

A Polícia Civil vai ouvir o homem que estaria ao volante de veículo responsável por bloquear transporte de paciente que morreu em Pouso Alegre, no Sul de Minas
Mateus Parreiras – Estado de Minas
Um homem de 29 anos, nascido em Pouso Alegre (MG), no Sul do estado, foi identificado pela Polícia Civil e é investigado como suspeito de ter bloqueado a passagem de uma ambulância do Samu em atendimento a paciente grave, que acabou morrendo, no dia 13 de março de 2026, no mesmo município.
O homem será intimado a depor em procedimento de investigação aberto na Delegacia Regional de Pouso Alegre. Ele pode ser responsabilizado pela morte do paciente de 91 anos.
Um vídeo gravado pelo técnico em enfermagem que conduzia a ambulância mostra que o condutor de um VW Gol branco com placa de Guarulhos (SP) dirigia à frente da viatura de socorro, fechando as tentativas do veículo de o ultrapassar pela esquerda pela via de pista simples de dois sentidos que cruza a cidade até a BR-381.
De acordo com o depoimento da equipe de socorro, o bloqueio se deu por 2,5 quilômetros, pela Avendia Prefeito Olavo Gomes de Oliveira, desde a altura do Hotel Granlago, no Bairro Árvore Grande, até que a ambulância convergiu e escapou do carrou na altura da Avenida Nélio Gomes de Siqueira, no Bairro Conjunto Chapadão II.
O motorista da ambulância disse à polícia que que tinha suas luzes e sirenes acionadas enquanto transportava a paciente idosa, vítima de acidente vascular cerebral, para o Hospital Samuel Libânio.
Na altura do hotel Granlago, de acordo com o depoimento, o veículo Gol passou a ziguezaguear na frente da ambulância, a gesticular sinalizações de baixo calão com o braço para fora da janela e a insultar a equipe.
Depois de encaminhar a vítima aos cuidados do hospital, a equipe do Samu registrou ocorrência na Polícia Militar, e o caso foi encaminhado como “perigo para a vida ou saúde de outros” e “direção perigosa”, tendo o vídeo sido também apreciado.
Em consulta da PMMG ao sistema de veículos, nenhuma irregularidade anterior foi constatada sobre o carro. As características do Gol chegaram a ser difundidas para as demais unidades da PMMG para rastreamento nas imediações, mas o veículo e o condutor não foram localizados.
Dois dias depois, a paciente morreu no hospital. O Consórcio Intermunicipal de Saúde da Macrorregião do Sul de Minas (CISSUL/SAMU) informou que o atendimento envolvia uma paciente com rebaixamento do nível de consciência, caracterizando ocorrência de alta gravidade (código vermelho).
Destacou, ainda, que o comportamento do motorista dificultou o atendimento, ocasionando atraso no tempo-resposta, que é fator crítico em situações de urgência e emergência.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), impedir ou dificultar a passagem de veículos de emergência, como ambulâncias, viaturas policiais ou caminhões do Corpo de Bombeiros, quando estão com sirenes e sinais luminosos ligados, é infração gravíssima.
A penalidade inclui multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Dependendo das consequências, a conduta também pode ser enquadrada como crime caso a demora no socorro cause prejuízos à saúde da vítima.

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