Serena Williams chama atenção na web ao exibir relógio de luxo; saiba mais sobre o modelo
Edição limitada a 500 peças chega às boutiques por quase US$ 100 mil; especialista no segmento, Renan Bastos analisa o modelo

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por Mariana Morais
A parceria de mais de uma década entre Serena Williams e a Audemars Piguet ganhou um novo capítulo nesta semana.
A tenista participou da criação de uma edição especial do Royal Oak, um dos modelos mais conhecidos da fabricante suíça, limitada a apenas 500 unidades e com preço oficial de US$ 95,9 mil nos Estados Unidos.
Batizado de Royal Oak Selfwinding Chronograph “Serena Williams”, o relógio tem caixa de 38 mm e pulseira em cerâmica branca, combinadas com mostrador em madrepérola rosa. O modelo acompanha ainda uma segunda pulseira de borracha rosa.
Por dentro, a peça é equipada com o calibre 6401, novo movimento cronógrafo automático desenvolvido pela própria Audemars Piguet.
Para Renan Bastos, fundador e CEO da RC Crown, empresa americana especializada no mercado internacional de relógios de luxo, a configuração escolhida pela marca tem potencial para despertar interesse entre colecionadores.
“Quando a AP faz uma colaboração com um nome realmente global, normalmente existe muito cuidado com o produto. Nesse caso, achei o relógio muito bem executado. O dial em madrepérola rosa, a data acompanhando a mesma cor, a cerâmica branca… tudo conversa. É um relógio que chama atenção sem depender somente do nome da Serena.”
Mas é fora das boutiques que começa outra discussão: quanto esse relógio realmente poderá valer?
Preço da loja não é preço do mercado
Embora o valor oficial seja de US$ 95,9 mil, Bastos explica que o preço definido pela Audemars Piguet não deve ser confundido com o valor pelo qual o relógio poderá ser negociado no mercado secundário.
“O retail price e o market price são duas coisas completamente diferentes. Os US$ 95,9 mil são o preço que a AP estabeleceu para vender o relógio aos clientes selecionados pela marca. O mercado secundário começa a formar outro preço a partir do momento em que esses relógios chegam às mãos dos clientes e alguns deles decidem vender.”
E, por enquanto, segundo Bastos, ainda é cedo para falar em um preço consolidado.
“É um lançamento de agora. Até este momento, nós não vimos uma oferta consistente dessas peças no mercado secundário. Então não existe informação suficiente para dizer que o relógio vale US$ 150 mil, US$ 200 mil ou qualquer outro número. Primeiro alguém precisa receber o relógio, decidir vender e o mercado começar a negociar.”
A escassez inicial, porém, pode provocar valores muito acima do preço oficial.
Para Bastos, não seria surpreendente ver as primeiras unidades sendo oferecidas por valores equivalentes ao dobro ou até próximos de três vezes o preço de boutique.
“Nos primeiros dias de um lançamento muito desejado, o preço pode ser extremamente agressivo. Imagine que naquele momento exista uma ou duas peças disponíveis no mundo inteiro para compra imediata. O vendedor praticamente testa até onde o comprador está disposto a ir.”
Segundo o empresário, existe um perfil de colecionador para quem ser um dos primeiros proprietários de um lançamento importa mais do que pagar o preço mais eficiente.
“Tem gente que quer ser o primeiro. Quer usar aquele relógio enquanto praticamente ninguém mais tem. Para esse comprador, esperar seis meses para economizar dinheiro não faz sentido. Ele quer agora e aceita pagar muito por isso.”
É justamente por esse motivo que os primeiros preços pedidos nem sempre indicam onde um relógio permanecerá no longo prazo.
“Uma coisa é o primeiro relógio aparecer por US$ 250 mil. Outra coisa é existirem dez relógios anunciados e transações acontecendo consistentemente naquele nível. O mercado precisa de algum tempo para encontrar equilíbrio.”
Quem consegue comprar por US$ 95,9 mil?
Outro ponto importante, segundo Bastos, é que uma edição limitada a 500 unidades de um Royal Oak não estará simplesmente disponível para qualquer consumidor que entrar em uma boutique com US$ 95,9 mil.
“É aí que muita gente de fora do mercado se confunde. Ela olha e fala: se custa US$ 95 mil na AP, por que alguém pagaria US$ 200 mil? Porque conseguir comprar por US$ 95 mil é outra história.”
Em lançamentos altamente disputados, explica ele, as peças tendem a ser destinadas a clientes com histórico e relacionamento relevante com a fabricante.
“São 500 relógios para uma marca que tem clientes importantes no mundo inteiro. Quem recebe acesso a uma peça dessas geralmente tem uma relação construída com a marca. Então o preço de tabela existe, mas a disponibilidade naquele preço é extremamente limitada.”
A partir do momento em que uma dessas pessoas decide vender, entra em cena a dinâmica de oferta e demanda.
“Se existe um relógio disponível e dez pessoas querendo comprar, não é o preço da boutique que determina aquela negociação. É a oferta e a demanda.”
O teste de verdade vem depois do lançamento
Para Bastos, entretanto, a questão mais interessante não é saber quanto a primeira unidade poderá custar, mas onde o modelo encontrará seu preço depois que a euforia inicial diminuir.
“Eu consigo imaginar as primeiras peças sendo oferecidas pelo dobro ou até perto do triplo do retail. Isso não significa que esse será o preço definitivo. Pode cair bastante depois, pode estabilizar acima do retail ou, se o relógio realmente cair na graça dos colecionadores e continuar difícil de encontrar, pode permanecer muito forte. Só o mercado vai responder.”
Segundo ele, existe uma diferença entre escassez provocada pelo lançamento e demanda sustentada.
“Todo lançamento muito limitado começa escasso. Mas, depois que aparecem dez, vinte ou trinta relógios no mercado, você começa a descobrir se existiam dez compradores ou cem compradores. É aí que a história começa a ficar interessante.”
Um exemplo citado pelo empresário é outro Royal Oak produzido em colaboração com uma celebridade: o Perpetual Calendar “John Mayer”, lançado pela Audemars Piguet em edição limitada de 200 peças.
A RC Crown já participou da negociação de sete unidades desse modelo, segundo Bastos.
“Para uma edição mundial de apenas 200 relógios, nós já tivemos a oportunidade de vender sete. Então conseguimos acompanhar esse mercado muito de perto. É um relógio que, na minha opinião, conseguiu algo muito importante: caiu na graça do colecionador.”
Para ele, o modelo mostra por que apenas a quantidade produzida não explica o comportamento de uma peça no mercado secundário.
“O John Mayer é maravilhoso ao vivo. Existe procura, é difícil conseguir e continuamos vendo um mercado muito forte nele. Isso é diferente de simplesmente colocar ‘limited edition’ no fundo do relógio. A limitação cria escassez, mas quem sustenta preço é a demanda.”
Serena Williams pode repetir esse comportamento?
Bastos acredita que o novo Royal Oak reúne características importantes para ter boa recepção: uma das personalidades mais reconhecidas do esporte mundial, produção de apenas 500 unidades, cerâmica branca, uma configuração visual facilmente identificável e uma das coleções mais conhecidas da Audemars Piguet.
Mas evita transformar esses elementos em uma previsão definitiva.
“Eu acho o relógio muito bonito e acho que a combinação foi muito bem feita. Agora precisamos ver o relógio ao vivo, observar quantas peças começam a aparecer e, principalmente, ver a reação dos compradores quando os primeiros preços surgirem.”
Para ele, o comportamento das primeiras negociações será mais relevante do que os anúncios iniciais.
“Preço pedido qualquer pessoa pode colocar. Transação é diferente. Quando começarmos a ver por quanto esses relógios realmente trocam de mão, aí começaremos a descobrir o market price.”
E a resposta definitiva pode levar mais tempo.
“Uma colaboração boa não é somente aquela que gera hype durante uma semana. É aquela que, cinco anos depois, continua sendo procurada. Se esse relógio continuar bonito aos olhos do mercado, continuar difícil de encontrar e as pessoas realmente quiserem ter um, aí você tem todos os ingredientes para uma peça muito forte.”
Até lá, os US$ 95,9 mil cobrados pela Audemars Piguet funcionam como preço oficial. O valor que colecionadores estarão dispostos a pagar fora das boutiques será definido por uma regra muito mais antiga do mercado: quantos querem comprar diante de quantos estão dispostos a vender.










