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Ozempic Hair: entenda a queda de cabelo ligada ao emagrecimento

Dermatologistas explicam se a queda de cabelo, a flacidez no rosto e as mudanças no corpo têm a ver com o medicamento ou com a forma como o emagrecimento acontece

Ozempic Hair: entenda a queda de cabelo ligada ao emagrecimento
(crédito: Magnific)

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Por Amanda S. Feitoza

Vídeos no TikTok mostram mulheres exibindo fios ralos, falhas no cabelo e a necessidade de cortar o cabelo após o uso das chamadas canetas emagrecedoras.

Os relatos se multiplicaram nas redes sociais com os termos ozempic hairozempic face e ozempic body — expressões populares que sugerem efeitos específicos e quase inevitáveis dos medicamentos. Mas o que dizem as especialistas vai na outra direção.

"Esses termos são muito usados nas redes sociais, mas não são diagnósticos médicos", afirma ao Correio, a dermatologista e tricologista Amanda Caroline Costa Leitão.

Ela explica que o que existe, de fato, é a possibilidade de algumas pessoas apresentarem alterações nos cabelos, no rosto e na pele durante um processo de emagrecimento, especialmente quando a perda de peso acontece de forma rápida e significativa. "Associar automaticamente essas mudanças ao medicamento é uma simplificação", ressalta.


A dermatologista Andressa Vargas reforça esse ponto: na maioria dos casos, as alterações estão mais ligadas à perda rápida de peso do que a um efeito direto da substância sobre o organismo. "Elas também podem ocorrer após emagrecimento importante obtido por outros métodos", lembra.


    O que acontece com o cabelo?

    O mecanismo por trás da queda é conhecido como eflúvio telógeno, uma condição temporária que provoca aumento difuso da perda de fios. Amanda explica que, quando o organismo passa por um estresse importante, uma parcela maior dos cabelos pode entrar precocemente na fase de repouso do ciclo capilar, chamada fase telógena. Depois de algum tempo, esses fios começam a se desprender.

    Andressa detalha o que costuma desencadear esse processo: restrição calórica e ingestão insuficiente de proteínas, ferro, zinco e outros nutrientes. "Portanto, geralmente não se trata de uma ação direta do medicamento sobre o folículo", afirma.

    Amanda complementa: "O fio não é uma estrutura essencial para a sobrevivência do organismo e, diante de determinadas situações, o corpo acaba priorizando outras funções."

    Há um detalhe importante sobre o timing: a queda não aparece imediatamente. Ambas as especialistas apontam que os fios costumam cair cerca de dois a três meses após o fator desencadeante, seja o período de emagrecimento mais intenso ou uma mudança importante na alimentação. Isso explica por que muitos pacientes levam tempo para associar a perda de peso à alteração capilar.

    A boa notícia é que, na maioria dos casos, o quadro tende a melhorar gradualmente quando o organismo se estabiliza e as deficiências nutricionais são corrigidas. Mas há sinais que merecem atenção. "Queda muito intensa ou prolongada, presença de falhas, alteração do couro cabeludo ou redução progressiva da densidade dos fios deve ser avaliada pelo dermatologista, pois outras formas de alopecia podem estar associadas", alerta Andressa.

    Amanda reforça: no eflúvio telógeno, a queda costuma ser difusa — mais fios no banho, na escova, no travesseiro — sem áreas específicas de rarefação. Quando surgem falhas delimitadas, rarefação progressiva ou alteração na espessura dos fios, é hora de buscar avaliação especializada.


    Os medicamentos têm algum efeito direto sobre o folículo?

    Segundo as especialistas que conversaram com o Correio, as evidências não sustentam que esses medicamentos ajam diretamente sobre o folículo capilar de forma tóxica. Uma pesquisa publicada no British Medical Journal (BMJ) associou medicamentos para emagrecimento, incluindo semaglutida e tirzepatida, a um aumento no risco de alopecia, mas o risco absoluto é baixo, e entre as explicações mais prováveis estão justamente a perda rápida de peso e a redução da ingestão de nutrientes.

    O papel das canetas emagrecedoras nesse processo é indireto. Ao reduzirem significativamente o apetite em alguns pacientes, podem levar à ingestão insuficiente de calorias e proteínas. Sem a quantidade adequada de nutrientes, o cabelo acaba sendo afetado, não pelo medicamento em si, mas pelas suas consequências na alimentação.



    "Ozempic Face" e "Ozempic Body": o que muda no rosto e no corpo?

    O mesmo raciocínio vale para as mudanças no rosto e no corpo. Amanda esclarece que o ozempic face não é uma condição dermatológica, mas sim uma expressão popular para descrever a redução do tecido adiposo facial que acompanha a perda de peso. "Como o rosto também possui gordura que contribui para o seu contorno e sustentação, uma perda volumétrica significativa pode deixar algumas estruturas mais evidentes e acentuar a flacidez", explica.

    Andressa complementa que com o emagrecimento acentuado, ocorre redução dos compartimentos de gordura que sustentam e conferem volume ao rosto. Se essa perda acontece rapidamente, pode haver maior evidência de sulcos e aspecto envelhecido, especialmente em pessoas com menor elasticidade de pele. "Não é correto dizer que o medicamento, isoladamente, 'envelhece' o rosto", resume.

    No corpo, o processo é semelhante. Após uma perda importante de gordura, a pele nem sempre consegue se retrair na mesma velocidade, podendo surgir flacidez e excesso de pele, principalmente em abdômen, braços, coxas e mamas. Amanda lembra que fatores como idade, genética, quantidade de peso perdido e tempo em que a pessoa permaneceu acima do peso também influenciam bastante o resultado. A perda de massa muscular, quando ocorre junto ao emagrecimento, agrava ainda mais o aspecto flácido.

    Como preservar cabelo e pele durante o emagrecimento?

    A orientação das duas especialistas converge: o cuidado começa pela alimentação. Evitar restrições nutricionais excessivas e garantir ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais, sempre com orientação profissional, é o primeiro passo.

    Para os cabelos, Amanda alerta contra a automedicação com suplementos: "É fundamental investigar possíveis deficiências quando existe queda persistente, em vez de simplesmente começar a tomar suplementos por conta própria." Para a pele, Andressa recomenda hidratação, fotoproteção e cuidados dermatológicos individualizados para preservar sua qualidade durante o processo.

    Acima de tudo, o acompanhamento médico faz a diferença. Mais do que acompanhar o número na balança, as especialistas recomendam observar como o organismo está respondendo ao emagrecimento como um todo, e comunicar ao médico qualquer sinal fora do esperado, como fraqueza excessiva, tontura, dificuldade para se alimentar ou queda capilar intensa.

    "O chamado 'Ozempic Hair' não deve ser encarado como uma consequência inevitável das canetas emagrecedoras", conclui Amanda. A queda pode estar relacionada a uma combinação de fatores, e, na maior parte das vezes, tem muito mais a ver com a velocidade e a qualidade do emagrecimento do que com o medicamento em si.

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