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Gabriel Sater resgata raízes do Pantanal em novo marco da carreira

Mundo Sertanejo
Música
Publicado em 4 de junho de 2026
Gabriel Sater resgata raízes do Pantanal em novo marco da carreira
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Em entrevista ao Correio, compositor compartilha processos que levaram ao disco “25 anos de música”, marcado por gratidão à viola caipira e a parceiros



Por João Pedro Alves - Correio Braziliense

A busca por melodias requer condições que apenas o Pantanal é capaz de oferecer a Gabriel Sater. O ambiente cercado de música, junto à paisagem natural, tem sido fértil matéria-prima para o compositor desde o começo da carreira. A jovialidade das expressões esconde trajetória artística que chegou a 25 anos. “Acredito que conquistei uma certa maturidade artística e pessoal”.

O cantor celebra esse marco com disco de faixas inéditas, atravessadas por um retorno às origens e de afirmação da própria identidade musical.

“A viola caipira representa nosso Brasil profundo. Se hoje eu pudesse apontar um único arrependimento ao longo desses anos de carreira seria não ter começado a tocar e compor na viola desde o início”, diz Sater. Em entrevista ao Correio, ele revista momentos importantes para consolidar a carreira e comenta aspectos que nortearam a produção do disco.

Capa do novo disco tem como cenário as raízes de Gabriel Sater – (crédito: Divulgação)

Entrevista//Gabriel Sater

Você começou a carreira jovem. Neste álbum de 25 anos, que marcas daquele período inicial se consolidaram?

A marca mais profunda que ficou daquele início foi a minha base instrumental como violonista. O violão nunca me deixou sozinho por nenhum caminho, ele foi sempre guia e companheiro de jornada. É através dele que eu ouço o mundo, que eu penso a música, que eu chego até a palavra. E ficou a valorização das minhas raízes. A família, o Pantanal, aquele ambiente absolutamente musical em que eu cresci. 

Como aquele jovem que lançou o primeiro disco em 2006 ainda aparece agora?

Aparece no caçador de melodias que eu ainda sou, sempre atento, sempre em busca do novo, com o ouvido aberto para o que vem do lado de fora e para o que reverbera por dentro. E aparece nessa luta constante contra o tempo, porque eu tenho um anseio muito particular de tocar, gravar e compor com os mestres que eu tanto admiro. A chama que queimava lá em 2000, quando eu dei os primeiros passos como profissional, está ainda mais intensa em 2026.

Como escolheu os parceiros para o novo álbum? Poderia comentar a relação com Ivan Lins?

Escolhi as participações especiais a partir do estilo de cada faixa. A gravação da faixa “Me Ajuda” só aconteceu por conta da generosidade do mestre Ivan Lins, de seu filho João Lins e de uma amiga em comum, a Kelly Faé. Quando sonhei com a participação dele, deixei a vergonha de lado e contei com a Kelly. O Ivan e o João não só toparam a gravação do áudio, como também do videoclipe no mesmo dia. Conheci o Ivan pessoalmente no estúdio e fiquei ainda mais fã dele, que é um dos maiores artistas da história da música brasileira. 

Completar 25 anos de carreira significa atingir a maturidade artística? 

Vinte e cinco anos vividos com tanta intensidade é muito tempo, um quarto de século. O que esses anos me deram foi clareza sobre o que quero dizer, sobre com quem quero caminhar. Acredito que conquistei uma certa maturidade artística e pessoal, mas com muito espaço para evoluir nos próximos 25 anos. Sou fruto dos acertos e erros que me ensinaram mais do que qualquer aula. Essas vivências me ajudaram a construir, internamente, mais paciência e mais calma, virtudes difíceis para alguém ansioso desde muito novo.

Como tem sido a convivência da viola caipira com um sertanejo cada vez mais pop?

A viola caipira representa nosso Brasil profundo. Ela carrega uma ancestralidade. Quando você ponteia uma viola, está acessando um mundo sonoro com séculos de memória viva. É a raiz com profundidade, uma das ressonâncias mais graves da alma brasileira. Pensando na relação da viola com meu trabalho e com o repertório do novo álbum, já na primeira faixa, ela foi o cerne da composição, com um rock rural que recebeu a participação especial de Eric Silver. Se hoje eu pudesse apontar um único arrependimento ao longo desses 25 anos de carreira seria não ter começado a tocar e compor na viola desde o início da minha caminhada.

Como se sente em relação a esse caminho percorrido na carreira?

Um sentimento profundo de gratidão depois de tanta luta. É uma jornada desafiadora que me faz evoluir diariamente. Tenho muita sorte de ter encontrado a Paula Cunha, minha companheira de vida e de sonhos. Lembro da minha avó Nair, mãe do meu pai, dizendo que a Paula era meu talismã. E ela tinha razão. Em 2008, em um dos momentos mais desafiadores da minha vida, a Paula elaborou um projeto de gravação de CD e circuito de shows para um edital. Era o álbum “A Essência do Amanhecer”, meu segundo disco, o primeiro inteiramente cantado com composições autorais. Ela se dedicou por um mês inteiro escrevendo aquele projeto. Eram apenas duas vagas por estado e fomos contemplados. Isso realmente mudou o curso das águas da minha carreira. Foi um dos momentos mais importantes das nossas vidas.

*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco

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