Bateu Saudade e Tudo de Novo, que seriam gravados durante o cruzeiro. O documento também afirma que, na mesma ocasião, houve anúncio de alteração da data do evento.
O autor questiona, a partir desses elementos, se a divulgação continuada teria mantido nos consumidores a expectativa de que o evento seria realizado.
Essas afirmações fazem parte da argumentação apresentada pelo autor e ainda não representam uma conclusão da Justiça sobre eventual responsabilidade de Joelma ou da J Music.
J Music já havia acionado a Murai
A discussão ganha outro elemento porque a própria J Music havia recorrido à Justiça contra a Murai antes do cancelamento anunciado publicamente em outubro de 2024.
0100, a J Music alegou que diversos problemas e descumprimentos contratuais haviam ocorrido desde a assinatura do contrato para a realização dos shows de Joelma. A empresa também informou à Justiça que, mesmo após a decisão pelo cancelamento, a Murai continuava mantendo a imagem da cantora em seu site e uma página de vendas do cruzeiro.
Em decisão de outubro de 2024, a Justiça considerou presentes os requisitos para a tutela de urgência e determinou que a Murai retirasse do site a imagem de Joelma, substituindo-a por um canal para cancelamento e reembolso das cabines. Foi fixada multa diária de R$ 5 mil, limitada inicialmente a cinco dias.
O autor utiliza essa decisão como um dos elementos para questionar o grau de conhecimento da J Music sobre os problemas do projeto antes do cancelamento comunicado ao público.
A decisão, entretanto, não estabelece que Joelma pessoalmente tivesse conhecimento de todas as irregularidades alegadas pelo autor. O documento registra a atuação da J Music em uma disputa judicial contra a Murai.
Defesa nega participação de Joelma na organização
A defesa apresenta uma versão diferente dos fatos.
Segundo os advogados, Joelma não participou da organização, comercialização ou realização do cruzeiro. A cantora, de acordo com a defesa, seria exclusivamente a artista contratada para realizar apresentações durante o evento.
Em relação à J Music, a defesa afirma que a empresa foi contratada pela Murai, em setembro de 2023, para realizar três apresentações de Joelma entre 21 e 24 de novembro de 2024, em um navio que seria escolhido pela própria Murai.
A defesa também sustenta que Joelma teria sido igualmente prejudicada pelo cancelamento e contesta a tentativa de atribuir à artista responsabilidade pelos problemas relacionados à organização do cruzeiro.
Imagem da cantora é um dos pontos de discussão
O papel da imagem de Joelma na divulgação também está entre os pontos controvertidos.
O autor sustenta que a cantora não teria atuado apenas como artista contratada, argumentando que sua imagem, seu nome e sua participação em divulgações teriam sido utilizados para promover o cruzeiro e estimular a compra das cabines.
Na réplica, o autor também cita uma decisão de outro processo, no qual, segundo sua interpretação, a Justiça teria registrado que o cruzeiro foi divulgado nas páginas oficiais da cantora e vinculado à sua imagem, enquanto a J Music aparecia relacionada à divulgação do evento.
A defesa, por outro lado, mantém o entendimento de que a atuação da cantora estava limitada à prestação artística contratada e que a organização e a comercialização do cruzeiro não eram de responsabilidade dela.
Processo ainda está em andamento
Joelma não foi condenada neste processo.
Em 3 de junho de 2026, o juiz João Vitor de Souza Lima Pacheco determinou que o autor informasse a relevância da prova oral e qualificasse as testemunhas que pretendia ouvir. O despacho estabeleceu que, caso não houvesse interesse ou justificativa suficiente, a audiência seria dispensada e o processo poderia seguir para sentença.
Em resposta, o autor apresentou manifestação pedindo a realização de audiência de instrução e julgamento, além do depoimento pessoal dos réus e da oitiva de duas testemunhas.
Em 14 de julho de 2026, os autos foram encaminhados para despacho.
Assim, a Justiça ainda deverá analisar as alegações apresentadas pelas partes e decidir sobre os pedidos formulados pelo consumidor.
O novo capítulo do caso coloca no centro da discussão o que a J Music sabia sobre os problemas do cruzeiro antes do cancelamento, até quando o evento continuou sendo divulgado e qual foi, de fato, o papel de Joelma e de sua empresa na promoção do projeto.
Por enquanto, porém, essas questões permanecem controvertidas e não há decisão definitiva que atribua responsabilidade a Joelma neste processo.










