

Emplacamento de eletrificados aumentou 125% no primeiro semestre em relação a 2025. Especialistas e representantes do setor atribuem aumento aos incentivos e à instabilidade do petróleo
Por Caetano Yamamoto* e Pedro José* - Correio Braziliense
Veículos elétricos e híbridos seguem ganhando espaço no mercado brasileiro. No primeiro semestre do ano, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os emplacamentos de eletrificados somaram 244.942 unidades, consolidando o avanço da tecnologia.
Para especialistas e representantes do setor, a mudança é impulsionada pelos incentivos fiscais criados pelo governo federal, mas também por uma mudança no mercado consumidor, que busca tecnologias mais sustentáveis e menos dependentes do petróleo, em meio à instabilidade mundial nos combustíveis.
Os híbridos continuam liderando esse mercado. No acumulado do semestre, foram comercializadas 154.472 unidades, crescimento de 85,07% em relação às 83.468 registradas no mesmo período de 2025. Somente em junho, o segmento alcançou 33.374 emplacamentos, alta de 8,94% na comparação com maio e de 116,55% ante o mesmo mês do ano passado. “Os carros híbridos têm tido uma aceitação expressiva no mercado nacional e representam o maior volume entre os eletrificados”, afirmou o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior.
Os totalmente elétricos também ampliaram, significativamente, sua participação. Entre janeiro e junho, foram vendidos 90.470 modelos, um crescimento de 196,29% em relação às 30.534 unidades comercializadas no primeiro semestre de 2025.
Em junho, o segmento apresentou estabilidade em relação a maio, com leve alta de 0,84%, mas registrou avanço de 258,18% na comparação com junho do ano anterior. No acumulado do semestre, os híbridos responderam por 63% dos emplacamentos de veículos eletrificados, enquanto os modelos totalmente elétricos ficaram com os 37% restantes.
Para o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques, o crescimento das vendas está diretamente ligado aos incentivos tributários concedidos pelo governo federal para estimular a adoção de veículos menos poluentes. Segundo ele, a redução da carga tributária tornou esses modelos mais competitivos para o consumidor, ao mesmo tempo em que aumentou a presença de fabricantes estrangeiras no mercado brasileiro.
“Com isso, têm surgido algumas discussões com a indústria automobilística brasileira, porque muitos desses carros vêm de fora — são importados, são carros chineses. E isso tem aumentado bastante a venda desses carros híbridos e elétricos para os consumidores brasileiros”, explica.
Para o diretor do Conselho da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) Clemente Gauer, o avanço dos veículos eletrificados reflete o aumento da competitividade no setor e amplia as alternativas disponíveis para o consumidor brasileiro. Segundo ele, o cenário ganha ainda mais relevância em um momento de alta dos combustíveis e de instabilidade no mercado internacional de petróleo.
“O consumidor brasileiro deve ter acesso a todas as tecnologias disponíveis, especialmente em um momento de aumento dos preços dos combustíveis, incertezas geopolíticas no abastecimento e recorrentes episódios relacionados à qualidade e à adulteração de combustíveis, que elevam os custos de manutenção e pesam no orçamento das famílias e das empresas”, afirma.
Segundo Gauer, além dos benefícios ambientais, a expansão da mobilidade elétrica também pode impulsionar a economia nacional. Ele cita um estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT Brasil), segundo o qual a transição para veículos eletrificados pode elevar em até 116% o número de empregos no setor automotivo, estimulando áreas como infraestrutura de recarga, geração de energia e serviços especializados.
O representante da ABVE destaca ainda que os ganhos também chegam diretamente ao consumidor. “Os veículos elétricos podem reduzir em até 80% o custo por quilômetro rodado e permitem que o abastecimento seja feito com a eletricidade predominantemente renovável produzida no Brasil ou até mesmo com energia solar gerada na própria residência”, ressalta.
O professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Luciano Duque avalia que, para a maior parte dos motoristas brasileiros, os veículos elétricos já representam uma alternativa economicamente vantajosa. Segundo ele, quem utiliza o carro principalmente em trajetos urbanos e dispõe de carregamento residencial consegue compensar rapidamente a diferença de preço por meio da economia com combustível e manutenção. Além disso, Duque destaca que as condições climáticas do Brasil favorecem esse tipo de tecnologia, já que o calor registrado no país causa menos impacto às baterias do que o frio intenso observado em diversos mercados europeus.
*Estagiários sob a supervisão de Victor Correia

© ClubeFM 2021 - Todos os direitos reservados