Vasco supera expulsão e vence o Boca Juniors na Argentina
Cruzmaltino larga à frente com gol de Adson, mas sofre no segundo tempo após expulsão de Andrés Gómez. Na próxima terça-feira (20/10), pode empatar para se classificar à final

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por Victor Parrini
Inegavelmente, o Boca Juniors não é o mesmo que impunha respeito com as seis conquistas da Libertadores.
Nem por isso é meia-boca. Tem camisa, torcida e um estádio que intimida, principalmente os brasileiros. Goste ou não, La Bombonera carrega uma mística.
De 2021 para cá, sete clubes do nosso país visitaram os xeneizes. Nenhum venceu. O último triunfo brasileiro nesse recorte mais amplo havia sido o do Internacional, em 2020, pelas oitavas de final da Libertadores — e nem assim os gaúchos avançaram, eliminados nos pênaltis.
Nesta terça-feira (13/10), o Vasco ousou desafiar essa história e venceu os argentinos por 1 x 0, na ida da semifinal da Copa Sul-Americana.
Nesta temporada, São Paulo e Cruzeiro desafiaram o Boca Juniors em território argentino. O primeiro perdeu; o segundo arrancou um empate. Nas temporadas anteriores, Fortaleza, Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG e Santos também saíram sem vitória da Bombonera.
O Vasco, porém, não se contentou em engrossar essa lista. Se havia alguém para reivindicar o protagonismo em La Bombonera, seria Adson. O meia-direita entrou em campo com quatro gols na temporada — todos na Copa Sul-Americana — e fez valer a aposta. Com apenas 1,70m, o baixinho se infiltrou entre os zagueiros e subiu para cabecear com precisão, marcando o gol da vitória. Detalhe: até a escalação do camisa 28 era uma dúvida para Pedro Emanuel, que também cogitava Nuno Moreira.
A jogada do gol vinha sendo ensaiada nos minutos anteriores. Cuiabano e Andrés Gómez perceberam que o lado direito da defesa argentina, protegido por Lozano, era o caminho mais promissor. Cuiabano avançou, foi desarmado, mas Gómez recuperou a bola perto da linha de fundo, limpou a marcação e cruzou na cabeça de Adson.
O Vasco também soube aproveitar a ausência de Leandro Paredes no meio-campo do Boca Juniors para adiantar a marcação e forçar erros na saída de bola. Foi uma atuação madura, sustentada pelas exibições seguras de Thiago Mendes, Lescano e Sosa. O placar poderia ter sido aberto ainda aos cinco minutos, quando Bruno Duarte dominou e bateu cruzado de fora da área.
O segundo tempo exigiu inteligência emocional. Como era esperado, o Boca Juniors se lançou ao ataque e incendiou La Bombonera. Quando conseguiu manter a calma e fazer a bola girar, porém, o Vasco encontrou espaços para ampliar. Em uma dessas oportunidades, PH tabelou com Adson pela direita, invadiu a área, mas finalizou para fora. O desperdício quase custou caro no lance seguinte, quando Blanco acertou a trave com um chute de efeito.
O Andrés Gómez decisivo, que deu a assistência no primeiro tempo, deu lugar a uma versão displicente, marcada por erros de passe e descontrole emocional. No lance da expulsão, atrapalhou uma cobrança de falta, recebeu cartão amarelo e, na sequência, empurrou o árbitro duas vezes, até ser expulso.
O Vasco agora terá de controlar a ansiedade até o confronto de volta, na próxima terça-feira, algo que não conseguiu fazer diante do Remo, pelo Brasileirão, quatro dias antes de encarar o Boca Juniors. Antes de decidir a vaga na final, porém, visita o São Paulo no MorumBis, neste sábado, às 21h.
O reencontro com os argentinos está previsto para o Maracanã, mas o palco ainda é incerto. O consórcio formado por Flamengo e Fluminense acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir a realização da partida na arena. A Conmebol informou que, caso uma nova decisão inviabilize o jogo no Rio, a volta será transferida para o Paraguai.










