Relatos de Anitta e Bruna Marquezine ajudam a ampliar debate sobre esgotamento feminino
Mulheres concentram mais de 60% dos afastamentos por transtornos mentais; especialista relaciona cenário à sobrecarga e ao cuidado

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por Mariana Morais
Anitta e Bruna Marquezine já falaram publicamente sobre saúde mental em diferentes momentos da carreira.
Bruna relatou experiências com depressão e ansiedade e também comentou a cobrança constante sobre si mesma. Anitta, por sua vez, já contou que viveu períodos de ansiedade excessiva e que precisou rever uma rotina marcada pelo excesso de trabalho.
Os relatos das duas ajudam a dar visibilidade a uma discussão que vai muito além do universo das celebridades. Em 2025, as mulheres responderam por mais de 60% dos benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais no Brasil.
Para Danieli Wegermann, especialista em liderança e comportamento feminino, parte desse cenário está ligada à soma entre trabalho remunerado, responsabilidades domésticas, cuidado de outras pessoas e autocobrança.
“Discutir o esgotamento feminino apenas como ‘preciso descansar mais’ é ignorar o básico. Para todo débito de energia que despejamos no mundo, precisamos de um crédito de reposição. Se a conta não fecha, entramos no cheque especial”, afirma.
A pesquisa Esgotadas, da Think Olga, também aponta um quadro de sofrimento emocional entre as brasileiras: 45% das participantes declararam diagnóstico de ansiedade, depressão ou outro transtorno mental, enquanto seis em cada dez afirmaram conviver com ansiedade no cotidiano.
O que pode ajudar
Entre as práticas sugeridas por Danieli estão a escrita livre sobre experiências emocionalmente intensas, pequenas pausas antes de decisões em momentos de estresse e a identificação de recursos já disponíveis na rotina, como relações de apoio, períodos de descanso e atividades que tragam satisfação.
Ela também cita a técnica S.T.O.P., baseada em quatro movimentos: parar por alguns segundos, respirar, observar corpo e pensamentos e, só então, prosseguir.
Para Danieli, porém, essas ferramentas não substituem a necessidade de olhar para a origem do problema.
“Mulheres não adoecem por fragilidade. Adoecem porque muitas vezes operam em um ambiente que exige cuidado constante e oferece pouco espaço para reposição”, afirma.










