Adenocarcinoma pulmonar: entenda o câncer descoberto no papa Leão XIV
Especialista reforça a importância do diagnóstico precoce e explica o procedimento cirúrgico ao qual o líder religioso foi submetido

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Via Correio Braziliense
O papa Leão XIV passou por uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão direito. De acordo com comunicado divulgado pelo Vaticano nesta terça-feira (13/10), o procedimento foi bem sucedido e confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme já se suspeitava após outros exames de rotina.
A doença afeta as células mucosas que revestem as partes mais finas dos pulmões, se enquadrando nos subtipos de carcinomas de células não-pequenas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o adenocarcinoma é o tipo de câncer pulmonar mais comum entre não fumantes.
Ao Correio, o coordenador de Pneumologia do Hospital Santa Lúcia, William Schwartz, alerta que o adenocarcinoma costuma aparecer em áreas periféricas dos órgãos, longe dos brônquios grandes.
“Essa localização explica porque ele é tão traiçoeiro”, explica. “No início, quase nunca causa sintomas, e muitas vezes é descoberto por acaso, em uma tomografia feita por um outro motivo ou dentro de um exame de rotina”. Não foi divulgado em qual estágio está o tumor encontrado no papa.
Como surge o câncer?
Schwartz aponta que o tabagismo é o principal causador de alterações celulares nos pulmões. Porém, entre os não-fumantes, o adenocarcinoma tende a se originar quando há inalação indireta de fumaça dos cigarros, poluição, fatores genéticos, entre outros fatores.
“Em muitos não-fumantes não se identifica uma causa clara. Por isso, a mensagem é: não fumar reduz muito o risco, mas não zera”, observa. “Para quem fuma, parar com o hábito vale a pena em qualquer idade, porque o risco cai progressivamente com os anos”.
Tratamento e cura
De acordo com o pneumologista, existe cura para o câncer de pulmão e o diagnóstico precoce deve ser o ponto de partida para o rastreio da doença, principalmente entre pacientes fumantes e ex-fumantes, entre 50 e 80 anos, com uma carga tabágica relevante.
“Quando o tumor é pequeno e está restrito ao pulmão, as chances de cura são altas”, aponta o médico. “Nos casos mais avançados, os medicamentos alvo e a imunoterapia mudaram o cenário de sobrevida dos pacientes. Muitos vivem anos com a doença controlada”.
Schwartz afirma que o tratamento é definido por uma equipe multidisciplinar, composta por pneumologistas, oncologistas, radioterapeuta, entre outros especialistas.
Como é a cirurgia a qual o papa foi submetido?
O médico explica que o pulmão é dividido entre três lobos no lado direito e dois no esquerdo e que, no caso do procedimento do papa Leão XIV, a cirurgia é conhecida como lobectomia.
“A cirurgia padrão é a retirada de parte do pulmão, junto ao tumor”, aponta. “Em tumores pequenos e periféricos selecionados, pode-se optar por retirar apenas o segmento do lobo, preservando maior função pulmonar e respiratória”.
Antes da cirurgia, o paciente deve passar por uma avaliação de função pulmonar e cardíaca, com a ajuda de exames de imagem para garantir a segurança do procedimento. Técnicas como videotoracoscopia e cirurgia robótica são minimamente invasivas e de rápida recuperação, de acordo com Schwartz.
“É possível viver bem sem o lobo pulmonar. O pulmão remanescente compensa boa parte da função perdida. É por isso que a avaliação respiratória é tão importante”, reforça.










