

Depois do sufoco contra Cabo Verde, a Argentina de Messi enfrenta outra seleção africana no caminho do tetra: o Egito de Salah, que sonha fazer história na Copa
Por RAFAEL LINS* - Correio Braziliense
A busca pela quarta estrela segue viva para a Argentina. A atual campeã do mundo volta a campo, às 13h (de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, pelas oitavas de final da Copa.
Depois de uma missão complicada contra Cabo Verde — quando a vitória só saiu na prorrogação —, a albiceleste terá outra seleção africana pela frente. Mas, agora, o adversário, em vez de uma zebra simpática, é uma potência continental assim como a Argentina. O Egito tem sete títulos da Copa Africana de Nações, enquanto os sul-americanos venceram 16 vezes a Copa América.
Com a eliminação do Brasil para a Noruega, restam apenas duas representantes da América do Sul no torneio. Além da Argentina, a Colômbia também joga hoje, e enfrenta a Suíça. Se ambas conseguirem a vaga, farão o clássico sul-americano nas quartas de final.
A Argentina vem embalada após o título de 2022, no Catar. De lá para cá, a seleção de Lionel Scaloni teve poucas adições no plantel. A base segue a mesma para esta edição do torneio organizado pela Fifa e, com o envelhecimento de certas peças, a albiceleste pode sofrer com a sequência pesada de jogos a partir dos mata-matas. Contra Cabo Verde, por exemplo, os “hermanos” penaram para vencer a equipe africana na prorrogação. Diante do Egito, o objetivo é garantir a vaga nos 90 minutos regulamentares.
O camisa 10 argentino, Lionel Messi, mais uma vez vem sendo destaque no torneio. Ele marcou sete gols até o momento e se consolidou como maior artilheiro da história das Copas, com 20 tentos. Os recordes quebrados pela lenda do futebol elevam a moral da equipe de Scaloni, que mantém como estratégia, desde 2022, contar com Messi apenas nos momentos de necessidade. Com 39 anos, a força física e a resistência não são mais as mesmas, mas a capacidade de decidir jogos segue inabalável. O meia tem uma equipe montada em função dele, mas o espaço para coadjuvantes sempre esteve aberto. Assim como Dí Maria, Aguero e Higuain, agora é Lautaro Martínez, Julian Alvarez e Alexis Mac Allister que puxam para si a responsabilidade de servir Messi.
Com uma hora de atraso, Messi e companhia treinaram, ontem, ao meio-dia, sob um calor intenso, na Kennesaw State University. O sufoco da classificação para as oitavas é passado. “Cabo Verde já ficou para trás, nem sempre é possível jogar da melhor maneira”, ressaltou Paredes.
Assim como Lionel Messi está fazendo sua última dança em Copas do Mundo, o Egito também se despede de um ídolo. Mohamed Salah, com 34 anos, joga o último Mundial da carreira. O maior jogador egípcio da história do país tem esse posto por tudo que representa. Ídolo incontestável do Liverpool da Inglaterra, Salah também se despediu do clube inglês nesta temporada. Com a camisa da seleção nacional, o Faraó, como é chamado, levou os africanos para uma Copa do Mundo após 28 anos, em 2018. Agora, em 2026, o camisa 10 comandou algo inédito na história da equipe: ajudou a classificar seu país, pela primeira vez, para a fase de mata-mata, com o segundo lugar do grupo J (liderado pela Argentina) conquistado de forma invicta. Depois, eliminou a Austrália na fase de 16 avos. Como um bom líder, Salah cobrou e converteu um dos pênaltis na disputa que definiu o classificado.
Mesmo sabendo do favoritismo argentino, o camisa 10 egípcio não se intimida com a força dos atuais campeões, mas respeita a história de Messi. “Independentemente do rival, vamos com tudo. Argentina tem uma lenda, que é o Messi. Devemos respeitar a todos, ao coletivo. É futebol. Não podemos subestimar nem pensar de maneira negativa. Levo tempo trabalhando com meus jogadores para impor nosso estilo e fazemos isso independentemente do ranking da Fifa do rival”, disse Salah, em entrevista coletiva.
Para a Argentina, as oitavas de final são um destino habitual: a seleção albiceleste conseguiu chegar a essa fase em todas as Copas desde 2002. Para o Egito, porém, esse confronto representa mais um marco histórico, que conquistou sua primeira vitória em mundiais nesta edição, ainda na fase de grupos.
“Vai ser uma partida difícil, como todas nesta Copa do Mundo”, disse o lateral Nahuel Molina sobre a seleção liderada por Mohamed Salah. “Tentaremos fazer nosso jogo com a bola e praticar nosso próprio estilo, sempre queremos ser protagonistas”, concluiu Molina.
As duas equipes se enfrentaram duas vezes anteriormente. O primeiro confronto ocorreu na semifinal das Olimpíadas de 1928, organizada pela FIFA na Holanda, quando a Argentina venceu por 6 X 0. O segundo foi um amistoso disputado em 2008, vencido pela Argentina por 2 X 0, com gols de Sergio Agüero e Nicolás Burdisso. Quem vencer nesta tarde enfrentará, nas quartas de final, o vencedor do duelo entre Colômbia e Suíça.
*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Doria

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