

Levantamento da Cielo aponta queda de 1,3% nas vendas totais durante jogo contra Marrocos; e-commerce avançou 15,5% e supermercados lucraram com a preparação dos torcedores
Por Amanda S. Feitoza - Correio Braziliense
A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 gerou uma mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros no o desempenho do varejo no país. Dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostram que, no dia da partida contra Marrocos, as vendas do comércio recuaram 1,3% em relação ao mesmo sábado do ano anterior.
O resultado, porém, esconde movimentos distintos entre os canais de venda. Enquanto as lojas físicas registraram queda de 3,7% no faturamento, o comércio eletrônico avançou 15,5%, indicando que muitos consumidores trocaram as compras presenciais pela conveniência do ambiente digital durante o dia do jogo.
Segundo Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, grandes eventos nacionais têm impacto direto na forma como os consumidores compram. “O consumidor não deixa necessariamente de comprar: ele muda o horário, o canal e a ocasião de consumo”, afirma.
A preparação para assistir à partida também beneficiou segmentos específicos. Supermercados e hipermercados registraram crescimento de 11,3%, enquanto o varejo alimentício especializado avançou 10,7%. Os números refletem a corrida dos consumidores para abastecer a casa antes do apito inicial, seja para reuniões entre amigos, encontros familiares ou consumo durante a transmissão.
Outro destaque foi o setor de Turismo e Transporte, que apresentou alta de 16,6%, sugerindo aumento de deslocamentos e gastos relacionados à experiência da Copa.
Na direção oposta, atividades que dependem do fluxo contínuo de clientes ao longo do dia sentiram os efeitos da paralisação provocada pelo jogo. O setor de Recreação e Lazer teve queda de 28,9%, enquanto Bares e Restaurantes recuaram 14,6%. Dentro desse grupo, porém, os bares, discotecas e casas noturnas conseguiram escapar da tendência negativa e registraram crescimento de 6,4%, reforçando seu papel como ponto de encontro dos torcedores.
“Os dados mostram que a Copa cria uma espécie de nova agenda para o varejo. Supermercados e lojas de alimentação capturam a preparação pré-jogo; bares ganham relevância como ponto de encontro; e o digital se fortalece como alternativa para quem quer resolver compras sem sair de casa. É um comportamento muito brasileiro: muda o jogo, muda o caixa”, destaca Alves.
O levantamento também identificou uma redistribuição das compras ao longo do dia. Durante a partida, houve redução no volume de transações, seguida por recuperação posterior em alguns segmentos, evidenciando o impacto direto dos jogos da Seleção na rotina de consumo.
A influência da Copa já havia sido percebida antes mesmo do início do torneio. Entre 1º e 7 de junho, o e-commerce de lojas de móveis, eletrodomésticos e departamentos cresceu 13,1% em comparação com o mesmo período de 2025. O desempenho sugere aumento da procura por eletrônicos, itens para a casa e produtos associados à experiência de acompanhar os jogos.
No acumulado do setor, o crescimento foi mais modesto, de 2,5%, devido à queda de 2% nas vendas das lojas físicas. Entre os estabelecimentos presenciais, os shoppings tiveram desempenho melhor: alta de 8,4%, contra retração de 4,5% nas lojas de rua.
Para Alves, o movimento reforça uma transformação que vai além do calendário esportivo. “O comportamento do varejo na semana pré-Copa mostra que o consumidor está cada vez mais digital, especialmente em categorias nas quais comparação de preço, conveniência e variedade pesam muito na decisão”, afirma.
Ele também aponta que fatores como segurança podem ter influenciado a escolha dos consumidores. “A questão de segurança pode ter influenciado a jornada do consumidor: que preferiu receber o produto em casa ou usar a segurança dos shopping centers para levar seus produtos com maior segurança”, conclui.

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