

Ministério Público pediu o desmembramento do processo para que a Polícia Civil aprofunde as apurações sobre eventual participação do parente no crime
Por Melissa Souza - Correio Braziliense
Apontado por ter indicado a diarista Paola Stefany Neto Cirino aos familiares, um primo de Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, mulher de Cláudio Atala Inácio, de 75, mortos a facadas no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em 29 de junho, será investigado.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), o primo, que é advogado, recebeu um telefonema da acusada no decorrer do crime sendo informado de que Maria Clotilde estava passando mal, mas ele não tomou qualquer providência.
Conforme o documento apresentado pela 12ª Promotoria de Justiça, Paola Stefany, de 30, presa preventivamente e assassina confessa, ligou para o advogado enquanto ainda estava no apartamento do casal. O primo foi a pessoa responsável por indicar Paola para prestar serviços de faxina na casa dos idosos.
De acordo com as apurações relatadas na denúncia assinada pelo promotor de Justiça Mauro da Fonseca Ellovitch, há fortes indícios de que a diarista já foi ao imóvel ciente da situação financeira do casal e preparada para cometer o roubo.
Em depoimento, o primo afirmou que Paola ligou para o seu telefone informando que Maria Clotilde não estaria passando bem. Mesmo diante do aviso de emergência sobre a saúde de sua parente, ele não tomou qualquer atitude ou providência. Diante das contradições e do contexto dos fatos, o MPMG pediu o desmembramento do processo em relação ao primo para que as autoridades deem continuidade às investigações e apure se houve participação ou conivência dele na empreitada criminosa.
Nesta quinta-feira (30/7), a reportagem buscou contato com o primo e não teve retorno, mas, na terça-feira (28/7), o advogado não quis comentar sobre a denúncia do MPMG. Ele afirmou ao Estado de Minas que já havia prestado depoimento e que o mesmo estava presente no inquérito policial, concluído em 13 de julho.
O duplo latrocínio ocorreu na tarde de 29 de junho de 2026, no apartamento do casal, localizado na Rua Padre Severino, no Bairro São Pedro. Paola chegou ao local por volta das 7h30 portando uma cartela com 12 comprimidos de clonazepam. Durante a execução do trabalho, a mulher misturou disfarçadamente o medicamento em um suco preparado por Maria Clotilde.
Segundo o MPMG, os idosos dormiram logo após beber o suco e a diarista pegou uma faca na cozinha para arrombar gavetas e pegar pertences de valor. No entanto, ao ter a ação interrompida por Cláudio, que acordou no quarto, Paola atacou o idoso brutalmente com 43 facadas, atingindo-o no rosto, peito e abdômen.
Em seguida, para terminar o furto dos bens, a diarista atacou Maria Clotilde. À princípio, tentou asfixiá-la quimicamente utilizando uma almofada embebida com solvente thinner, provocando severas queimaduras na idosa. Diante da resistência da vítima, a acusada deu 15 facadas nela. O casal morreu no local e foi encontrado somente no dia seguinte.
Depois de matar os donos da casa, a suspeita saqueou mais de R$ 19 mil em espécie, relógios de marcas de luxo como Cartier, Omega e Montblanc, joias, perfumes importados, óculos escuros, celulares e cartões de crédito com senhas anotadas. As informações foram dadas pelo MPMG.
Na tentativa de esconder as provas e induzir a perícia ao erro, Paola lavou a faca usada nos homicídios com detergente, secou com papel toalha e a guardou na gaveta. Ela também usou água sanitária e desinfetante para limpar o piso, cobriu os corpos e trocou de roupa, vestindo peças pertencentes à própria vítima antes de sair do prédio.
Ao sair do edifício, Paola descartou a camiseta ensanguentada em uma caçamba de entulho e contratou um carro por aplicativo para se deslocar até o Centro de BH. Na região central, ela vendeu parte dos objetos roubados com receptadores e se dirigiu ao restaurante do comerciante. Em conjunto com o comerciante, fez transações fraudulentas nas máquinas de cartão do estabelecimento, somando R$ 3.100 furtados da conta de uma das vítimas, valor que foi dividido entre os dois, sendo que o homem embolsou 40% do valor.
Na sequência, Paola comprou um novo celular, buscou o filho em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH, e se escondeu em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, de onde pretendia fugir para outro estado. No entanto, foi localizada e presa em flagrante pela Polícia Civil (PC) antes de conseguir fugir.
O MPMG denunciou Paola Stefany Neto Cirino pelos crimes de latrocínio por duas vezes, com agravantes de meio cruel, recurso que dificultou a defesa e contra maiores de 60 anos, fraude processual e furto mediante fraude. Já o comerciante foi denunciado por furto mediante fraude.

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