

Relator da PEC na Câmara dos Deputados pede ao Ministério da Gestão que convoque todos os auditores fiscais do trabalho aprovados no concurso unificado de 2024 para assegurar os direitos da nova regra, se aprovada pelo Congresso Nacional
Por Rosana Hessel - Correio Braziliense
O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que trata do fim da escala de trabalho 6×1, deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), está preocupado com a falta de auditores fiscais do trabalho (AFT) para colocar em prática o fim da jornada 6×1 no Brasil, caso a matéria seja aprovada pelo Congresso Nacional neste ano.
Para isso, o parlamentar encaminhou ofício à ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, pedindo que ela adote providências para a recomposição urgente da carreira de AFTs e faça a convocação integral do cadastro reserva aprovado na primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNPU 1), realizado em 2024, para, assim, garantir a aplicação do novo direito trabalhista.
O certame unificado previa 900 vagas no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com mais 1,8 mil para o cadastro reserva da pasta. Foram chamados 900 em primeira chamada para todos os cargos. Como a totalidade das vagas não foi completada, mais 88 pessoas do cadastro reserva foram contempladas em segunda chamada e, no momento, estão fazendo o curso de formação. Mas, de acordo com a Comissão de Aprovados do Concurso de Auditor Fiscal do Trabalho, há cerca de mil cargos vagos, atualmente, na pasta, e o total de auditores é inferior ao recomendado por órgãos internacionais.

FISCALIZACAO SAUDE DO TRABALHO ACIDENTES(foto: PACIFICO)
Dessa forma, a pedido da comissão, Prates encaminhou ofício ao MGI pedindo a convocação de todos os integrantes do cadastro reserva, uma vez que faltam fiscais para a fiscalização atual, mesmo antes da aprovação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1. Atualmente, o número de auditores do trabalho no país é de 2,7 mil, incluindo os 829 novos servidores aprovados via o CNPU.
Esse número, contudo, é inferior ao recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), de cerca de 5,5 mil, ou seja, praticamente o dobro da situação atual. Além disso, também está abaixo do total estimado como necessário por especialistas do setor, de 8 mil, para que a fiscalização seja adequada e evite os mais de R$ 150 bilhões de custos da Previdência Social com acidentes de trabalho, por exemplo.
No ofício enviado ao MGI, ao qual o Correio teve acesso com exclusividade, Prates destacou que a falta de fiscalização no Brasil é um problema recorrente e pode prejudicar a execução da PEC 221/2019. No documento, o deputado destacou que o assunto mais discutido nas varas do Trabalho é a questão da jornada de trabalho e das horas extras.
“O dado revela como a exploração excessiva da jornada continua sendo uma das principais fontes de conflito entre trabalhadores e empregadores no Brasil. Isso demonstra que qualquer debate sobre melhoria das condições de trabalho passa, necessariamente, pelo fortalecimento da fiscalização trabalhista. Não basta apenas discutir mudanças formais na legislação ou o fim da escala 6×1. É preciso garantir mecanismos concretos de controle e punição para empresas que descumprem limites de jornada, suprimem descansos ou impõem horas extras abusivas”, escreveu o parlamentar.
“Sem fiscalização efetiva, o risco é que a redução da jornada exista apenas no papel, enquanto milhões de trabalhadores continuem submetidos à intensificação do trabalho e ao adoecimento provocado pelo excesso de horas trabalhadas”, acrescentou o deputado, no pedido. Procurado, o MGI não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
Relatório
A votação da PEC 221/2019 na Câmara dos Deputados estava prevista para esta semana, mas a leitura do relatório foi adiada novamente. Prates deverá apresentar o relatório na comissão especial na próxima segunda-feira. A expectativa é que a matéria, uma das principais bandeiras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seja votada na Casa até quarta-feira da semana que vem.
Para ser aprovada, a PEC precisa ser aprovada pelo Plenário da Câmara, em dois turnos, por 308 deputados, no mínimo. E, depois, no Senado Federal, também precisará passar pela votação em dois turnos e ser aprovada por, pelo menos, 49 senadores. No relatório de Prates, está prevista a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso, sem redução do salário do trabalhador.

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