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Brasil encara maior teste da Copa em duelo contra a Noruega

COPA 2026
Publicado em 5 de julho de 2026
Brasil encara maior teste da Copa em duelo contra a Noruega
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Estrelado por Vinicius Junior e Haaland, duelo pelas oitavas de final desafia Brasil a vencer a Noruega pela primeira vez, exorcizar fantasmas europeus e iluminar o caminho para o hexa

Marcos Paulo Lima e Victor Parrini — Enviados especiais - Correio Braziliense

Nova Jersey — Toda Copa do Mundo chega ao momento no qual basta um lampejo para mudar o destino de uma seleção. Hoje, às 17h (de Brasília), Brasil e Noruega disputam uma vaga às quartas de final apostando justamente nos protagonistas capazes de produzi-lo. De um lado, o astro Vinicius Junior, o principal fator de desequilíbrio da constelação de Carlo Ancelotti. Do outro, Erling Haaland, o konungr (rei) da melhor geração do futebol norueguês. Se a aurora boreal é a luz mais célebre do Norte, o MetLife Stadium espera testemunhar outro fenômeno nos arredores de Nova York: a que nasce quando duas estrelas de primeira grandeza do planeta bola transformam um jogo em espetáculo.

O mata-mata representa um novo campeonato dentro da Copa do Mundo. Os erros deixam de ser recuperáveis, o empate passa a ser apenas um caminho para a prorrogação e pênaltis em último caso, e cada decisão ganha peso definitivo. O Brasil enfrenta o adversário mais desafiador desde a retomada do projeto do hexa contra Marrocos, Haiti, Escócia e Japão. A Noruega expõe um modelo consolidado e um dos ataques mais perigosos do Mundial.

A criação passa pelos pés de Martin Ødegaard. O meia organiza a saída de bola, acelera as transições e encontra Haaland entre as linhas defensivas com a precisão de quem enxerga espaços antes dos adversários. Limitar a influência do camisa 10 significa reduzir boa parte da força ofensiva da trupe escandinava. Permiti-lo pensar pode ser o primeiro passo para sofrer diante do centroavante mais letal do futebol mundial, autor de cinco gols nesta Copa. 

Carlo Ancelotti conhece o desafio. O técnico italiano enfrentou Haaland diversas vezes. Ele sabe que a missão não se resume ao trabalho dos zagueiros. Casemiro deverá funcionar como escudo à frente da defesa, enquanto Marquinhos e Gabriel Magalhães precisarão controlar a profundidade sem perder os duelos físicos com a seleção mais da Copa: média de 1.87m. A compactação dos setores será tão importante quanto a marcação individual.
Focar somente nos dois é outro risco. Há coadjuvantes letais como Sorloth, Oscar Bobb e o jovem Nusa, considerado o Neymar norueguês por ser fã do camisa 10 verde-amarelo.

Se a Noruega procura o gol de maneira direta, o Brasil aposta em um repertório mais variado. A Seleção tenta controlar o ritmo da partida com circulação de bola e aproximação dos meias, principalmente de Bruno Guimarães. O falso 10 verde-amarelo entregou quatro assistências nesta Copa. O estilo ganha outro patamar quando Vinicius Junior encontra espaço para acelerar. O atacante chega às oitavas como artilheiro brasileirou com quatro gols para romper linhas, atrair a marcação e transformar vantagem territorial em chance

Há um duelo decisivo no campo das ideias. A Noruega é uma das seleções mais fortes da Copa nas bolas paradas ofensivas. Explora a estatura do elenco e a qualidade da cobrança de Ødegaard. O Brasil, como mostrou a reportagem de ontem do Correio/EM, ainda busca maior eficiência nesse fundamento e sabe: evitar faltas laterais e escanteios será parte importante do plano de jogo.

O Brasil foi vítima da bola parada em quatro das últimas cinco eliminações. Todas contra adversários europeus: França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014) e Bélgica (2018). Só a Croácia, em 2022, não fez gol no Brasil originado de uma cobrança de falta escanteio.

“A gente não conversa sobre isso e sobre Copas passadas. Na verdade, temos conversas sobre o momento exato da eliminação porque muitos companheiros passaram por isso. Mas é muito mais sobre não querer reviver aquele dia do que propriamente sobre o adversário ou a escola da qual ele vem, no caso a europeia. Mas sem dúvida nenhuma, é algo que a gente tem que fazer para matar ou sumir com esse fantasma. Para ganhar Copa do Mundo, tem que passar por esses percalços. Espero que a gente possa contar outra história agora”, projeta Matheus Cunha, autor de três gols nesta edição.

O confronto carrega um componente histórico para dentro do campo. Em quatro partidas contra a Noruega, o Brasil jamais venceu. A lembrança mais marcante permanece a derrota por 2 x 1 na Copa do Mundo de 1998. Quase três décadas depois, a oportunidade de encerrar esse tabu surge justamente quando uma derrota significa o fim da caminhada.

Mais do que duas escolas diferentes, o duelo opõe maneiras de decidir partidas. Haaland representa a força, a objetividade e a imposição física. Vinicius Junior simboliza o improviso, a velocidade e a capacidade de criar onde aparentemente não existe espaço.

Entre eles, Carlo Ancelotti e Ståle Solbakken travam um jogo de ajustes táticos no campo das ideias. Cada substituição e mudança de posicionamento poderão alterar o destino da classificação. O italiano dispõe do fora de série Neymar para jogar até 90 minutos se desejar. Azarão devido à cura recente de uma lesão de grau 2 na panturrilha direita, ele corre por fora na disputa pela vaga do lesionado Lucas Paquetá. Em tese, os volantes Danilo Santos e Ederson e os atacantes Gabriel Martinelli e Endrick estão na frente do camisa 10. A peça mais maleável para o acesso de um deles ao time titular é o versátil Matheus Cunha, totalmente capaz de assumir a função de Paquetá caso Ancelotti decida surpreender.

A aurora boreal costuma surgir sem aviso. Basta um instante para transformar a noite em espetáculo. Jogos de Copa do Mundo seguem a mesma lógica. Às vezes, um drible, um passe ou uma finalização são suficientes para iluminar o caminho de uma seleção. Em Nova Jersey, Brasil e Noruega entram em campo sabendo que apenas um deles continuará seguindo essa luz rumo ao sonho do título.

TRAUMA EUROPEU

2006 – Brasil 0 x 1 França (quartas)
2010 – Brasil 1 x 2 Holanda (quartas)
2014 – Brasil 1 x 7 Alemanha (semi)
2018 – Brasil 1 x 2 Bélgica (quartas)
2022 – Brasil 1 (2) x 1 (4) Croácia (quartas)

FRASE

“Sem dúvida nenhuma, é algo que a gente tem que fazer para matar ou sumir com esse fantasma. Para ganhar Copa do Mundo, tem que passar por esses percalços. Espero que a gente possa contar outra história agora”, Matheus Cunha, atacante. 

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