

Sul-americanos transformam o MetLife Stadium em palco de Libertadores e, na base da superação, batem os alemães por 2 x 1 e asseguram vaga na cota de melhores terceiros colocados
Victor Parrini — Enviado especial - Correio Braziliense
Nova Jersey — Era o MetLife Stadium em uma tarde de Copa do Mundo, mas parecia o Monumental de Guayaquil ou a Casa Blanca, em Quito. O Equador goleou a Alemanha nas arquibancadas. Nem era preciso contar para perceber que os equatorianos eram maioria e transformavam o estádio em um ambiente típico de Libertadores. Os jogadores demoraram a entrar no mesmo ritmo da torcida. A redenção veio apenas aos 33 minutos do segundo tempo, quando o flamenguista Gonzalo Plata apagou a lembrança de um gol inacreditável desperdiçado instantes antes e decretou a virada por 2 x 1 e a classificação à fase 16 avos, com quatro pontos e a terceira posição da chave E.
“Sí, se puede” e “Esta noche tenemos que ganar” ecoavam das arquibancadas e embalavam La Tri rumo ao resultado que mantinha vivo o sonho do mata-mata. Como quase tudo que envolve Libertadores, foi sofrido. A vitória era o caminho mais seguro para evitar a eliminação precoce. O roteiro, porém, começou da pior maneira. Logo aos dois minutos, Leroy Sané recebeu livre na área e abriu o placar para a Alemanha. O lance provocou revolta entre os equatorianos pela dividida de Pavlovic, que deixou o pé alto sobre Vite na origem da jogada.
O gol não desmontou os sul-americanos. Mesmo pecando no último passe e na conclusão das jogadas, o Equador respondeu rapidamente. Aos oito minutos, Angulo aproveitou uma das raras brechas da defesa alemã e acertou um chute indefensável para Neuer. Depois do intervalo, o drama ganhou um novo capítulo. A arbitragem marcou pênalti para Havertz, mas voltou atrás após recomendação do VAR, que identificou falta no início da jogada.
Nos 15 minutos finais, o Equador apostou na principal arma da equipe: a velocidade pelos lados do campo. Plata e companhia passaram a atacar os espaços deixados pelos alemães. Faltava transformar volume em eficiência. Até que a bola parada resolveu. Rodríguez subiu mais alto após cobrança de escanteio e desviou para Plata. Cara a cara com Neuer, o atacante do Flamengo não desperdiçou a segunda oportunidade. O gol apagou o erro cometido minutos antes e colocou La Tri muito perto da próxima fase.
O resultado também representou um alívio para Sebastián Beccacece. O argentino, no cargo há menos de dois anos, chegava pressionado e admitia até a possibilidade de deixar a seleção em caso de eliminação. O Equador evita repetir o destino das campanhas de 2022, sob Gustavo Alfaro, e de 2014, com Reinaldo Rueda, quando também caiu ainda na fase de grupos.
A classificação ganha contornos ainda mais simbólicos pelo contexto da campanha. Até enfrentar a Alemanha, o Equador era uma das seleções que mais finalizavam na Copa, havia acertado a trave quatro vezes e ainda não tinha marcado um único gol. Precisou justamente do jogo mais importante para encontrar o caminho das redes. Agora, junta-se a Brasil, Argentina e Colômbia entre os representantes sul-americanos garantidos no mata-mata.
Alemanha deixa a fase de grupos com a liderança assegurada e sem o brilho das duas primeiras apresentações. Dona do melhor ataque da Copa, desperdiçou a chance de fechar a primeira fase com 100% de aproveitamento pela primeira vez desde o Mundial de 2006. O empate, porém, pouco altera o panorama dos alemães, que avançam depois das eliminações precoces nas fases de grupos de 2018 e 2022.
Ficha técnica
Equador 2 x 1 Alemanha
Copa do Mundo (3ª rodada do Grupo E)
Local: MetLife Stadium, Nova Jersey (EUA)
Árbitro: Tori Penso (Estados Unidos)
Público: 80.663
Escalações
Equador — Hernán Galíndez; Alan Franco (Kevin Rodríguez), Joel Ordóñe, Willian Pacho e Piero Hincapié (Estupiñan); John Yeboah (Jordy Caicedo), Pedro Vite, Moisés Caicedo e Nilson Angulo (Félix Torres); Gonzalo Plata e Enner Valencia (Ángelo Preciado).
Técnico: Sebastian Beccacece
Gols: Angulo, aos 9 minutos do 1ºT, e Gonzalo Plata, aos 33 minutos do 2ºT
Cartões amarelos: Hincapié, Alan Franco e Gonzalo Plata
Alemanha — Manuel Neuer; Joshua Kimmich (Malick Thiaw), Antonio Rudiger, Jonathan Tah e David Raum; Felix Nmecha (Maximilian Beier) e Aleksandar Pavlovic (Angelo Stiller); Leroy Sané, Jamal Musiala e Florian Wirtz (Pascal Grob); Kai Havertz (Deniz Undav).
Técnico: Julian Nageslmann
Gols: Leroy Sané, aos 2 minutos do 1ºT
Cartões amarelos: Pavlovic

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