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“Mãe pode matar e sair livre?”, questiona pai de Henry após sentença

Brasil
Publicado em 5 de junho de 2026
“Mãe pode matar e sair livre?”, questiona pai de Henry após sentença
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Em entrevista à CNN, Leniel Borel critica perdão judicial concedido à mãe do menino, afirma que houve parcialidade no julgamento e diz que irá recorrer



Por Amanda S. Feitoza e Giovanna Rodrigues - Correio Braziliense



Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (4/6), Leniel Borel, pai de Henry Borel, classificou como uma “grande aberração jurídica” o desfecho do julgamento sobre a morte do filho e afirmou ter deixado o tribunal “revoltado” com a decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros. Leniel criticou duramente o resultado do júri, apontou suposta parcialidade da magistrada e disse que a defesa irá recorrer da sentença.

A principal indignação de Leniel está na diferença entre as decisões aplicadas aos réus. Enquanto Jairo Souza Santos Júnior foi condenado a 43 anos de prisão, Monique Medeiros, mãe de Henry, deixou o tribunal em liberdade após ser condenada por homicídio culposo com perdão judicial.

“Saio de lá há pouco revoltado, como pai, como cidadão, como ser humano, como pai que luta há cinco anos por justiça pelo filho”, afirmou. “Ver o Jairo com 43 anos de condenação e ver a mãe, a genitora que deveria proteger, amar e cuidar, que estava no mesmo apartamento onde entraram dois adultos e uma criança e saíram dois adultos e uma criança morta.”

Leniel também declarou que Monique foi, no mínimo, omissa diante da morte do filho. Para ele, a decisão passa uma mensagem perigosa à sociedade. “Como que vai falar para cada brasileiro, para cada pai, que se o filho for agredido ou violentado, o algoz pode sair pela porta da frente?”

Durante a entrevista, o pai de Henry afirmou que a luta por justiça ultrapassou o caso do filho e passou a representar outras crianças vítimas de violência. “O Henry, que era meu filho, virou filho de todo brasileiro que luta por justiça conosco”, declarou. “Já não é mais somente sobre o Henry, mas sobre cada criança brasileira que sofre violência.”

Críticas ao julgamento

Leniel ainda criticou o foco adotado durante o julgamento. Segundo ele, a vítima acabou ficando em segundo plano ao longo dos 11 dias de júri. “Passei 11 dias e ninguém falou sobre Henry. Não foi um júri com foco na criança assassinada. Foi um júri com foco em Monique e Jairo”, afirmou.

O pai do menino também questionou a condução da magistrada durante a votação dos jurados. Segundo Leniel, o conselho de sentença já havia decidido condenar Monique e Jairo pela mesma pena, inclusive por homicídio doloso, mas houve uma nova quesitação conduzida pela juíza.

“Vimos uma parcialidade. Os jurados já tinham condenado Jairo e Monique na mesma pena, inclusive no homicídio doloso, e a juíza conduziu para uma nova quesitação, falando que os jurados não tinham entendido”, disse. Para ele, a condução teria ocorrido de forma “direcionada”.

Leniel também afirmou que houve uma tendência favorável à Monique durante todo o processo. “Parcialidade sobre Monique sempre foi muito clara”, declarou. Segundo ele, pessoas ligadas ao tribunal chegaram a relatar que existia uma “imparcialidade para cima de Monique”.

Outro ponto criticado por Leniel foi o debate sobre misoginia durante o julgamento. Ele questionou o fato de a discussão ter sido usada no contexto do veredito. “Quer dizer que meu filho morreu pela misoginia?”, disse. “Jairo pegou 43 anos porque é homem?”

Na avaliação do pai de Henry, a responsabilidade de Monique pela proteção do filho deveria ter pesado no resultado. “Ela era, no mínimo, a responsável pela vida do filho. E ela não fez isso”, afirmou.

Pai irá recorrer da decisão 

Leniel confirmou que irá recorrer da decisão envolvendo Monique Medeiros. O pai de Henry questionou o perdão judicial concedido no caso. “Ela foi condenada no homicídio culposo e levar perdão judicial em crime contra a vida. Vocês acham que pode ter perdão judicial?”, perguntou.

Cinco anos após a morte de Henry, Leniel disse ainda acreditar que a Justiça não esclareceu completamente o que ocorreu dentro do apartamento no dia do crime. Segundo ele, apesar do aprofundamento das investigações policiais e das audiências realizadas ao longo do processo, o resultado do julgamento não refletiu a gravidade do caso.

Relembre o crime

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade. No dia anterior, ele havia sido levado pelo pai até o apartamento onde o menino morava com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, o deixando sob responsabilidade de Monique.

Segundo as investigações, horas depois, na madrugada do dia 8, a criança foi levada desacordada ao hospital, onde a equipe médica constatou que o menino já chegou sem vida.

Inicialmente, Monique e Jairinho alegaram que Henry teria sofrido um acidente doméstico, caindo da cama enquanto dormia. No entanto, o laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) descartou qualquer hipótese de acidente doméstico ao identificar 23 lesões espalhadas pelo corpo da criança. A causa da morte foi apontada como hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.

Luiz Carlos Leal Prestes, perito responsável por examinar o corpo do menino, declarou ao Tribunal do Júri que houve um homicídio por espancamento.


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