

Pela primeira vez, em 36 anos, as semifinais do Mundial reunirão quatro seleções vencedoras do torneio
Por Marcos Paulo Lima – Correio Braziliense
Virou Copa dos Campeões. Pela primeira vez, em 36 anos, as semifinais do Mundial reunirão quatro seleções vencedoras do torneio. Isso não acontecia desde a edição de 1990, quando a anfitriã Itália dividiu os holofotes com Argentina, Alemanha e Inglaterra.
Desde então, sempre houve um intruso. Alguns, inclusive, conquistaram o título inédito, como a França (1998) e a Espanha (2010). Ambas decidirão uma vaga à final na terça-feira, em Dallas, no Texas. A disputa pelo outro bilhete para a decisão em 19 de julho opõe a atual campeã, Argentina, e a Inglaterra, em Atlanta, na Geórgia. Em abstinência desde 1966, os candidatos ao bi amargam o maior jejum na comparação entre os integrantes do quarteto.
A Argentina continua vivendo perigosamente na Copa do Mundo. Abriu o placar cedo com um gol de cabeça do meia Mac Allister em uma cobrança de escanteio de Lionel Messi. A seleção alviceleste tentou controlar o jogo posicionando-se em bloco baixo na tentativa de quebrar o ritmo da partida. A Suíça ficou rondando a área e colocou Martínez para trabalhar.
Limitada, mas valente, a Suíça se inspirou em Cabo Verde e no Egito para pressionar em busca do empate diante de uma Argentina acomodada. Emiliano Martínez acumulou defesas até não suportar mais o chute cruzado de Ndoye aos 22 minutos da etapa final. A assistência de Ricardo Rodríguez encontrou o meia-esquerda muito bem-posicionado.
Quando a Suíça parecia entusiasmada em busca do empate, mais um lance polêmico favoreceu a Argentina. O árbitro português João Pedro Pinheiro interpretou como simulação do centroavante Embolo em uma disputa de bola próxima da linha lateral. Como ele havia recebido cartão amarelo no fim da etapa inicial, foi castigado com o vermelho.
O protagonismo da Suíça deu lugar à resistência no restante do segundo tempo. A mesma resiliência de Cabo Verde e Egito. O goleiro Gregor Kobel começou a aparecer e se antecipar aos cruzamentos na pequena área. Em uma delas, saiu do gol mais rápido do que Messi.
As pernas da Argentina estavam pesadas depois de correr atrás do resultado contra Cabo Verde e Egito. As duas reações espetaculares cobraram caro no tempo extra. A intensidade não era a mesma e facilitava o trabalho do ferrolho suíço, posicionado no 5-3-1 depois de uma prorrogação e pênaltis contra a Colômbia nas oitavas de final. Paciente, a Argentina tocava a bola à procura do espaço para marcar o gol da vitória. Julian Álvarez marcou o segundo em um chute cruzado indefensável. Lautaro Martínez aproveitou rebote do goleiro em um contra-ataque puxado por Messi e encerou o jogo: 3 x 1.
A linha do tempo do fim do tabu
1990: Argentina, Alemanha, Itália e Inglaterra
1994: Brasil, Itália, Suécia e Bulgária
1998: França, Brasil, Croácia e Holanda
2002: Brasil, Alemanha, Turquia e Coreia do Sul
2006: Itália, França, Alemanha e Portugal
2010: Espanha, Holanda, Alemanha e Uruguai
2014: Alemanha, Argentina, Holanda e Brasil
2018: França, Croácia, Bélgica e Inglaterra
2022: Argentina, França, Croácia e Marrocos
2026: França, Espanha, Inglaterra e Argentina
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