Novo Senado amplia força do PL e pressiona STF e próximo governo
Somente PL, que tem o reforço de outras legendas apoiadoras de Flávio, elegeu 20 parlamentares. Esta é uma má notícia para o STF

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por Alícia Bernardes
As eleições de ontem redesenharam a composição do Senado para a legislatura que começa em 2027.
E a notícia não é boa para o Supremo Tribunal Federal.
A partir dos nomes eleitos nas unidades da Federação, o PL desponta como a principal força entre os partidos que disputaram as 54 vagas em jogo e amplia a presença do bolsonarismo na Casa, cujo principal projeto é o impecahment de ministros do STF — sobretudo Alexandre de Moraes e os indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste mandato, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
A nova correlação de forças deverá pesar nas negociações pela Presidência do Senado e na tramitação de projetos de interesse do próximo governo. Caso Lula se reeleja, terá de conviver com um Senado hostil, disposto a cobrar um preço altíssimo para os interesses do Palácio do Planalto. A indicação do nome para ocupar a 11ª cadeira do Supremo continuará sendo um drama para o petista.

politica-senado(foto: Valdo Virgo)
Caso Flávio Bolsonaro torne-se presidente, o Senado eleito tem tudo para lhe ser favorável. Começando pela escolha do novo presidente da Casa — que também comandará o Congresso. As chances de Davi Alcolumbre (União-AP) ser reconduzido minguam e aumentam exponencialmente as de Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) chegarem ao posto. Para se manter competitivo, Alcolumbre terá de ceder vários postos que controla na Casa e romper, logo, com o governo, num aceno que deixe clara a disposição de compor com a nova força que chega.
Na relação dos eleitos, o PL reúne 20 nomes, o equivalente a mais de um terço dos 54 senadores listados para a próxima legislatura. A legenda terá representantes de praticamente todas as regiões do país e elegeu "bolsonaristas-raiz". Entre eles estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, pelo Distrito Federal; Gustavo Gayer, por Goiás; Carlos Bolsonaro, por Santa Catarina; além de Carlos Portinho e Carlos Jordy, pelo Rio de Janeiro.
Direita reforçada
O avanço do PL se une ao de alas de Republicanos, União Brasil, PP e PSD que reforçam ainda mais o poderio do bolsonarismo não apenas na Casa, mas no Congresso. A eles se somam outros direitistas ferozes, como Marcel van Hatten, eleito pelo Novo do Rio Grande do Sul, e Guilherme Derrite (PP), que levou uma das cadeiras de São Paulo.
Entre os partidos de esquerda, o PT mantém presença relevante na próxima legislatura. A legenda aparece com seis nomes entre os eleitos listados: Rui Costa e Jaques Wagner, pela Bahia; Marília Campos, por Minas Gerais; Humberto Costa, por Pernambuco; Rogério Carvalho, por Sergipe; e Samanda de Lula, pelo Rio Grande do Norte. O desempenho mantém a legenda como uma das principais forças do campo governista, embora a capacidade de atuação dependa da formação de alianças com outras siglas.
O centro, por sua vez, apresenta uma composição mais fragmentada. O MDB reúne sete nomes na relação, entre eles Eduardo Braga, Helder Barbalho, Veneziano Vital do Rêgo e Marcelo Castro. PP e PSB aparecem com três senadores cada, enquanto PSD e União elegem dois. A diversidade partidária aumenta a importância das negociações para a formação de maiorias, sobretudo em votações de projetos considerados prioritários pelo Executivo.
A distribuição das vagas também mostra a força de partidos que tradicionalmente ocupam posições intermediárias nas disputas nacionais. Republicanos e Podemos aparecem com dois nomes cada, enquanto Novo reúne três eleitos. PSDB também registra três nomes, além de representantes de Rede e PDT. Nesse cenário, a orientação desses parlamentares em votações estratégicas poderá ser determinante para a aprovação de matérias que dependam de maioria simples.
A correlação de forças também será decisiva para temas institucionais. O Senado é responsável por analisar indicações de tribunais superiores, Procuradoria-Geral da República e embaixadores, por exemplo. A diplomacia, aliás, é uma questão sensível ao bolsonarismo. Caso Lula seja reeleito, a ascendência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro sobre a bancada do PL no Senado deve ser intensa. Isso porque afirmou que, se o irmão chegar à Presidência, será o futuro ministro das Relações Exteriores. Mas, em Flávio não sendo eleito, o filho 03 terá condições de levar os senadores do partido a serem uma barreira difícil de transpor para todos os escolhidos pelo Itamaraty para postos no exterior.
Mais do que definir o tamanho das bancadas, o resultado das urnas estabelece as condições para as alianças que serão formadas a partir de 2027. A composição final da Casa dependerá da consolidação de todos os resultados, mas o mapa produzido pela votação de ontem indica uma disputa mais acirrada pela definição da agenda legislativa. Um dos assuntos que devem ficar para depois é, por exemplo, a votação da escala 6 x 1 de trabalho. Lula pretendia fazer a proposta andar já nesta semana, mas está indo para o segundo turno numericamente atrás de Flávio — o que enfraquece sua posição enquanto o novo presidente não estiver decidido.










