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TSE registra mudanças em 438 seções eleitorais para 2º turno

Troca de locais de votação para o segundo turno requer atenção do eleitorado, mas afeta parcela mínima das urnas

TSE registra mudanças em 438 seções eleitorais para 2º turno
Carta assinada pelos 27 TREs reafirma compromisso com transparência e garante que mudança ocorre quando "absolutamente necessário" - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Por Maria Beatriz Giusti


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, ontem, mudanças em 438 seções de votação para o segundo turno, queda em relação ao divulgado no final de semana. No sábado, eram 4,3 mil seções, e no domingo, 1.116.

Segundo a Corte, os dados ainda estão em atualização, à medida que as zonas eleitorais concluem os registros e realizam os ajustes necessários nos sistemas. Por isso, os números podem sofrer alterações. As informações correspondem à última atualização antes do fechamento desta edição.

Mais de 130 mil eleitores de 22 estados brasileiros tiveram os locais de votação alterados para o segundo turno. Minas Gerais concentra o maior número de pessoas afetadas, com 29.715. Na sequência, aparecem o Paraná, com 17.968, e o Amapá, com 11.614.

De acordo com o TSE, as mudanças acontecem em todas as eleições por motivos como reformas de última hora, melhorias de acessibilidade em prédios públicos e os impactos de fortes chuvas. Em alguns casos, os danos provocados pelas condições climáticas exigiram a transferência preventiva das seções para instalações próximas e mais seguras. A Corte ainda diz que o número de seções eleitorais alteradas na última eleição presidencial foi consideravelmente maior, com 5.822.

Impacto mínimo


O professor e membro da Academia Brasileira de Direito Político e Econômico (Abradep) Bruno Andrade argumenta que o impacto da mudança é mínimo, já que apenas um parcela muito pequena das 517.179 seções brasileiras foi afetada. "Esse eleitor não perde o direito de votar: ele vota em local próximo, com estrutura semelhante. Como as mudanças alcançam regiões e perfis diversos, eventuais ausências se diluem e não tendem a favorecer nenhuma candidatura", avalia.

Andrade lembra também que essas alterações ocorrem em todas as eleições. Ele explica que os eleitores atingidos são informados a tempo por meio de avisos na internet, rádios e comunidades locais. "A diferença, neste ano, foi a viralização do tema, que levou o assunto a quase todo o eleitorado. As decisões cabem às zonas eleitorais, que conhecem cada realidade, e todos os endereços estão disponíveis nos canais oficiais. Isso revela um processo organizado e transparente, que se ajusta para garantir o voto com segurança", explica.

Em resposta às mudanças nos locais de votação, a deputada federal eleita Rosa Amorim (PT-PE) acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), ontem, cobrando maior divulgação sobre as mudanças nos locais de votação para o segundo turno. "Estamos falando de uma eleição que vai decidir os rumos do Brasil nos próximos quatro anos. Cada voto importa, e ninguém pode ser prejudicado pela falta de informação. É fundamental combater a abstenção e garantir que o povo pernambucano tenha todas as condições de participar dessa decisão", acrescenta a parlamentar.

Em meio às cobranças, os 27 TREs divulgaram uma nota conjunta endereçada ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reforçando o compromisso com a transparência. Segundo o documento, as mudanças de local ocorrem "apenas quando absolutamente necessário". "Até o dia da realização do segundo turno, cada um dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais divulgará, por todos os meios de comunicação disponíveis, os locais de votação eventualmente modificados", diz a carta.

O advogado eleitoral Juarez da Silva, do Juarez da Silva Advogados Associados, explica que a primeira providência que o eleitor deve tomar caso compareça à seção de votação errada é consultar imediatamente o novo endereço por meio do aplicativo e-Título. "Em regra, o eleitor não pode simplesmente votar em qualquer seção eleitoral: precisa comparecer à seção para a qual está habilitado, ressalvadas as hipóteses legalmente previstas", afirma.

Para Juarez, embora a Justiça Eleitoral possa fazer essas alterações, mudanças próximas à eleição podem gerar dificuldades para idosos, pessoas com deficiência, eleitores com mobilidade reduzida e moradores de regiões afastadas. "A Justiça Eleitoral deve facilitar o exercício do voto, jamais transformar uma alteração administrativa em barreira à participação democrática", avalia. No próximo domingo, mais de 158 milhões de brasileiros devem comparecer às urnas para votar.


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