

Gols nos minutos finais classificaram Canadá, Brasil e Noruega, enquanto Marrocos buscou o empate contra a Holanda antes de avançar nos pênaltis
Por Victor Parrini — Enviado especial - Correio Braziliense
Nova Jersey — O velho clichê do futebol se aplica à fase 16 avos da Copa do Mundo: o jogo só acaba quando termina. A primeira fase eliminatória do torneio Fifa transformou os minutos finais em all-in, um vale-tudo. Dos quatro primeiros confrontos decididos até agora, todos tiveram gols capazes de mudar o destino da classificação perto do fim. Três evitaram a prorrogação. Um levou a decisão para os pênaltis.
O roteiro começou com o Canadá. Quando a prorrogação parecia inevitável, Stephen Eustáquio apareceu aos 47 minutos do segundo tempo para eliminar a África do Sul com o 1 x 0. Menos de 24 horas depois, foi a vez do Brasil. Gabriel Martinelli saiu do banco de reservas para decidir a vitória por 2 x 1 sobre o Japão aos 51 minutos e impedir que a Seleção precisasse disputar mais 30 minutos de prorrogação.
O terceiro capítulo teve sabor diferente em uma segunda-feira de reviravoltas. A Holanda vislumbrava as oitavas de final e vencia Marrocos por 1 x 0 até os 46 minutos da etapa final, quando o zagueiro Issa Diop empatou para o Marrocos e forçou o tempo extra. Gol salvador. Nos pênaltis, os africanos avançaram em uma decisão de bolas na trave e desperdícios: 3 x 2.
Nesta terça-feira (30/6), a Noruega seguiu a tendência. Sem conseguir transformar a superioridade em vantagem durante boa parte da partida, encontrou em Erling Haaland, aos 41 minutos do segundo tempo, o gol da vitória por 2 x 1 sobre a Costa do Marfim e a vaga nas oitavas de final.
Os desfechos nos instantes derradeiros parecem consequência de uma tendência que a própria Fifa identificou ainda na fase de grupos. Dos 215 gols marcados até o início do mata-mata, 43 saíram dos pés de jogadores acionados durante as partidas, um indicativo do peso cada vez maior dos bancos de reservas em um torneio marcado pela intensidade física e pela necessidade de mudar jogos a partir das substituições.
Os minutos derradeiros também dialogam com outra marca desta Copa. A edição de 2026 entrou para a história como a mais goleadora dos Mundiais, superando o recorde de 172 gols da edição do Catar ainda durante a fase de grupos. O torneio produz mais bolas na rede do que qualquer outro. Agora, começa a concentrar boa parte delas justamente quando o relógio parece anunciar o fim das partidas.
A sequência ajuda a explicar por que a primeira Copa do Mundo com 48 seleções tem produzido um mata-mata diferente do previsto. Em vez de ampliar a distância entre favoritos e azarões, os 16 avos comprimiram os jogos até os minutos derradeiros.
Até o momento, dois dos confrontos das oitavas de final estão definidos. No domingo (5/7), o Brasil enfrentará a Noruega em Nova Jersey. No dia anterior, o Canadá terá pela frente o Marrocos. Depois de eliminar a Alemanha, o Paraguai aguarda, nesta terça-feira, o vencedor do duelo entre França e Suécia. Este 30 de junho ainda reserva México x Equador, às 22h, no Estádio Azteca.
90+2: Stephen Eustáquio marcou o gol da classificação
90+6: Gabriel Martinelli evitou a prorrogação
90+1: Issa Diop empatou e levou a decisão para os pênaltis
86 min: Erling Haaland garantiu a vaga escandinava
*Enviado especial aos Estados Unidos

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