Mercado fica mais apreensivo na reta final para o 2º turno
Indefinição das pesquisas eleitorais tem elevado a volatilidade da Bolsa, além de refletir em nova alta do dólar, para R$ 5,039

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por Raphael Pati
A falta de certeza e de previsibilidade sobre o futuro do país no campo econômico preocupa os investidores do mercado financeiro nesta reta final para o segundo turno das eleições presidenciais.
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) voltou a apresentar grande volatilidade no pregão de ontem, enquanto as pesquisas de opinião apontavam empate técnico entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com redução da rejeição do petista.
Apesar de o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ter despontado à frente do presidente Lula, no primeiro turno, as pesquisas não apontam um resultado claro para a votação do próximo domingo.
A pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, na noite de ontem, mostrou Flávio e Lula empatados com 50% dos votos válidos e 47% x 46% para o senador fluminense na contagem geral das intenções. No primeiro turno, a diferença entre os dois foi de 2,22 milhões de votos, com vantagem para o candidato do PL.

ECO-Ibovespa_02(foto: Lucas Pacifico)
"Índice do medo"
Termômetro do nível de incerteza do mercado às vésperas das eleições, o S&P/B3 Ibovespa VIX, conhecido popularmente como o "índice do medo", varia de 0 a 100, mas nunca tinha ultrapassado o patamar de 30 pontos — acima disso, o mercado considera como um cenário de forte turbulência e aversão ao risco. Na sessão de ontem, chegou ao patamar mais elevado da série histórica, ao disparar 6,72% em apenas um dia e chegar a 45,27 pontos.
Diferente dos índices que acompanham a valorização das ações, o VIX é calculado a partir dos preços das opções de compra e de que são contratos futuros que visam proteção e hedge (proteção). O Vix não indica se a bolsa vai subir ou cair, mas mensura a amplitude das oscilações de preços esperados pelos investidores, como explicou o economista-chefe da Bluemetrix Asset, Renan Silva.
"Diante de visões econômicas divergentes e disputas acirradas nas pesquisas, o mercado passa a precificar uma maior volatilidade, ou variabilidade de retornos possíveis após a apuração", disse Silva. Ele destacou, no entanto, que o índice do medo tende a atingir a sua máxima na reta final da campanha e passar por uma queda acentuada assim que os resultados são confirmados e as incertezas são reduzidas.
O analista Felipe Sant'Anna, explicou, no entanto, que uma "disparada" do VIX não representa necessariamente que o mercado esteja preocupado ou desesperado. Na verdade, os investidores fazem as suas apostas, com uma parcela comprando uma vitória de Flávio, e a outra, de Lula. Nesse contexto, ele destaca que é normal uma elevação abrupta desse índice — que chegou ao Brasil em 2024 e já existia nos Estados Unidos — em momentos de decisões importantes.

ECO-Ibovespa(foto: Valdo Virgo)
"O VIX vai aferir o comportamento do mercado em relação às opções, mais ou menos, para entender se os investidores neste momento estão buscando proteção, estão buscando proteger sua carteira, seus ativos, de uma queda abrupta, ou mesmo, montando posições apostando em uma alta por causa do resultado de segundo turno no domingo no Brasil."
Bolsa e dólar
Nos últimos dois dias, o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da B3, acumulou queda de quase 2%, após subir 1,5% na terça-feira, quando as pesquisas indicavam estabilidade no favoritismo de Flávio para o segundo turno. Apenas ontem, a queda foi de 1,15% e o índice encerrou o dia aos 204.120 pontos. No entanto, com o avanço da campanha de Lula nas redes sociais nesses últimos dias, a indefinição sobre quem terá mais chances de vitória, a incerteza junto aos operadores do mercado financeiro — que estão claramente torcendo para Flávio — aumenta sobre qual deve ser o vencedor da disputa no próximo dia 25.
Essa incerteza também vem sendo percebida no câmbio. No fechamento de ontem, o dólar chegou a R$ 5,039, com alta de 0,23%. De acordo com o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, a eleição segue acirrada e o debate econômico entre os candidatos não é positivo. "Ambos os candidatos fizeram afirmações que vão contra uma solução do crescimento do endividamento brasileiro descontrolado", destacou. O especialista enxerga os investidores em posição defensiva, imaginando que uma vitória do presidente Lula teria como reação "queda da Bolsa, desvalorização do câmbio e piora da curva de juros futuros e na inflação".










