

Mesmo proibidos no Brasil, dispositivos continuam circulando entre jovens; especialistas alertam para dependência de nicotina e danos pulmonares
Por Redação*
Os chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) funcionam, em geral, pelo aquecimento de um líquido que produz um aerossol inalado pelo usuário. Esse líquido pode conter nicotina, aromatizantes e diferentes compostos químicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as emissões dos cigarros eletrônicos podem conter nicotina e outras substâncias tóxicas, capazes de afetar tanto quem utiliza o dispositivo quanto pessoas expostas ao aerossol.
O cenário preocupa porque a nicotina é uma substância altamente viciante. A OMS também afirma que adolescentes expostos à nicotina podem sofrer impactos no desenvolvimento cerebral.
Segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel),a prevalência de uso diário ou ocasional de cigarros eletrônicos entre jovens de 18 a 24 anos foi de 6,1% em 2023.
O risco por trás dos sabores
A Anvisa afirma que os aerossóis dos dispositivos podem conter substâncias como formaldeído, acroleína, diacetil e metais pesados. Entre os problemas associados ao uso estão doenças pulmonares, problemas cardiovasculares e dependência de nicotina. A agência ressalta ainda que parte dos efeitos de longo prazo continua sendo estudada.
Os cigarros convencionais quanto os dispositivos eletrônicos apresentam riscos à saúde, e a opção mais segura é não utilizar nenhum dos dois. A entidade também alerta que o uso simultâneo de vape e cigarro convencional, o chamado uso dual, que pode representar um risco ainda maior.
O Efeito de Epidemia
Segundo a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz, em entrevista à revista Veja, a médica classificou o crescimento do vape como uma “epidemia grave” e criticou o argumento de que a comercialização e legalização desses produtos necessariamente representaria uma política de redução de danos, mas após o tempo de uso, o indivíduo estaria completamente dependente.
A preocupação acompanha uma discussão mais ampla entre especialistas: ao mesmo tempo em que alguns defensores da regulamentação argumentam que determinados produtos poderiam ajudar fumantes adultos a abandonar o cigarro convencional, organizações de saúde ressaltam que isso não significa que os dispositivos sejam seguros ou que devam ser tratados como produtos de consumo comuns.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cigarros eletrônicos comercializados como produtos de consumo não foram comprovados como eficazes para a cessação do tabagismo em nível populacional. A organização afirma, entretanto, que as evidências científicas sobre o uso desses dispositivos como auxílio para parar de fumar ainda são inconclusivas e que não está claro qual seria seu papel na cessação em nível populacional.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para a dependência de nicotina nas unidades básicas de saúde.
Supervisionado por Bárbara Bernades*

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