

Quadrilha tentava embarcar cocaína em um voo que partiria de Guarulhos para a Europa, mas foi descoberta, o que deu início à troca de tiros. É o 2º incidente envolvendo homens fortemente armados — o primeiro foi o assassinato de um delator do PCC
Por Fabio Grecchi e Iago Mac Cord - Correio Braziliense
Policiais federais e traficantes trocaram tiros, ontem, em uma das áreas que compõem o complexo do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, o maior do país. O confronto foi na parte externa, nas proximidades do Terminal 3 e da rodovia Hélio Smidt. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre feridos e presos.
O tiroteio começou quando os agentes perceberam que os suspeitos romperam a cerca que limita o aeroporto e dá acesso à área restrita de cargas do aeroporto. Usavam os buracos na grade para, segundo a PF, tentar embarcar pacotes com drogas em um voo para a Europa. O grupo estava em quatro veículos, interceptados perto da cabeceira da pista, por volta das 14h30. Eram pelo menos 10 pessoas.
Com o bloqueio, começou o tiroteio. Os suspeitos, porém, conseguiram fugir em direção às obras do Rio Baquirivu e uma área de mata próxima do aeroporto. Cinco malas com cocaína que haviam sido embarcadas na aeronave, além de quatro caixas de drogas, foram deixadas para trás. Segundo a PF, estima-se que o grupo carregava mais de 300 kg de cocaína. Equipes das polícias Militar, Militar Rodoviária Federal e Civil foram acionadas para tentar capturar a quadrilha.
A concessionária GRU Airport confirmou o tiroteio, mas não divulgou dados sobre o impacto no fluxo aeroportuário. Segundo usuários do aeroporto, o confronto entre policiais e supostos traficantes não prejudicou pousos e decolagens.
Este é o segundo incidente envolvendo criminosos fortemente armados em Guarulhos cujo pano de fundo é o tráfico de drogas. O anterior foi o assassinato do empresário do ramo imobiliário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, em 8 de novembro de 2024, pouco depois de desembarcar no Terminal 2 de Guarulhos e em plena luz do dia.
Ele colaborava com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e denunciara esquemas de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Colaborava com as autoridades a fim de diminuir a pena por ter legalizado dinheiro da facção via compra de imóveis e investimento em criptomoedas.
Gritzbach foi assassinado com tiros de fuzil no retorno de uma viagem que fizera a Maceió. Segundo a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, delegada Ivalda Aleixo, o crime foi motivado pelo fato de o empresário ter entregado os nomes de policiais que estavam na folha de pagamento da organização criminosa.
Horas depois do assassinato, um carro Volkswagen Gol preto usado no crime foi encontrado abandonado em uma favela próxima do aeroporto. No veículo, havia munição de fuzil e um colete balístico.
A partir daí, houve uma longa investigação, que trouxe à tona o envolvimento de vários policiais militares e civis de São Paulo com o PCC. Em 2 de junho, o MP-SP pediu a condenação de sete policiais civis e outros quatro investigados no âmbito da Operação Tacitus, que investigou o esquema de lavagem de dinheiro, extorsão e cobrança de propina milionária de Gritzbach.
Em 22 de junho, o julgamento dos três PMs acusados do assassinato e do motorista de aplicativo Celso Novais, que ajudou na fuga depois do assassinato, foi anulado. A defesa dos acusados abandonou o plenário do Fórum Criminal de Guarulhos após se desentender com o promotor do caso. O júri popular dos PMs foi remarcado para fevereiro de 2027.

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