

O recuo ocorreria em meio ao fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e na semana seguinte à retirada do subsídio de R$ 0,35 por litro de diesel
Por Francisco Artur de Lima - Correio Braziliense
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia adiar uma nova rodada de reversão das subvenções de combustíveis em meio ao fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e o Irã, anunciado nesta quarta-feira (8/7). O possível recuo ocorreria na semana seguinte à retirada do subsídio de R$ 0,35 por litro de diesel.
O fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ocorreu ontem, após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar que novos ataques contra os iranianos seriam realizados após um bombardeio persa contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.
“Esta é uma represália pelo bombardeio de navios realizado ontem pelo Irã. Se isso voltar a acontecer, será muito pior”, publicou Trump, ontem, em suas redes sociais. Já o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou Trump como um “criminoso e assassino”.
Diante da retomada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, o preço do petróleo tipo Brent no mercado internacional chegou a subir mais de 6% ao longo do dia de ontem. O barril do petróleo do tipo Brent, referência global, era negociado a US$ 78,88 na noite desta quarta, de acordo com o site Trading Economics.
Com a expectativa de que essa subida atinja os preços no mercado interno de combustíveis e pressione a Petrobras a um repasse imediato ao mercado interno, o governo avalia recuar na retirada das subvenções de R$ 0,44 por litro de gasolina e de outro subsídio ao diesel, de R$ 1,12 por litro.
O possível recuo na programação de retirada de subvenções a combustíveis em decorrência do conflito no Oriente Médio também ocorre em meio a movimentações no Congresso que tratam de subsídios a essas fontes de energia.
nesta quarta, a Câmara Federal aprovou uma Medida Provisória que abre crédito extraordinário de R$ 10 bilhões para subsidiar parte do preço do diesel, impactado pela guerra no Oriente Médio. A MP, que ainda será votada no Senado, prevê a utilização de recursos do superávit financeiro de 2025 para pagar a subvenção até 31 de dezembro de 2026.
Nesta semana também foi anunciada pelo Senado a prorrogação, por mais 60 dias, da vigência da Medida Provisória (MP) que estabelece mecanismos de subvenção para produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo. Agora, a previsão é que o texto seja analisado pelos parlamentares até 23 de setembro.

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